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Enquanto alguns acreditam que a IA vai acabar com empregos, hotel japonês colocou dinossauros robóticos na recepção, espalhou 243 máquinas pelos quartos e corredores, mas precisou desligar mais da metade após hóspedes serem acordados pela tecnologia e os funcionários ganharem ainda mais trabalho

Enquanto alguns acreditam que a IA vai acabar com empregos, hotel japonês colocou dinossauros robóticos na recepção, espalhou 243 máquinas pelos quartos e corredores, mas precisou desligar mais da metade após hóspedes serem acordados pela tecnologia e os funcionários ganharem ainda mais trabalho

5 min de leitura

Enquanto alguns acreditam que a IA vai acabar com empregos, hotel japonês colocou dinossauros robóticos na recepção, espalhou 243 máquinas pelos quartos e corredores, mas precisou desligar mais da metade após hóspedes serem acordados pela tecnologia e os funcionários ganharem ainda mais trabalho

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 30/07/2026 às 22:30

Ciência e Tecnologia

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O Henn na Hotel apostou em robôs para receber hóspedes, transportar malas e atender quartos.

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O Henn na Hotel apostou em robôs para receber hóspedes, transportar malas e atender quartos. A promessa era reduzir custos e depender menos de funcionários, mas as falhas da automação hoteleira aumentaram o trabalho humano. Em 2019, mais da metade das 243 máquinas foi desligada.

Um dinossauro robótico atendia na recepção enquanto outras máquinas circulavam pelos corredores e prestavam serviços nos quartos. Para quem chegava ao hotel japonês Henn na Hotel, a impressão era de ter entrado em uma hospedagem do futuro.

A experiência tomou outro rumo quando os equipamentos começaram a apresentar limitações. Assistentes interrompiam o sono dos hóspedes, robôs de bagagem ficavam presos e funcionários precisavam abandonar outras tarefas para socorrer as máquinas.

A pesquisa foi publicada pela Information Technology & Tourism, revista científica sobre tecnologia aplicada ao turismo e hotelaria. O estudo registra que, em 2019, o empreendimento desligou mais da metade de seus 243 robôs porque parte deles criava trabalho adicional.

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O hotel que prometia funcionar com poucos funcionários

O Henn na Hotel foi criado com a proposta de usar a tecnologia em diferentes etapas da hospedagem. A recepção ganhou robôs em forma de dinossauro, enquanto outros equipamentos foram colocados nos quartos e nas áreas de circulação.

Um dinossauro robótico atendia na recepção enquanto outras máquinas circulavam pelos corredores e prestavam serviços nos quartos.

A automação hoteleira, nome usado para o emprego de máquinas e sistemas em serviços de hotéis, deveria reduzir custos e diminuir a necessidade de funcionários. As máquinas cuidariam de tarefas repetitivas e deixariam pouca intervenção para a equipe humana.

A proposta parecia simples enquanto os robôs seguiam o roteiro esperado. Quando surgia uma pergunta diferente, um problema no caminho ou uma necessidade específica do hóspede, uma pessoa precisava assumir o atendimento.

Inteligência artificial confundia roncos com comandos durante a noite

Os assistentes instalados nos quartos deveriam responder a pedidos e controlar algumas funções do ambiente. Porém, a tecnologia de voz nem sempre reconhecia corretamente os sons produzidos pelos hóspedes.

Em alguns casos, o sistema confundia roncos com comandos de voz e começava a responder durante a madrugada. A ferramenta criada para trazer comodidade acabava acordando quem tentava dormir.

Os assistentes também não conseguiam responder algumas perguntas simples sobre a hospedagem e os arredores. Sem uma solução oferecida pela máquina, o hóspede precisava procurar a equipe humana.

A falha revela uma diferença importante. Reconhecer uma frase programada é mais fácil do que entender contexto, intenção e necessidade. Uma conversa real pode mudar de direção rapidamente, algo que exige adaptação.

Robôs de bagagem ficavam presos pelos corredores

Outra parte do projeto envolvia máquinas destinadas ao transporte de malas. Elas deveriam receber a bagagem e levá-la até o quarto, poupando esforço dos hóspedes e reduzindo uma tarefa da equipe.

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Na prática, alguns equipamentos tinham dificuldade para circular. Eles podiam ficar presos nos corredores ou não conseguir concluir o trajeto, exigindo que funcionários fossem até o local resolver o problema.

O serviço automatizado, portanto, criava uma nova sequência de tarefas. Era necessário localizar a máquina, corrigir a falha e terminar o transporte que deveria ter sido feito sem ajuda.

O problema não estava apenas no funcionamento de um equipamento. Cada interrupção retirava um funcionário de outra atividade, reduzindo parte da economia de tempo esperada com a automação.

Quando automatizar cria mais trabalho para pessoas

Uma máquina pode reduzir trabalho quando executa sua função do início ao fim. Quando ela precisa de acompanhamento constante, o serviço apenas muda de formato e passa a incluir manutenção, supervisão e atendimento emergencial.

Foi isso que ocorreu com parte dos robôs do hotel japonês. Os funcionários continuavam cuidando dos hóspedes, mas também precisavam corrigir erros e atender chamados provocados pelas próprias máquinas.

Inteligência artificial confundia roncos com comandos durante a noite

A Information Technology & Tourism, revista científica sobre tecnologia aplicada ao turismo e hotelaria, identificou maior aceitação dos robôs em tarefas repetitivas, previsíveis e pouco variadas. Funções que exigem habilidades sociais permanecem mais adequadas aos profissionais humanos.

O caso mostra que o número de máquinas não garante eficiência. A tecnologia precisa ser escolhida para uma função que consiga realizar com segurança, sem transformar a equipe em suporte permanente da automação.

Tarefas simples tiveram resultados melhores no hotel

O Henn na Hotel não abandonou completamente os robôs. A retirada atingiu mais da metade dos 243 equipamentos, enquanto soluções consideradas úteis continuaram fazendo parte da operação.

Máquinas tendem a funcionar melhor quando encontram situações padronizadas. Nessas tarefas, as etapas são conhecidas, as opções são limitadas e há pouca necessidade de interpretar emoções ou pedidos inesperados.

O atendimento ao público é menos previsível. Cada hóspede pode apresentar uma dúvida, uma dificuldade ou uma necessidade diferente. Nesses momentos, conversa, adaptação e empatia se tornam partes essenciais do serviço.

A experiência japonesa não significa que robôs nunca funcionam em hotéis. Ela mostra que a automação precisa complementar o trabalho humano e ser aplicada em atividades compatíveis com os limites da tecnologia.

Ao desligar mais da metade de seus 243 robôs em 2019, o Henn na Hotel revelou que substituir pessoas por máquinas não reduz custos ou esforço quando os equipamentos exigem ajuda constante.

Você preferiria um hotel quase todo automatizado ou acredita que algumas partes da hospedagem sempre precisarão de atendimento humano? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a publicação.

Fonte

ncbi


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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