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Engenheiro nigeriano transformou lixo em moradia ao encher 14,8 mil garrafas plásticas com areia, amarrar os gargalos e usá-las no lugar de tijolos para erguer uma casa de três quartos, cozinha e banheiro; depois repetiu o método em cerca de 15 lares que custaram apenas um terço de uma construção convencional
Escrito por Ana Alice
Publicado em 25/07/2026 às 22:45
Curiosidades
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Garrafas descartadas, areia compactada e técnicas de construção foram reunidas em um projeto nigeriano que transformou resíduos plásticos em paredes e levou o método a diferentes cidades ao longo de mais de uma década.
Garrafas recolhidas em hotéis, restaurantes, residências, terrenos e pontos de descarte ganharam uma função diferente em Kaduna, no norte da Nigéria.
Depois de preenchidas com areia compactada, elas foram colocadas horizontalmente, amarradas pelos gargalos e incorporadas às paredes de uma construção.
O projeto foi conduzido por Yahaya Ahmed e pela Developmental Association of Renewable Energies, conhecida pela sigla DARE.
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Uma das edificações mais divulgadas utilizou 14,8 mil garrafas plásticas e foi apresentada como uma casa com três ambientes, cozinha e banheiro, localizada na região de Sabon Yelwa, às margens da estrada entre Kaduna e Zaria.
A técnica continuou sendo aplicada depois do primeiro modelo.
Em entrevista publicada em junho de 2025, Ahmed afirmou que sua equipe havia participado da construção de até 15 casas e outras estruturas em cidades como Kaduna, Kano, Ibadan, Abuja e Port Harcourt.
O caso permanece relevante porque combina dois problemas persistentes: o descarte de plástico e o custo da habitação.
Um estudo da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial inclui a Nigéria entre os 20 países que, juntos, respondem por 83% do volume de resíduos plásticos terrestres que chega aos oceanos.
O percentual se refere ao conjunto das nações citadas, e não apenas à Nigéria.
Garrafas plásticas viraram unidades de construção
O processo começa com a coleta de recipientes de tamanhos semelhantes.
Antes de entrar na parede, cada garrafa precisa ser limpa, preenchida com areia peneirada e compactada até se transformar em uma peça rígida e pesada.
Pedras maiores são retiradas porque não passam pelo gargalo e podem impedir que o conteúdo seja distribuído de forma uniforme.
O enchimento é feito manualmente e foi descrito por Ahmed como a etapa mais demorada da construção.
Com as tampas fechadas, as garrafas são colocadas de lado, uma sobre a outra.
Os gargalos ficam conectados por uma rede de cordas, enquanto uma mistura de terra, areia e outros materiais ocupa os espaços e mantém as peças alinhadas.
Embora as garrafas assumam parte da função normalmente exercida pelos blocos, a construção não dispensa todos os materiais convencionais.
Ahmed informou que a fundação pode receber concreto e que o cimento volta a ser usado no revestimento, especialmente para proteger as paredes da chuva.
Essa diferença é importante: a casa não é feita apenas de plástico.
Fundação, cobertura, portas, janelas, instalações elétricas, encanamentos e acabamento continuam exigindo componentes próprios.
Casa com 14,8 mil garrafas chamou atenção em Kaduna
O imóvel mais conhecido fica na área de Sabon Yelwa, também identificada em algumas reportagens como Unguwar Yelwa.
A localização está próxima da rodovia Kaduna–Zaria, onde a DARE mantém suas atividades.
As paredes deixadas parcialmente aparentes exibem os fundos circulares das garrafas, criando um desenho que permite identificar o método construtivo.
Em outras partes, o revestimento esconde os recipientes e aproxima a aparência do imóvel daquela observada em construções convencionais.
As primeiras reportagens internacionais sobre casas de garrafas na região apareceram em novembro de 2011.
Naquele período, a DARE apresentava um plano para erguer 25 unidades de aluguel e uma escola no terreno onde o projeto havia começado.
A documentação daquele ano descrevia casas menores, com um quarto, sala, banheiro, sanitário e cozinha, que usariam cerca de 7,8 mil garrafas cada uma.
Já o imóvel associado ao total de 14,8 mil recipientes foi descrito posteriormente como uma construção com três cômodos, cozinha e banheiro.
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Método de construção foi aprendido com especialista estrangeiro
Ahmed declarou que conheceu a técnica durante uma passagem pela Alemanha.
Depois disso, organizações envolvidas no projeto teriam levado à Nigéria um profissional estrangeiro para treinar os primeiros grupos.
Relatos anteriores identificam o especialista como Andreas Froese, ligado a experiências de construção com garrafas em outros países.
Após o treinamento, a equipe começou a recolher recipientes em canais, fazendas, ruas e depósitos de resíduos.
Parte do trabalho também foi associada à capacitação de jovens.
Em entrevista de 2025, Ahmed estimou que aproximadamente 200 pessoas haviam participado de turmas promovidas pela organização, geralmente com até 50 integrantes.
A DARE não mantém esses trabalhadores empregados de forma permanente.
Segundo o diretor, os profissionais treinados são chamados quando surgem projetos ou buscam oportunidades por conta própria.
Uma das experiências posteriores ocorreu em Gana, onde Ahmed afirmou ter permanecido cerca de quatro meses e meio para treinar aproximadamente 15 pessoas.
O grupo teria construído estruturas de demonstração e aplicado o método em cercas.
Equipe afirma ter construído cerca de 15 casas
Ao atualizar o histórico em 2025, Ahmed declarou que a organização havia construído até 15 casas.
Entre os exemplos citados estão uma residência de três quartos em Ibadan, um duplex de cinco quartos em Abuja e projetos realizados em Kano e Port Harcourt.
A mesma entrevista menciona edificações que não eram moradias.
Em março de 2025, a equipe havia terminado um conjunto de quatro sanitários em uma escola comunitária de Kaduna, usando cerca de 8 mil garrafas.
O número de 15, portanto, deve ser tratado com cautela.
Embora Ahmed tenha usado a palavra “casas”, a relação apresentada durante a entrevista inclui banheiros públicos, pequenas instalações, espaços usados como escritório e outras estruturas.
Também não foram divulgados endereços, plantas, dimensões ou registros de aprovação de cada obra.
Isso impede confirmar se todas seguiram o mesmo sistema, tiveram uso residencial e permaneceram em funcionamento.
Ainda assim, a entrevista demonstra que a experiência de Kaduna não ficou restrita ao primeiro protótipo e que a equipe continuava recebendo consultas e executando projetos mais de uma década depois.
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Custo das casas depende da origem dos materiais
Ahmed estima que uma casa de garrafas possa custar cerca de um terço do valor necessário para construir uma unidade equivalente com tijolos ou blocos de concreto.
Em outra entrevista, afirmou que a redução pode ficar em pelo menos 50%, dependendo das condições do projeto.
A diferença entre essas estimativas mostra que não existe um percentual único comprovado para todas as obras.
O resultado varia conforme o preço das garrafas, da areia, da mão de obra, do transporte, da fundação e dos acabamentos.
Quando os recipientes são recolhidos gratuitamente e a terra retirada da própria fundação pode ser reutilizada, o custo das paredes tende a cair.
Por outro lado, a compra de milhares de garrafas e o trabalho necessário para preenchê-las podem reduzir a vantagem.
Em outubro de 2025, o jornal nigeriano BusinessDay voltou a apresentar a estimativa de aproximadamente 30% do custo de uma construção convencional.
O veículo ressaltou, porém, que o cálculo parte da avaliação dos construtores e não de uma comparação financeira auditada entre duas casas equivalentes.
Também não há um orçamento público completo para a residência com 14,8 mil garrafas.
Sem área construída, padrão de acabamento e preços detalhados, não é possível calcular quanto ela custaria atualmente.
Areia compactada transforma garrafa em peça pesada
Uma garrafa PET vazia é flexível e não teria rigidez suficiente para substituir sozinha um bloco.
O comportamento muda quando seu interior recebe areia compactada e a peça passa a trabalhar junto com a argamassa de terra, as amarrações e o revestimento.
Nesse conjunto, a parede não depende apenas da resistência do plástico.
O confinamento da areia, o alinhamento das garrafas e os materiais colocados ao redor delas participam do desempenho.
Pesquisas experimentais já analisaram painéis construídos com garrafas preenchidas.
Os resultados apontam potencial para determinadas aplicações, mas também mostram que resistência e modo de ruptura dependem da composição, do confinamento e do desenho do sistema.
Um artigo científico publicado em 2025 classificou a técnica como prova de conceito e afirmou que ainda são necessários estudos para aperfeiçoar o desempenho estrutural, a durabilidade e a aplicação em escala.
Por esse motivo, não basta copiar a aparência das paredes.
Projetos destinados à moradia precisam considerar fundação, cobertura, cargas, umidade, incêndio, estabilidade e as normas exigidas no local da construção.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

