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Escola rural da Índia de 5,1 mil metros quadrados alterna tijolos vermelhos com peças cinzentas feitas de resíduo industrial, abre as paredes para expulsar o ar quente e transforma uma técnica antiga em solução para salas mais frescas
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 27/07/2026 às 22:24
Construção, Indústria
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Arquitetura sustentável na Índia reúne tijolos de cinza volante, paredes abertas acima das portas, terracota, jardins e corredores de vento para reduzir o abafamento, melhorar a ventilação natural e criar salas mais frescas em uma escola rural de 5,1 mil metros quadrados.
As faixas vermelhas e cinzentas que cobrem a Rane Vidyalaya parecem formar apenas um desenho decorativo. Porém, as cores revelam materiais diferentes, pois a escola rural da Índia mistura tijolos produzidos em olarias locais com peças cinzentas feitas a partir de resíduo industrial.
O prédio também usa as próprias paredes para enfrentar o calor. A parte superior permanece aberta por meio de janelas operáveis, permitindo que o ar quente suba e encontre uma saída, enquanto novas correntes de ar atravessam as salas.
A escola fica em Theerampalayam, perto de Tiruchirappalli, no estado de Tamil Nadu, e possui cerca de 5,1 mil metros quadrados. Shanmugam Associates, escritório de arquitetura responsável pelo projeto, apresenta a construção como uma obra concluída em 2018.
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Tijolos vermelhos e cinzentos revelam a origem dos materiais
Os tijolos vermelhos vieram de olarias da região. Eles foram intercalados com tijolos cinzentos de cinza volante, produzindo faixas visíveis nas paredes internas e externas da escola.
Essa combinação cria uma identidade marcante sem esconder a superfície sob camadas de acabamento. A diferença de cor permite que o visitante perceba a presença de dois materiais e entenda que as paredes fazem parte da proposta ambiental e arquitetônica.
As peças cinzentas são apresentadas como tijolos feitos com cinza volante reaproveitada de resíduo industrial ligado ao cimento. Já os tijolos vermelhos mantêm a relação da escola com métodos de construção encontrados na própria região.
O desenho, portanto, não surgiu apenas para deixar a fachada mais atraente. As faixas mostram como materiais locais e resíduos industriais controlados podem ocupar a mesma parede e formar uma linguagem visual fácil de reconhecer.
Cinza volante pode virar tijolo, mas não é qualquer tipo de cinza
A cinza volante é um pó muito fino gerado em processos industriais de queima. Em vez de ser descartado, esse material pode entrar na fabricação de cimento, concreto, blocos e tijolos, desde que passe por preparação e controle adequados.
Na Rane Vidyalaya, a cinza volante aparece nos tijolos cinzentos intercalados com os tijolos vermelhos. O material reciclado não foi despejado diretamente nas paredes, mas incorporado a peças produzidas para uso na construção.
Esse ponto evita uma interpretação perigosa. Cinzas industriais podem apresentar composições diferentes, dependendo da matéria que foi queimada, da temperatura e do processo que gerou o resíduo.
Por isso, não é seguro usar qualquer cinza em casas, escolas ou outras construções. O material precisa ser identificado, analisado e transformado por fabricantes capazes de controlar resistência, absorção de água e composição.
Técnica de templo do século VI inspirou as paredes da escola
A alternância de materiais recupera uma técnica observada no templo de Thiruvellarai, construção do século VI localizada na mesma região da Índia. Casas antigas com cerca de 50 anos também ajudaram a orientar o desenho.
Essas construções apresentavam paredes formadas por camadas. Pedras maiores ocupavam a base, enquanto materiais menores, tijolos, barro e placas eram colocados nas partes superiores.
A escola adaptou essa lógica para uma construção atual. No lugar de repetir todos os materiais antigos, os arquitetos combinaram tijolos vermelhos locais e tijolos cinzentos de cinza volante.
A referência histórica não transformou a escola em uma cópia de um templo. Ela serviu como ponto de partida para organizar materiais disponíveis, criar uma fachada própria e aproximar o prédio da arquitetura de Tamil Nadu.
Paredes abertas no alto ajudam a expulsar o ar quente
O ar aquecido dentro de uma sala tende a subir. Quando encontra um teto fechado e nenhuma saída superior, ele permanece acumulado, aumentando a sensação de abafamento.
Para evitar esse problema, as paredes da Rane Vidyalaya terminam na altura das vergas. A verga é a parte horizontal que fica acima de portas e janelas e sustenta a parede localizada sobre essas aberturas.
Acima dessa altura, o projeto instalou janelas que podem ser abertas. O ar quente sobe, atravessa essas aberturas e sai, enquanto o ar externo entra por outros pontos da sala.
Shanmugam Associates, escritório de arquitetura responsável pelo projeto, detalhou que essa solução aumenta a ventilação cruzada, nome dado à circulação criada quando o ar entra por um lado e sai pelo outro.
A escola não depende de uma única janela para ventilar as salas. A circulação foi pensada em diferentes alturas e direções, criando caminhos contínuos para o ar atravessar o prédio.
Terracota filtra o sol sem bloquear a circulação do ar
Algumas áreas receberam elementos vazados de terracota, material produzido a partir de argila queimada. Essas peças funcionam como uma camada de proteção diante das aberturas.
Os pequenos espaços deixam o vento passar, mas reduzem a entrada direta da luz solar mais forte. Assim, os ambientes recebem claridade, sombra e ventilação natural ao mesmo tempo.
Essas peças vazadas também criam desenhos de luz e sombra no interior da escola. O efeito muda ao longo do dia, acompanhando a posição do sol e alterando a aparência dos corredores e áreas coletivas.
A terracota não trabalha sozinha. Ela faz parte de um conjunto que inclui paredes abertas, tijolos aparentes, pátios e aberturas posicionadas nas direções predominantes do vento.
Jardins, pátios e corredores criam caminhos para o vento
As salas destinadas às crianças menores possuem jardins individuais. Esses espaços ajudam a integrar o interior das salas com as áreas externas e reduzem a sensação de confinamento.
Entre algumas salas, foram criadas passagens que funcionam como corredores de vento. O ar encontra espaços para entrar, atravessar o prédio e sair, em vez de permanecer preso em corredores fechados.
As principais aberturas acompanham as direções sudeste e noroeste. Passagens menores também foram posicionadas no sentido leste e oeste, formando rotas adicionais para a circulação natural.
No centro da escola existe um pátio coberto com entradas de luz no teto. O espaço foi planejado para intervalos, reuniões escolares, exposições, treinamentos e encontros menores.
Além de reunir alunos e professores, o pátio permanece ligado visualmente aos diferentes níveis do prédio. Essa disposição ajuda a criar áreas abertas, iluminadas e conectadas, sem eliminar a proteção necessária contra o sol.
Escola sustentável não depende de apenas um material
Os tijolos feitos com resíduo industrial são a parte mais visível do projeto, mas não explicam sozinhos o conforto das salas. O resultado depende da combinação entre materiais, posição das aberturas, sombra, jardins e direção dos ventos.
Uma parede feita com cinza volante não expulsa o calor por conta própria. Quem realiza essa função são as aberturas superiores e a ventilação cruzada, apoiadas pelos corredores de vento e pelos elementos vazados.
Da mesma forma, o uso de um resíduo industrial não torna qualquer obra automaticamente sustentável. A origem do material, a distância de transporte, a segurança da composição e a durabilidade precisam fazer parte da avaliação.
Na Rane Vidyalaya, a arquitetura sustentável aparece como um sistema integrado. Cada elemento possui uma função prática e, ao mesmo tempo, contribui para a identidade visual da escola.
A construção mostra como técnicas antigas podem orientar soluções atuais sem abandonar segurança, conforto e simplicidade. Tijolos de cinza volante, paredes abertas e ventilação natural trabalham juntos para reduzir o abafamento em uma região de clima quente.
Uma escola que usa o próprio desenho para controlar o calor pode oferecer mais conforto sem depender apenas de máquinas, mas essa solução funcionaria também nas escolas públicas das regiões mais quentes do Brasil?
Fonte
Shanmugam Associates
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

