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Escavando a 4,5 metros sob uma avenida de Los Angeles, operários pararam a obra do metrô ao encontrar presas, dentes de mastodonte e o crânio de um mamute jovem preservados desde a última Era do Gelo
Escrito por Geovane Souza
Publicado em 27/07/2026 às 09:27
Curiosidades
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A escavação da estação Wilshire/La Brea revelou restos de dois parentes extintos dos elefantes, preservados sob uma das áreas mais movimentadas da cidade. O material, retirado com blocos de gesso, mostrou que o subsolo de Los Angeles ainda guarda animais que viveram na região durante a última Era do Gelo.
No fim de novembro de 2016, equipes que escavavam a futura estação Wilshire/La Brea, em Los Angeles, encontraram uma presa fragmentada e partes de um grande dente a aproximadamente 4,5 metros abaixo da rua. A análise inicial apontou que o dente pertencia a um mastodonte adulto que viveu na região há milhares de anos.
O trabalho fazia parte da extensão da então chamada Purple Line, atual Linha D do metrô. A descoberta levou à interrupção imediata da escavação naquele ponto, permitindo que especialistas retirassem o material sem danificar as peças ou comprometer a segurança dos trabalhadores.
Pouco depois, um monitor paleontológico que acompanhava a obra localizou outro conjunto de fósseis nas proximidades. Desta vez, o solo escondia parte de um crânio acompanhada por duas pequenas presas, levantando dúvidas sobre a espécie e a idade do animal.
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Naquele momento, os cientistas ainda não sabiam se o segundo achado era de outro mastodonte ou de um mamute jovem. A resposta surgiu após a limpeza e o estudo do crânio, que acabou identificado como pertencente a um mamute-colombiano juvenil.
O primeiro sinal apareceu entre os dentes e os fragmentos de uma presa
A equipe encontrou inicialmente um trecho de presa com cerca de 90 centímetros e fragmentos de um molar. O formato das elevações presentes no dente permitiu associar o material a um mastodonte adulto, animal adaptado a triturar folhas, galhos e outras plantas encontradas em ambientes arborizados.
Segundo informações divulgadas pela paleontóloga e geóloga Kim Scott, da empresa Cogstone Resource Management, os fósseis poderiam ter entre 10 mil e 15 mil anos. A especialista confirmou que o dente maior era de um mastodonte adulto e participou do trabalho de estabilização das peças.
Encontrar os fragmentos não significava simplesmente retirá-los da terra e colocá-los em uma caixa. Fósseis que passaram milhares de anos comprimidos por sedimentos podem se partir ao entrar em contato com ferramentas, vibrações ou mudanças bruscas de umidade.
O segundo animal ganhou um nome depois de chegar ao laboratório
Para remover o crânio sem separar os ossos, os paleontólogos recobriram a peça com faixas e gesso, formando uma proteção rígida semelhante às utilizadas em fraturas humanas. O bloco foi levado para um laboratório, onde a terra poderia ser retirada lentamente, com instrumentos menores e sob condições controladas.
O estudo revelou que o animal era um mamute-colombiano jovem, posteriormente apelidado de Hayden. De acordo com o Museu de História Natural de Los Angeles, o exemplar ainda conservava dentes de leite e presas pequenas, características que ajudaram a determinar sua idade aproximada.
Hayden também apresentava uma aparência diferente dos fósseis retirados diretamente dos poços de asfalto de La Brea. Seus ossos não tinham a coloração marrom escura comum entre animais que ficaram impregnados pelo asfalto natural.
A preservação de grande parte do crânio tornou o achado um dos materiais mais raros recuperados durante a expansão do metrô. Ao longo das obras da linha, paleontólogos registraram mais de 500 fósseis, incluindo restos de mamutes, bisões e preguiças-gigantes.
A localização da estação já indicava o que poderia surgir do solo
A estação foi construída perto do La Brea Tar Pits, um conjunto de afloramentos naturais de asfalto conhecido pela quantidade de animais preservados desde o Pleistoceno. Durante milhares de anos, mamutes, mastodontes, lobos pré-históricos, felinos-dentes-de-sabre e outros animais ficaram presos nesses depósitos.
O Museu de História Natural do Condado de Los Angeles descreve o local como uma área urbana de escavação paleontológica ainda ativa. Os fósseis encontrados ali ajudam a reconstruir os ambientes que existiram na Bacia de Los Angeles entre aproximadamente 50 mil e 10 mil anos atrás.
Antes mesmo do crânio de Hayden aparecer, sondagens feitas em 2014 para a construção da linha já haviam revelado uma camada muito mais antiga. A cerca de 18 a 24 metros de profundidade, pesquisadores encontraram moluscos, ouriços, caranguejos e outros animais marinhos que viveram entre 120 mil e 300 mil anos atrás, quando o litoral alcançava uma área hoje ocupada pelo centro urbano.
As previsões de novos achados se confirmaram. Em abril de 2017, escavações na mesma região revelaram um osso de camelo e um fêmur de aproximadamente 90 centímetros atribuído a um mamute ou mastodonte.
Os dentes explicam a diferença entre mamutes e mastodontes
Embora fossem parentes dos elefantes modernos, mamutes e mastodontes pertenciam a grupos distintos. Os mamutes tinham molares largos, formados por várias lâminas paralelas, adequados para moer gramíneas e vegetação mais abrasiva encontrada em áreas abertas.
Os mastodontes apresentavam dentes com pontas elevadas e separadas, capazes de esmagar folhas, cascas e pequenos galhos. O formato dos molares é uma das características mais seguras para diferenciar os dois animais quando os cientistas encontram apenas partes do esqueleto.
As duas linhagens desapareceram da América do Norte no fim do Pleistoceno. Mudanças no clima, redução dos habitats e pressão da caça humana são estudadas como fatores que podem ter contribuído, de forma combinada, para a extinção dessas grandes espécies.
A estação começou a receber passageiros quase dez anos depois do achado
O local onde os fósseis foram descobertos deixou de ser apenas um grande canteiro subterrâneo. A primeira etapa da extensão da Linha D foi inaugurada em 8 de maio de 2026, com as novas estações Wilshire/La Brea, Wilshire/Fairfax e Wilshire/La Cienega.
A seção acrescentou aproximadamente 6,3 quilômetros à rede e levou o metrô para bairros atendidos anteriormente apenas por ônibus. Sob uma das plataformas usadas diariamente pelos passageiros, permanecem as camadas de sedimentos onde mastodontes, mamutes e camelos caminharam milhares de anos antes da formação de Los Angeles.
O achado mostra como grandes projetos urbanos podem abrir áreas que raramente seriam alcançadas por escavações científicas convencionais. A presença de monitores paleontológicos permitiu que os fósseis fossem recuperados sem impedir que a estação fosse concluída e incorporada ao sistema de transporte.
Você acredita que obras de metrô, estradas e edifícios deveriam reservar mais recursos para pesquisas arqueológicas e paleontológicas? Deixe sua opinião nos comentários e conte se alguma construção na sua região já revelou objetos antigos, fósseis ou estruturas escondidas no subsolo.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

