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Engenheira americana e professor alemão fizeram uma pergunta diferente: por que construir barragens gigantes se milhares de canais já carregam água todos os dias? A resposta virou um sistema modular que acelera o fluxo, movimenta turbinas verticais e gera energia limpa perto dos locais de consumo
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 28/07/2026 às 03:17
Ciência e Tecnologia
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Tecnologia desenvolvida por Emily Morris e Thorsten Stoesser utiliza turbinas verticais para gerar eletricidade em canais urbanos e agrícolas, sem interromper o fluxo da água
Uma tecnologia hidrelétrica desenvolvida nos Estados Unidos propõe transformar canais de irrigação e estações de tratamento em fontes descentralizadas de eletricidade renovável. O sistema aproveita a água em movimento sem exigir grandes barragens, reservatórios ou alterações profundas na infraestrutura existente.
A solução foi criada pela engenheira americana Emily Morris e pelo professor alemão Thorsten Stoesser. Em vez de represar rios, o projeto instala módulos diretamente em canais que já possuem fluxo contínuo.
Dessa maneira, a água movimenta pequenas turbinas e permite a geração de energia para instalações próximas. A operação, porém, não impede que o canal continue cumprindo sua função urbana ou agrícola.
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Veja também
Estrutura aumenta a velocidade da água antes de alcançar as turbinas
O centro da tecnologia é uma estrutura chamada Hydro-Transition Unit. O equipamento direciona e estreita a passagem da água antes que o fluxo alcance as turbinas.
Esse processo aumenta a velocidade da corrente e melhora o aproveitamento energético. Portanto, o sistema consegue operar mesmo em canais rasos ou com movimentação reduzida.
Os módulos utilizam pares de rotores Darrieus verticais e contrarrotativos, desenvolvidos para trabalhar diante de diferentes níveis de água. Durante a operação, o fluxo gira as turbinas e produz eletricidade renovável.
Segundo o Escritório Europeu de Patentes, cada módulo geralmente apresenta potência entre 5 kW e 25 kW. Novas unidades podem ser adicionadas conforme a necessidade energética de cada instalação.
A estrutura modular também facilita a manutenção. Os componentes podem ser retirados ou substituídos rapidamente, sem exigir o fechamento prolongado do canal.
Uso de canais existentes evita reservatórios e grandes obras civis
A principal diferença em relação às hidrelétricas convencionais está no aproveitamento de estruturas hídricas já construídas. Com isso, o projeto dispensa reservatórios e extensas intervenções civis.
A ausência de grandes barragens também evita alagamentos e deslocamentos de comunidades. Além disso, reduz impactos relacionados à ocupação de terras e à retirada de vegetação.
Canais agrícolas, redes urbanas e estações de tratamento podem receber os equipamentos. Dessa forma, a geração ocorre perto dos locais de consumo e acompanha a demanda regional.
O modelo também permite ampliar a capacidade gradualmente. Portanto, gestores não precisam instalar toda a estrutura de uma única vez.
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Caio Aviz
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Pesquisa iniciada em 2008 avançou dos laboratórios para canais reais
A origem do projeto remonta a 2008, quando Thorsten Stoesser começou a testar equipamentos hidrocinéticos no Instituto de Tecnologia da Geórgia. Naquele período, Emily Morris trabalhava com tecnologias de transmissão naval.
Assista o vídeo
Posteriormente, a engenheira identificou a possibilidade de aplicar conceitos semelhantes à geração hidrelétrica em águas rasas. Em 2014, ela fundou a empresa Emrgy, em Atlanta.
A companhia passou a combinar as pesquisas hidrodinâmicas de Stoesser com uma abordagem comercial, modular e expansível. Durante 2017, protótipos foram testados em uma estação de tratamento de Atlanta.
Ainda naquele ano, dez turbinas em escala real foram instaladas no South Boulder Canal, próximo de Denver. Os testes confirmaram o funcionamento do sistema em uma infraestrutura hídrica operacional.
Um estudo publicado em agosto de 2018 detalhou o desenvolvimento e os ensaios da turbina hidrocinética vertical. A pesquisa também registrou a evolução tecnológica alcançada pelos protótipos.
Inventores foram finalistas de prêmio europeu em 2026
Em 12 de maio de 2026, Morris e Stoesser foram anunciados como finalistas do European Inventor Award. A dupla concorreu na categoria Países Não Membros da EPO.
O reconhecimento destacou o uso de canais existentes para produzir energia limpa, contínua e descentralizada. Entretanto, os pesquisadores não venceram a categoria.
Em 2 de julho de 2026, o prêmio foi entregue aos inventores chineses Yu Haijun e Xie Yinghao. Ainda assim, a indicação ampliou a visibilidade internacional da tecnologia hidrelétrica modular.
Você acredita que sistemas hidrelétricos instalados em canais existentes podem ampliar a geração de energia limpa sem causar os impactos das grandes barragens?
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Energia Renovável
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

