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Enquanto realizavam uma expedição científica havia 47 dias, dois pesquisadores encontraram um veleiro abandonado de quase 15 metros navegando sozinho, tentaram levá-lo por cerca de 1.287 quilômetros até Bermuda
Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 25/07/2026 às 22:54
Atualizado em 25/07/2026 às 23:01
Curiosidades
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Matt Rutherford e Nicole Trenholm encontraram o veleiro abandonado a 800 milhas de Bermudas, receberam 50 galões de diesel de um cargueiro e enfrentaram motores avariados, ventos contrários e danos no barco antes de encerrar a tentativa de resgate após cinco dias.
Um veleiro de quase 15 metros, vazio e aparentemente perdido no Atlântico Norte, transformou uma expedição científica em uma complicada operação de salvamento. A tentativa envolveu combustível fornecido por um cargueiro, motores avariados e cinco dias de reboque em alto-mar.
O episódio ocorreu em 22 de julho de 2013, quando o navegador norte-americano Matt Rutherford e a cientista ambiental Nicole Trenholm completavam 47 dias no mar a bordo do Ault, um veleiro de pesquisa com casco de aço e 42 pés.
A dupla trabalhava para o Ocean Research Project, organização dedicada à coleta de dados marítimos. Naquele dia, navegava pelo Giro do Mar dos Sargaços quando avistou uma embarcação maior, sem velas levantadas e aparentemente à deriva.
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Segundo o relato publicado pela revista marítima irlandesa Afloat, Rutherford e Trenholm mudaram de direção porque acreditaram que alguém poderia estar precisando de ajuda.
Matt Rutherford subiu sozinho no veleiro vazio
Depois de chamar pela tripulação e não receber resposta, Rutherford utilizou um pequeno caiaque para chegar à embarcação. O navegador subiu a bordo com receio de encontrar alguém sem vida, mas descobriu que o veleiro estava completamente vazio.
A embarcação era o Wolfhound, um Nautor Swan 48 ligado ao Royal Irish Yacht Club. Dentro dele, Rutherford encontrou informações que permitiram identificar o proprietário, Alan McGettigan, e a seguradora responsável pelo barco.
O Wolfhound estava aproximadamente 800 milhas — cerca de 1.287 quilômetros — a sudeste de Bermudas. A embarcação apresentava água no porão, cabos estruturais rompidos, vela principal danificada e problemas no mastro.
Rutherford retirou a água acumulada, amarrou o mastro com cabos disponíveis e recolheu a âncora que estava sendo arrastada. O objetivo passou a ser rebocar o veleiro de 48 pés até Bermudas usando o Ault, que tinha apenas 42 pés.
🤯Dude finds an ABANDONED SAILBOAT in the middle of the Atlantic Ocean.
He goes on board, hoping there won’t be any dead bodies.💀
Then he attempts to tow the boat back to land and runs out of fuel, asking a passing tanker for a fuel delivery. ⛽️
Eventually his own engine… pic.twitter.com/iqZbjNgDS9
— The Xplorer (@Xplorer_Report) July 25, 2026
Tripulação original havia sido resgatada meses antes
O mistério sobre o desaparecimento dos ocupantes já tinha uma explicação. O Wolfhound havia sido abandonado em fevereiro daquele mesmo ano, durante uma viagem entre Connecticut, nos Estados Unidos, e Bermudas.
O proprietário Alan McGettigan viajava com Declan Hayes, Morgan Crowe e Tom Mulligan. Durante a travessia, o veleiro enfrentou uma tempestade, perdeu energia elétrica e posteriormente ficou também sem o funcionamento do motor.
Diante das condições meteorológicas e das dificuldades para alcançar Bermudas, McGettigan acionou o sinalizador de emergência em 8 de fevereiro. Um avião da Guarda Costeira dos Estados Unidos localizou o grupo e coordenou a assistência.
Na manhã de 9 de fevereiro de 2013, os quatro navegadores foram retirados pelo cargueiro grego Tetien Trader, aproximadamente 70 milhas ao norte de Bermudas. Não houve mortes nem ferimentos graves, conforme a reconstituição detalhada do resgate publicada pela Afloat.
O Wolfhound se soltou dos cabos após o resgate e voltou a ficar à deriva. Ele não foi visto afundando e permaneceu navegando sozinho pelo Atlântico até ser encontrado meses depois pela expedição científica.
Cargueiro forneceu 50 galões de diesel
Rutherford e Trenholm não possuíam combustível suficiente para rebocar o Wolfhound por toda a distância. Eles conseguiram retirar apenas 12 galões de diesel do tanque da embarcação abandonada.
No dia seguinte, avistaram um navio mercante e solicitaram mais combustível. A tripulação do cargueiro concordou em fornecer 50 galões de diesel, entregues em recipientes enquanto o Ault navegava próximo ao casco do navio.
Algumas horas depois, porém, o motor do Ault começou a perder potência e parou. Rutherford trocou filtros, limpou o combustível e tentou repetidamente religar o sistema durante aproximadamente 36 horas, mas não conseguiu.
O navegador concluiu que o diesel recebido estava contaminado e havia danificado a bomba injetora. Essa explicação aparece em seu relato sobre o episódio, mas não há indicação de que o combustível tenha passado por uma análise técnica independente.
A avaria também foi registrada por publicações especializadas da época, como a Wave Train, que acompanhou a tentativa de levar o veleiro abandonado até Bermudas.
Reboque terminou depois de cinco dias
Sem o motor do Ault, Rutherford tentou ligar o motor do próprio Wolfhound, mas também não conseguiu. Restava utilizar as velas do barco de pesquisa para puxar a embarcação maior.
Os ventos fracos ou contrários, entretanto, empurravam os dois veleiros para longe de Bermudas. O cabo de reboque também se enrolou repetidamente no leme e em outros equipamentos, enquanto o Ault acumulava danos.
Depois de cinco dias de reboque, Rutherford e Trenholm decidiram cortar o cabo. O Wolfhound voltou a ficar sozinho no Atlântico, enquanto a dupla retomou sua própria viagem com o motor avariado.
Os pesquisadores ainda enfrentaram um longo período de calmaria antes de chegar a Bermudas. A história ganhou nova repercussão quando imagens antigas foram publicadas novamente em 2022, levando parte do público a acreditar que o encontro havia acontecido recentemente.
A Afloat esclareceu em janeiro de 2023 que o vídeo mostrava o episódio de 2013. O destino final do Wolfhound, depois de ser solto pela segunda vez, permanece desconhecido.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

