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Enquanto supermercados aceleravam filas e instalavam caixas automáticos, rede holandesa criou um caixa onde conversar virou parte do trabalho e anunciou levar o modelo a 200 lojas para combater a solidão

Enquanto supermercados aceleravam filas e instalavam caixas automáticos, rede holandesa criou um caixa onde conversar virou parte do trabalho e anunciou levar o modelo a 200 lojas para combater a solidão

5 min de leitura

Enquanto supermercados aceleravam filas e instalavam caixas automáticos, rede holandesa criou um caixa onde conversar virou parte do trabalho e anunciou levar o modelo a 200 lojas para combater a solidão

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 30/07/2026 às 22:18

Economia

Rede holandesa criou caixas para conversar, permitiu atendimento sem pressa e anunciou ampliar a experiência

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Rede holandesa criou caixas para conversar, permitiu atendimento sem pressa e anunciou ampliar a experiência para 200 lojas, mostrando que o contato humano também pode fazer parte do trabalho e ajudar pessoas que enfrentam a solidão.

Enquanto muitos supermercados investiam em filas rápidas e caixas automáticos, a rede holandesa Jumbo seguiu outro caminho. A empresa criou um caixa onde conversar com o cliente virou parte do trabalho, em vez de ser tratado como demora ou falta de produtividade.

A primeira experiência começou no verão de 2019, na cidade de Vlijmen, nos Países Baixos. As reações positivas levaram a rede a anunciar, em 27 de setembro de 2021, a ampliação do modelo para 200 lojas no prazo de um ano.

As informações foram divulgadas pela Jumbo, rede holandesa de supermercados responsável pela iniciativa. O atendimento foi pensado para clientes sem pressa que desejavam conversar durante o pagamento, com atenção especial às pessoas afetadas pela solidão.

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Uma fila rápida e outra onde ninguém precisa ter pressa

Em uma fila, o cliente registra os produtos, faz o pagamento e sai sem conversar com ninguém. Na outra, uma pessoa passa as compras enquanto conta como foi sua semana, fala sobre a família ou simplesmente troca algumas palavras com o atendente.

A empresa criou um caixa onde conversar com o cliente virou parte do trabalho. / Reprodução: Jumbo

Essa segunda opção recebeu o nome de Kletskassa, expressão holandesa que pode ser entendida como caixa de conversa. Nesse espaço, falar com o consumidor não representa uma interrupção no serviço.

O cliente escolhe a experiência que deseja. Quem está com pressa pode procurar uma fila mais rápida. Quem prefere um atendimento calmo encontra um profissional disposto a conversar durante o pagamento.

A ideia não obriga todas as pessoas a esperar mais. Ela apenas oferece uma alternativa para quem valoriza atenção, escuta e contato humano dentro do supermercado.

Conversar com o cliente virou parte oficial do trabalho

Operadores de caixa costumam trabalhar sob pressão para registrar produtos rapidamente e evitar filas. Nesse tipo de ambiente, uma conversa mais longa pode ser interpretada como perda de tempo ou queda de rendimento.

Nos caixas para conversar, a lógica muda. O funcionário continua registrando os produtos e recebendo o pagamento, mas também pode ouvir o cliente sem sentir que está descumprindo sua função.

A rede identificou profissionais interessados em trabalhar nesses espaços. O atendimento depende de pessoas dispostas a escutar e demonstrar interesse verdadeiro pelo que o consumidor deseja compartilhar.

Isso não transforma operadores de caixa em psicólogos ou profissionais responsáveis pela vida dos clientes. O que muda é a forma de medir o atendimento, pois a qualidade da interação passa a ter valor ao lado da velocidade.

Experiência iniciada em 2019 levou ao anúncio de 200 lojas

O primeiro caixa para conversar foi aberto no verão de 2019, em uma unidade localizada em Vlijmen. A experiência recebeu respostas positivas dos clientes e abriu espaço para uma ampliação nacional.

Em 2021, a Jumbo anunciou a meta de instalar o modelo em 200 lojas espalhadas pelos Países Baixos. O prazo apresentado era de um ano, contado a partir do início da expansão.

Experiência iniciada em 2019 levou ao anúncio de 200 lojas / Reprodução: Jumbo

A escolha das unidades levaria em conta regiões onde a solidão estivesse mais presente. Dessa forma, o serviço seria direcionado a comunidades nas quais uma conversa durante as compras poderia ter maior importância social.

A Jumbo, rede holandesa de supermercados responsável pela iniciativa, também mantinha espaços de conversa em algumas lojas. Nesses locais, clientes podiam tomar café e falar com pessoas da vizinhança.

Solidão entre idosos ajudou a orientar a iniciativa

Os caixas para conversar podem ser utilizados por qualquer cliente sem pressa. Entretanto, a preocupação com as pessoas idosas ocupou espaço importante na criação do serviço.

Para alguém que vive sozinho, uma ida ao supermercado pode representar um dos poucos momentos de interação pessoal ao longo do dia. O contato com o atendente, mesmo breve, pode quebrar uma rotina marcada pelo silêncio.

Uma conversa no caixa não substitui amigos, familiares ou acompanhamento profissional. Ainda assim, ser reconhecido e ouvido pode tornar a experiência de compra menos fria e solitária.

A rede participa da Coalizão Nacional contra a Solidão, grupo que reúne empresas, organizações sociais e instituições públicas nos Países Baixos. O trabalho procura estimular ações capazes de aproximar pessoas e fortalecer contatos dentro das comunidades.

Caixas automáticos mostram o contraste com o atendimento humano

Os caixas automáticos foram criados para acelerar pagamentos e permitir que o próprio consumidor registre suas compras. Para quem conhece a tecnologia e precisa economizar tempo, esse modelo pode facilitar a rotina.

Caixas automáticos mostram o contraste com o atendimento humano / Reprodução: Jumbo

A dificuldade aparece quando a automação reduz as opções de atendimento tradicional. Idosos e pessoas com pouca familiaridade com telas ou pagamentos digitais podem precisar de ajuda para concluir uma compra simples.

No Brasil, a presença crescente de terminais de autoatendimento torna essa discussão próxima da realidade dos consumidores. Quando os caixas tradicionais desaparecem, o cliente perde não apenas um atendente, mas também um ponto de contato humano.

A experiência holandesa mostra que automação e atendimento pessoal podem dividir o mesmo supermercado. Uma fila oferece rapidez, enquanto outra reserva tempo para quem precisa de orientação, atenção ou conversa.

Produtividade pode ser medida além do número de clientes

Um caixa rápido atende mais pessoas em menos tempo. Porém, essa conta não mostra tudo o que um profissional pode entregar durante o contato com o público.

Quando ouvir alguém faz parte do serviço, produtividade também pode envolver acolhimento, confiança e qualidade no atendimento. Esses resultados são menos fáceis de contar, mas podem ter valor para clientes e comunidades.

A iniciativa que começou em 2019 transformou uma tarefa comum em uma experiência social. Já o anúncio de levar o modelo a 200 lojas mostrou que uma conversa curta poderia ocupar espaço dentro de uma grande operação comercial.

Se um supermercado pode escolher entre atender mais pessoas rapidamente ou reservar tempo para ouvir quem se sente sozinho, qual dessas duas formas representa o atendimento mais eficiente para a sociedade? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe o conteúdo.

Fonte

Jumbo


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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