Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Enquanto o Afeganistão enfrentava falta de equipamentos na pandemia, cinco adolescentes lideradas por uma estudante de 17 anos reaproveitaram motor de Toyota Corolla, correntes de motocicleta e engrenagens para criar, em aproximadamente três meses, um protótipo de respirador que automatizava uma bolsa manual

Enquanto o Afeganistão enfrentava falta de equipamentos na pandemia, cinco adolescentes lideradas por uma estudante de 17 anos reaproveitaram motor de Toyota Corolla, correntes de motocicleta e engrenagens para criar, em aproximadamente três meses, um protótipo de respirador que automatizava uma bolsa manual

5 min de leitura

Enquanto o Afeganistão enfrentava falta de equipamentos na pandemia, cinco adolescentes lideradas por uma estudante de 17 anos reaproveitaram motor de Toyota Corolla, correntes de motocicleta e engrenagens para criar, em aproximadamente três meses, um protótipo de respirador que automatizava uma bolsa manual

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 28/07/2026 às 20:06

Automotivo

Cinco adolescentes afegãs transformaram peças de Toyota Corolla e motocicletas em um protótipo de respirador

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Em Herat, cinco adolescentes afegãs transformaram peças de Toyota Corolla e motocicletas em um protótipo de respirador com peças de carros usados, capaz de comprimir automaticamente uma bolsa de ventilação manual enquanto a pandemia expunha a falta de equipamentos médicos e as barreiras enfrentadas por meninas na educação técnica do Afeganistão

Em uma oficina de Herat cercada por motores, engrenagens e fios, cinco adolescentes afegãs passaram aproximadamente três meses transformando peças automotivas usadas em um protótipo de respirador. O grupo era liderado por Somaya Faruqi, estudante de 17 anos e responsável pela equipe.

No centro da montagem estava uma bolsa de ventilação manual, normalmente apertada pelas mãos de um profissional de saúde. O mecanismo criado pelas jovens repetia essa compressão automaticamente, mas continuava sendo um protótipo experimental, sem equivaler a um ventilador hospitalar certificado.

A informação foi publicada por UNICEF Afeganistão, escritório nacional do Fundo das Nações Unidas para a Infância. A entidade registrou que as cinco estudantes de Herat utilizaram peças de carros antigos para responder à falta de equipamentos durante a pandemia.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

A falta de equipamentos colocou Herat diante de um problema urgente

O Afeganistão enfrentava dificuldades para importar equipamentos e componentes médicos. A escassez reduzia as opções disponíveis para apoiar pacientes com problemas respiratórios e exigia soluções que pudessem ser montadas com materiais encontrados no próprio país.

O grupo era liderado por Somaya Faruqi, estudante de 17 anos e responsável pela equipe. / Reprodução: UNICEF

Uma bolsa manual poderia ajudar temporariamente uma pessoa a respirar, mas precisava ser apertada repetidas vezes por alguém treinado. Essa tarefa exige atenção constante e esforço contínuo, principalmente quando o atendimento se prolonga.

As adolescentes decidiram automatizar esse movimento. A função do protótipo de respirador era comprimir a bolsa em intervalos regulares e diminuir a dependência da força manual, sem prometer o mesmo desempenho de um aparelho utilizado em hospitais.

Como a bolsa manual ganhou um mecanismo automático

A bolsa de ressuscitação manual é um recipiente flexível que recupera o formato depois de ser apertado. Cada compressão empurra ar para a pessoa que não consegue respirar adequadamente sem ajuda.

No protótipo, o giro de um motor movimentava correntes e engrenagens. Essas peças transmitiam força para um mecanismo que pressionava a bolsa, criando uma sequência automática de compressões.

A dificuldade estava em controlar ritmo, pressão e volume de ar. Pessoas diferentes podem precisar de ajustes diferentes. Um movimento forte, fraco, rápido ou lento demais pode impedir que o sistema cumpra sua função com segurança.

A diferença entre protótipo e respirador hospitalar certificado

Fazer uma máquina apertar uma bolsa não a transforma automaticamente em ventilador hospitalar. Um equipamento certificado precisa controlar com precisão a pressão, o volume de ar e o ritmo da ventilação, além de avisar a equipe médica quando ocorre uma falha.

Essas peças transmitiam força para um mecanismo que pressionava a bolsa, criando uma sequência automática de compressões.

Antes do uso em pacientes, o aparelho precisa passar por testes de segurança, estabilidade e funcionamento contínuo. Também deve permitir limpeza adequada, apresentar respostas previsíveis e atender aos padrões exigidos pelas autoridades de saúde.

UNICEF Afeganistão, escritório nacional do Fundo das Nações Unidas para a Infância, registrou que o Ministério da Saúde Pública pediu pequenos ajustes antes da produção em escala. O aparelho permanecia como protótipo, sem autorização clínica comprovada ou registro de uso em pacientes.

Motor de Toyota Corolla e correntes de motocicleta moveram a montagem

Entre os componentes aproveitados estavam um motor retirado de um Toyota Corolla, peças do limpador do vidro dianteiro, uma caixa de engrenagens e correntes de motocicleta. A disponibilidade desses materiais facilitava a montagem dentro de Herat.

O motor fornecia movimento, enquanto correntes e engrenagens levavam essa força até o ponto de compressão. A estrutura mantinha a bolsa na posição correta para que o mecanismo pudesse apertar a bolsa de maneira repetida.

Sensores de pressão, calor e umidade ajudavam a observar o funcionamento. Mesmo com esses controles, a montagem ainda precisava demonstrar precisão e segurança antes de qualquer utilização médica.

Quem são as Afghan Dreamers e por que o projeto ganhou importância

As Afghan Dreamers, conhecidas como Sonhadoras Afegãs, formam uma equipe feminina de robótica de Herat. As cinco adolescentes participaram do projeto liderado por Somaya Faruqi, com apoio de Roya Mahboob, cofundadora da equipe.

Motor de Toyota Corolla e correntes de motocicleta moveram a montagem

O trabalho avançou sob restrições materiais, educacionais e logísticas. Além da dificuldade para conseguir componentes, meninas afegãs enfrentavam barreiras para entrar em áreas técnicas ocupadas principalmente por homens.

Somaya explicou que a ideia nasceu da necessidade urgente criada pela pandemia. A iniciativa mostrou o que jovens podem desenvolver quando recebem acesso à educação científica, orientação e espaço para colocar o conhecimento em prática.

Após aproximadamente três meses, as estudantes apresentaram um protótipo de respirador feito com peças usadas de automóveis. A montagem automatizava uma bolsa manual e respondia a uma escassez real, mas não podia ser tratada como equipamento médico aprovado.

Se cinco adolescentes criaram uma resposta com tão poucos recursos, quantas soluções perdemos ao afastar meninas da ciência? Comente e compartilhe.

Fonte

UNICEF Afeganistão


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

Sair da versão mobile