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Escondido sob a areia perto de Copenhague por cerca de 600 anos, navio mercante medieval de 28 metros reaparece com cordames, cozinha de tijolos, objetos pessoais e capacidade para 300 toneladas

Escondido sob a areia perto de Copenhague por cerca de 600 anos, navio mercante medieval de 28 metros reaparece com cordames, cozinha de tijolos, objetos pessoais e capacidade para 300 toneladas

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Escondido sob a areia perto de Copenhague por cerca de 600 anos, navio mercante medieval de 28 metros reaparece com cordames, cozinha de tijolos, objetos pessoais e capacidade para 300 toneladas

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 23/07/2026 às 18:18

Marítimo

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Pesquisas para a ilha artificial de Lynetteholm localizaram o maior navio mercante medieval do tipo cog já encontrado.

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Pesquisas para a ilha artificial de Lynetteholm localizaram o Svælget 2, maior navio mercante medieval do tipo cog já encontrado, uma embarcação construída por volta de 1410, preservada com cordames, cozinha de tijolos e objetos da tripulação a 13 metros de profundidade perto de Copenhague.

Escondido sob a areia por cerca de 600 anos, um navio mercante medieval de 28 metros foi encontrado durante pesquisas no fundo do mar ligadas ao projeto da ilha artificial de Lynetteholm, perto de Copenhague. A embarcação possuía capacidade estimada para 300 toneladas.

O naufrágio medieval estava a 13 metros de profundidade no estreito de Øresund, faixa de mar entre a Dinamarca e a Suécia. O navio foi construído por volta de 1410 e recebeu o nome Svælget 2 por causa do canal onde apareceu.

A descoberta foi divulgada em 22 de dezembro de 2025 pelo Viking Ship Museum, museu dinamarquês de arqueologia e história marítima. O estado de conservação revelou detalhes raramente encontrados em embarcações desse período.

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Navio mercante medieval tinha 28 metros e capacidade para 300 toneladas

O Svælget 2 media aproximadamente 28 metros de comprimento, 9 metros de largura e 6 metros de altura. Suas dimensões fizeram dele o maior navio do tipo cog já identificado pela arqueologia.

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Cog era um tipo de navio mercante usado durante a Idade Média. O casco largo reservava grande parte do espaço para mercadorias, enquanto o mastro, a vela e o conjunto de cordas permitiam conduzir a embarcação.

Sua capacidade estimada de 300 toneladas pode ser comparada à carga reunida de vários caminhões modernos. O número exato de veículos mudaria com o modelo, o tamanho e o limite permitido para cada caminhão.

O dado não representa a carga encontrada no naufrágio. Trata se da quantidade máxima que o navio poderia transportar quando estivesse completamente carregado.

Pequena tripulação conseguia movimentar centenas de toneladas

Mesmo com grande quantidade de mercadorias, o cog podia navegar com uma tripulação relativamente pequena. Isso deixava mais espaço para a carga e reduzia o número de pessoas necessárias em cada viagem.

As cordas encontradas no naufrágio formavam o cordame. Esse sistema ajudava a controlar a vela, sustentar o mastro e manter a carga protegida durante a navegação.

Grandes embarcações desse tipo saíam da região dos atuais Países Baixos, contornavam Skagen e passavam por Øresund até chegar às cidades comerciais do Mar Báltico. A rota conectava diferentes partes do norte da Europa.

A capacidade para transportar grandes volumes permitia levar produtos cotidianos por longas distâncias. Sal, madeira, tijolos e alimentos básicos estão entre os exemplos de cargas volumosas transportadas pelos cogs, embora a mercadoria do Svælget 2 não tenha sido identificada.

Madeira da atual Polônia foi levada até os Países Baixos

A origem da madeira foi identificada pela dendrocronologia. Esse método compara os anéis formados no tronco das árvores para descobrir quando elas cresceram e de qual região vieram.

As tábuas externas do navio foram produzidas com carvalho da Pomerânia, região pertencente à atual Polônia. As estruturas internas que formavam as costelas do casco vieram dos Países Baixos.

O Viking Ship Museum, museu dinamarquês de arqueologia e história marítima, identificou que o navio foi construído nos Países Baixos por volta de 1410. A madeira pesada utilizada nas tábuas foi transportada da Pomerânia até o local da construção.

O processo mostra uma cadeia internacional de fornecimento em plena Idade Média. Construir um navio mercante desse tamanho exigia materiais de diferentes regiões, profissionais especializados e uma estrutura comercial capaz de transportar grandes volumes de madeira.

Areia preservou cordames e estruturas superiores do navio

A profundidade e a camada de areia protegeram o Svælget 2 das forças que costumam destruir naufrágios próximos da costa. O lado direito do casco permaneceu preservado desde a parte mais baixa até a borda superior.

Cog era um tipo de navio mercante usado durante a Idade Média.

Os arqueólogos também encontraram componentes do cordame. Essas peças dificilmente sobrevivem por tantos séculos, pois normalmente são destruídas pela água, por animais marinhos ou pelo movimento do fundo do mar.

Outra descoberta foi uma estrutura elevada de madeira na parte traseira do navio. Desenhos medievais mostravam plataformas semelhantes nos cogs, mas ainda faltava uma prova física segura de como elas eram construídas.

A plataforma possuía um espaço coberto onde a tripulação podia buscar abrigo. Não era uma cabine confortável no sentido moderno, mas oferecia proteção contra chuva, vento e água durante as viagens.

Cozinha feita com 200 tijolos permitia refeições quentes no mar

Uma cozinha construída com cerca de 200 tijolos e 15 telhas apareceu entre os restos da embarcação. Ela representa o exemplo mais antigo desse tipo encontrado em um navio medieval nas águas dinamarquesas.

O espaço permitia preparar alimentos sobre o fogo durante a viagem. Próximo da cozinha estavam panelas de bronze, tigelas de cerâmica e restos de peixe e carne.

Os arqueólogos também recuperaram pratos de madeira pintados, sapatos, pentes e contas de rosário. Os objetos mostram como os marinheiros transportavam hábitos da vida em terra para dentro do navio.

O pente estava ligado aos cuidados pessoais, enquanto o rosário fazia parte da prática religiosa. Panelas, tigelas e restos de alimentos revelam como a pequena tripulação organizava as refeições durante trajetos longos.

Carga desapareceu, mas função comercial ficou evidente

Nenhum vestígio da carga principal permaneceu dentro do Svælget 2. Como o porão não possuía cobertura completa, barris, tecidos ou feixes de madeira poderiam ter saído da embarcação durante o naufrágio.

Também não apareceram sinais de uso militar ou de combate. A estrutura, o tamanho e a capacidade identificam o Svælget 2 como um grande navio mercante medieval.

A escavação foi financiada pela By & Havn, companhia ligada ao desenvolvimento urbano e portuário de Copenhague, dentro dos trabalhos relacionados a Lynetteholm. Quando a descoberta foi divulgada, as peças estavam em conservação no Museu Nacional, em Brede.

Descoberta liga uma ilha artificial ao comércio de 600 anos atrás

O que começou como uma investigação para um projeto moderno revelou uma embarcação construída por volta de 1410. O navio de 28 metros comprova que construtores medievais produziam cargueiros capazes de transportar até 300 toneladas com uma tripulação pequena.

Cordames, estruturas superiores, uma cozinha de tijolos e objetos pessoais transformaram o naufrágio em um retrato da vida no mar. O Svælget 2 ajuda a explicar como tecnologia, comércio e organização permitiram movimentar grandes cargas pelo norte da Europa.

Se um navio de madeira já transportava 300 toneladas com poucos tripulantes há cerca de 600 anos, até onde a engenharia naval medieval poderia ter chegado? Comente e compartilhe.

Fonte

Viking Ship Museum


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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