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Escavadeira abre estacionamento de mansão inglesa, passa sobre uma “pedra” e revela o rosto de uma estátua romana de 1.800 anos; duas semanas depois, o busto aparece enterrado a poucos metros
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 28/07/2026 às 16:47
Atualizado em 28/07/2026 às 17:20
Curiosidades
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Obra para ampliar o estacionamento de uma mansão histórica inglesa revelou uma escultura romana enterrada no terreno, iniciando uma sequência de descobertas, restauração especializada e dúvidas sobre o caminho percorrido pela peça até desaparecer sob o solo por um período desconhecido.
Uma obra destinada a ampliar o estacionamento de uma mansão histórica inglesa terminou com a descoberta inesperada de uma escultura romana enterrada no terreno, iniciando uma sequência de acontecimentos que transformou um serviço rotineiro em um achado histórico.
Durante a movimentação de terra, o operador Greg Crawley percebeu que a caçamba da escavadeira havia passado sobre uma pedra grande e clara, mas o objeto mudou de aparência ao virar no solo e revelou um rosto esculpido em mármore.
Identificada como a cabeça de uma mulher produzida no período romano, a peça foi datada por especialistas entre os séculos I e II, segundo a Burghley House, o que indica uma idade aproximada de 1.800 anos.
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Escavadeira revela estátua romana sob estacionamento
Próximo da conclusão da obra, Crawley notou um material pálido misturado à terra removida e interrompeu o serviço para examiná-lo, descobrindo que não se tratava de uma rocha comum, mas da cabeça trabalhada de uma antiga estátua de mármore.
Duas semanas depois, a descoberta ganhou um novo capítulo quando trabalhadores encontraram, a poucos metros do primeiro ponto, o busto ao qual a cabeça podia ser ligada, revelando que as duas partes haviam permanecido separadas sob o terreno.
Levadas imediatamente ao curador da Burghley House, as peças passaram por procedimentos de preservação e análise, enquanto especialistas começaram a investigar a origem do conjunto e as circunstâncias que poderiam explicar sua presença na área externa da propriedade.
Restauração recupera detalhes da escultura de 1.800 anos
Depois da retirada do solo, a cabeça e o busto foram encaminhados a um conservador profissional, responsável pela limpeza, estabilização e remontagem do material, trabalho que permitiu recuperar os traços da figura feminina e observar detalhes antes ocultos.
Entre os elementos revelados pela restauração, chamou atenção um pino de ferro acrescentado à cabeça em época posterior à produção romana, componente que permitia encaixar a parte antiga em um busto ou pedestal preparado para exposição.
Segundo a Burghley House, adaptações desse tipo eram comuns entre negociantes de antiguidades na Itália no fim do século XVIII, quando fragmentos antigos recebiam novos suportes para atrair aristocratas interessados em esculturas, pinturas e objetos ligados ao mundo clássico.
Grand Tour levou antiguidades italianas a mansões inglesas
Esse mercado estava associado ao chamado Grand Tour, roteiro cultural realizado por integrantes das elites europeias, que visitavam cidades italianas, conheciam ruínas antigas e adquiriam peças destinadas a decorar residências e ampliar coleções privadas de arte.
Nesse contexto, a Burghley House reuniu parte importante de seu acervo, formado por obras e antiguidades compradas por antigos proprietários durante viagens pelo continente europeu, especialmente em períodos de intensa circulação comercial de objetos clássicos.
Registros da propriedade mostram que Brownlow Cecil, nono conde de Exeter, realizou duas viagens à Itália na década de 1760 e comprou diversas antiguidades, fato que liga a presença da escultura ao processo de formação histórica da coleção.
Mistério envolve o enterro da escultura romana
Embora essa conexão ajude a explicar como uma peça romana chegou à mansão, não existem registros conhecidos sobre o momento em que ela deixou os ambientes internos, foi separada em duas partes e acabou enterrada na área externa.
A própria Burghley House informou que o percurso da cabeça e do busto até o subsolo permanece desconhecido, mantendo sem resposta a principal questão sobre a trajetória da escultura dentro da propriedade ao longo dos séculos.
Mármore preservou o rosto feminino da estátua
Mesmo após permanecer enterrado por um período indeterminado, o mármore preservou os principais elementos visuais da figura, permitindo aos especialistas identificar o rosto feminino, remover o solo acumulado e estabilizar a superfície para reduzir riscos de deterioração.
Outro aspecto que tornou o caso incomum foi a localização, já que o objeto não apareceu em uma escavação arqueológica planejada, mas durante uma intervenção moderna destinada apenas a ampliar a estrutura de estacionamento da propriedade.
Sob uma área preparada para receber veículos, estava escondida uma obra produzida muitos séculos antes da construção da própria mansão, contraste que reforçou o impacto visual e histórico da descoberta realizada por acaso durante o serviço.
Coleção da Burghley House explica a presença da peça
Ligada a uma extensa coleção de arte, mobiliário e objetos europeus, a Burghley House preserva peças adquiridas em diferentes viagens e períodos, incluindo esculturas e antiguidades italianas que ajudam a contextualizar a presença do busto no terreno.
Esse acervo, contudo, não transforma o estacionamento em um sítio arqueológico romano, pois a escultura chegou à propriedade séculos depois de sua produção e passou por alterações destinadas a adaptá-la ao mercado europeu de antiguidades.
A diferença entre as fases do objeto é essencial para compreender o achado: a cabeça pertence ao período romano, enquanto o pino utilizado para conectá-la a um busto foi acrescentado muito mais tarde, durante a circulação comercial dessas peças.
Busto restaurado passou a integrar exposição da mansão
Concluído o trabalho de conservação, cabeça e busto foram reunidos na forma em que haviam sido adaptados, e o caso também foi comunicado ao Museu Britânico, responsável por manter um banco de dados de descobertas dessa natureza.
Sob os cuidados da Burghley House, a escultura restaurada passou a integrar a exposição da propriedade e foi instalada na chamada Escadaria do Inferno, ambiente que reúne outras peças associadas às aquisições do nono conde de Exeter.
Retirado de montes de terra por uma escavadeira, o objeto voltou a ocupar uma posição de destaque na coleção histórica, enquanto sua descoberta reuniu máquina pesada, identificação inesperada e o reencontro das duas partes após séculos de separação.
Sem documentos que esclareçam o enterro, a escultura ainda preserva o maior mistério de sua trajetória dentro da propriedade: quem colocou a estátua romana sob o terreno da mansão, em que momento isso ocorreu e por qual motivo?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

