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Estudante brasileiro viu a avó perder os movimentos após um AVC, passou quatro anos criando um exoesqueleto com quatro motores e trocou o plástico por alumínio para fazê-la voltar a andar, mas ela morreu antes de conhecer a invenção do neto
Escrito por Ana Alice
Publicado em 23/07/2026 às 15:06
Curiosidades
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Uma experiência familiar levou um estudante de Engenharia Elétrica a transformar conhecimentos acadêmicos em um exoesqueleto experimental, reunindo impressão 3D, alumínio, motores e controle digital em uma tentativa de ampliar mobilidade e apoiar processos de reabilitação.
A perda de movimentos enfrentada pela avó após um acidente vascular cerebral levou o brasiliense Matheus Soares Nascimento a idealizar um exoesqueleto para membros inferiores.
O projeto saiu do papel em 2022, como Trabalho de Conclusão do Curso de Engenharia Elétrica do Centro Universitário de Brasília, o CEUB.
A primeira versão foi produzida com peças impressas em 3D, mas a estrutura suportava apenas cerca de dois quilos.
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Para aumentar a resistência, o estudante substituiu parte dos componentes plásticos por alumínio e construiu um segundo protótipo equipado com quatro motores independentes nas articulações do quadril e dos joelhos.
Segundo relato publicado pelo Correio Braziliense, o desenvolvimento efetivo do protótipo levou aproximadamente oito meses.
A motivação surgiu quando Matheus ainda estava no início da graduação.
A avó havia perdido os movimentos do lado esquerdo do corpo e passou a precisar de auxílio para realizar atividades cotidianas.
Ela morreu antes que o neto concluísse a invenção.
“Infelizmente minha avó faleceu, mas a ideia de poder ajudar pessoas em situações parecidas ficou na minha cabeça”, afirmou o estudante em entrevista publicada em junho de 2022.
Exoesqueleto começou como projeto de Engenharia Elétrica
Matheus tinha 22 anos quando apresentou o equipamento.
O trabalho foi orientado pelo professor Hudson Capanema Zaidan e também recebeu acompanhamento acadêmico de docentes ligados às áreas de controle e engenharia mecânica.
O protótipo foi desenvolvido para fornecer sustentação externa e reproduzir parte dos movimentos das pernas.
Em vez de substituir um membro, como ocorre com uma prótese, o exoesqueleto envolve o corpo e utiliza uma estrutura mecânica para auxiliar a movimentação.
Os quatro motores foram instalados em pontos correspondentes às articulações dos quadris e dos joelhos.
Cada uma dessas partes conta com um comando independente, permitindo que o sistema controle diferentes fases do movimento.
A estrutura também incorpora sensores e um pequeno computador responsável por identificar a posição do usuário.
A partir dessas informações, o sistema envia comandos aos motores para executar movimentos previamente programados.
“O exoesqueleto contém um mini computador que detecta a posição do usuário, acompanhando seus movimentos”, explicou Matheus.
Segundo ele, a utilização ainda dependia de um dispositivo auxiliar de marcha, como andador ou estrutura de apoio.
Controle digital coordena os quatro motores
O funcionamento do protótipo utiliza um controle conhecido como PID, sigla para proporcional, integral e derivativo.
Esse tipo de sistema compara a posição desejada com a posição identificada pelos sensores e ajusta continuamente a resposta dos motores.
Em termos simples, o controlador tenta impedir que a articulação se mova além ou aquém do ponto programado.
Para isso, calcula a diferença entre o comando recebido e o movimento executado, corrigindo velocidade e posição durante o funcionamento.
Matheus desenvolveu um controle digital independente para cada articulação.
A separação permite comandar quadris e joelhos de maneira individual, embora todos os motores precisem trabalhar em sequência para reproduzir uma marcha.
O equipamento, porém, ainda não reproduzia uma caminhada natural.
Tiago Leite, professor do CEUB e doutor em Ciências Mecânicas, afirmou na época que aspectos relacionados à velocidade e à aceleração precisavam ser refinados.
Essa limitação é relevante porque o movimento humano não depende apenas de dobrar quadris e joelhos.
A caminhada envolve equilíbrio, transferência de peso, coordenação entre diferentes articulações e adaptação constante às condições do piso.
Primeira versão impressa em 3D suportou dois quilos
A fabricação por impressão 3D permitiu que Matheus produzisse engrenagens, caixas e outras partes do protótipo com custo inicial reduzido.
A técnica também facilitou mudanças no desenho das peças durante os testes.
O plástico usado na primeira construção, contudo, não ofereceu a resistência necessária.
De acordo com a reportagem da Agência de Notícias do CEUB reproduzida pelo Jornal de Brasília, a estrutura não suportava carga superior a dois quilos.
A etapa seguinte combinou componentes plásticos com hastes e elementos de alumínio.
A troca aumentou a capacidade de sustentação, mas também trouxe novos desafios relacionados ao peso do próprio dispositivo, ao conforto e à adaptação às medidas de cada usuário.
A versão apresentada pelo CEUB foi descrita como capaz de suportar o equivalente aos membros inferiores de uma pessoa com até 76 quilos e 1,80 metro.
Assista o vídeo
Essa informação não significa que o protótipo estivesse liberado para sustentar integralmente uma pessoa ou para ser utilizado sem apoio.
O projeto empregou uma estrutura modular, com partes fixas, móveis e extensões ajustáveis.
A proposta era permitir adaptações para usuários com diferentes alturas, sem a necessidade de fabricar um equipamento completamente novo para cada pessoa.
Protótipo não havia sido testado em pacientes
Quando o projeto foi divulgado, em 2022, o exoesqueleto permanecia em fase acadêmica.
A etapa seguinte prevista pelo CEUB consistia em aprimorar uma versão reduzida, buscar parceiros e preparar futuros testes com seres humanos.
As reportagens consultadas não informam que o protótipo tenha passado por ensaios clínicos, recebido autorização para uso médico ou sido testado por pessoas com paralisia nos membros inferiores.
Também não foram localizadas atualizações públicas confiáveis que confirmem a realização desses testes, a transformação do trabalho em produto comercial ou a continuidade do desenvolvimento depois das versões apresentadas em 2022.
Por esse motivo, o equipamento deve ser descrito como protótipo experimental, e não como solução médica disponível para pacientes.
No Brasil, aparelhos desenvolvidos para diagnóstico, tratamento ou reabilitação podem ser enquadrados como dispositivos médicos.
A regulamentação atual da Agência Nacional de Vigilância Sanitária estabelece classificação de risco, requisitos de segurança, documentação e regimes de notificação ou registro para produtos que serão colocados no mercado.
Tecnologia assistiva poderia apoiar mobilidade e fisioterapia
A proposta de Matheus previa duas aplicações principais.
A primeira seria auxiliar pessoas com perda de movimentos nas pernas durante atividades de locomoção, sempre com o apoio adequado e após adaptações no equipamento.
A segunda possibilidade seria utilizar o exoesqueleto em processos de reabilitação fisioterapêutica.
Nesse caso, os motores poderiam ajudar a repetir movimentos das pernas de maneira controlada, sob acompanhamento profissional.
Essa aplicação, entretanto, dependeria de avaliações de segurança, testes com pacientes e definição dos perfis que poderiam utilizar o dispositivo.
Pessoas com limitações motoras podem apresentar condições diferentes de equilíbrio, força muscular, saúde óssea e controle do tronco.
Matheus também indicou que precisou estudar conteúdos fora da Engenharia Elétrica, incluindo conhecimentos de mecânica, fisioterapia e medicina.
Outra dificuldade relatada foi encontrar profissionais capazes de realizar alguns ajustes exigidos pela estrutura.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

