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Estudantes da Universidade da Flórida retiram do solo um vaso intacto feito há cerca de 400 anos e ajudam arqueólogos a reconstruir a rotina, as refeições e as trocas culturais entre indígenas Potano-Timucua e moradores de uma antiga missão espanhola
Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 29/07/2026 às 21:25
Atualizado em 29/07/2026 às 21:28
Ciência e Tecnologia
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Pequeno o bastante para caber na palma da mão, recipiente de barro sobreviveu por cerca de quatro séculos e agora oferece pistas sobre refeições, comércio, migrações e tradições indígenas em uma antiga missão espanhola na Flórida
Um vaso intacto de barro, provavelmente produzido por um indígena Potano-Timucua há cerca de quatro séculos, foi retirado do solo por estudantes da Universidade da Flórida durante escavações em uma antiga missão espanhola perto de Gainesville.
Vaso intacto sobreviveu a quatro séculos sob o solo
O recipiente é pequeno o suficiente para caber na palma da mão. Moldado manualmente, apresenta superfície cinza alisada, borda lisa com uma dobra estreita e nenhuma decoração.
O objeto foi encontrado na Missão San Francisco de Potano, no noroeste de Gainesville. Sua profundidade e posição indicam que provavelmente foi produzido durante o período de funcionamento do assentamento, embora seu estilo ainda não tenha sido identificado.
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Os pesquisadores também não sabem o que o vaso continha, quem o utilizava ou por que foi deixado debaixo da terra. A ausência de danos tornou a descoberta especialmente incomum.
“É algo muito singular. Normalmente, encontramos coisas que foram quebradas e descartadas”, afirmou Gifford Waters, gerente de coleções de arqueologia histórica do Museu de História Natural da Flórida.
Waters questionou por que um objeto ainda aparentemente utilizável teria sido colocado deliberadamente em um buraco. Esta foi a primeira vez que ele participou de uma escavação responsável por recuperar um vaso de cerâmica completo em terra firme.
Recipientes inteiros são mais frequentes em naufrágios. Em ambientes terrestres, séculos de pressão do solo, agricultura, construções e movimentações de terra geralmente quebram ou esmagam as peças antes que sejam localizadas.
Estudantes encontraram peça durante curso de campo
A descoberta ocorreu durante um curso ministrado por Waters e Charles Cobb, curador de arqueologia histórica do museu. Durante o semestre da primavera, estudantes da Universidade da Flórida viajavam todas as sextas-feiras ao sítio.
A atividade permitia que os alunos aprendessem técnicas de escavação enquanto investigavam uma antiga aldeia Potano-Timucua e os vestígios da missão espanhola construída no mesmo local.
Atualmente, a área está coberta por um bosque. Quadrados de escavação de 1 por 1 metro indicam os pontos onde o solo é cuidadosamente retirado com pás.
Caminhos estreitos passam entre vestígios de uma cozinha do século XVII, da residência de um frade e da aldeia indígena que cercava as construções ligadas à missão.
O vaso foi recuperado dentro de uma estrutura construída pelos espanhóis. A função desse espaço ainda é incerta e dependerá de novas escavações para ser determinada.
Estrutura pode ter abrigado soldados espanhóis
Registros históricos mostram que um pequeno grupo de soldados foi enviado à missão depois que os ataques britânicos se intensificaram no início do século XVIII.
A construção onde o recipiente estava enterrado pode ter servido como quartel. Essa interpretação é apoiada pela descoberta, nas proximidades, de uma alça de mira de arma e da placa lateral de um mosquete.
Apesar do contexto, a finalidade original do pequeno vaso permanece desconhecida. Utensílios utilizados diretamente sobre o fogo costumam preservar camadas de comida queimada ou carvão em seu interior.
O exemplar encontrado pelos estudantes não apresenta esses resíduos. A ausência sugere que ele não foi colocado diretamente sobre as chamas, embora possa ter sido usado durante refeições.
As leves marcas de queimado na parte externa podem ter surgido durante o processo de endurecimento da cerâmica ou quando o recipiente foi colocado ao lado do fogo para aquecer uma porção individual de alimento.
Missão espanhola surgiu em uma aldeia Potano
Os Potano faziam parte do povo Timucua do norte da Flórida. Eles se mudaram para o local em 1585, depois de serem expulsos de suas terras pelas forças espanholas.
As terras de origem provavelmente ficavam entre as atuais Payne’s Prairie e Orange Lake. Em 1606, o governo espanhol enviou um frade para instalar uma missão na aldeia.
San Francisco de Potano tornou-se uma das primeiras entre mais de 100 missões católicas fundadas no século seguinte para reforçar o controle espanhol sobre a Flórida.
No auge, o assentamento provavelmente reunia várias centenas de habitantes Potano e apenas um europeu, o frade responsável pela missão. O local foi abandonado em 1706 e gradualmente desapareceu da paisagem.
Artefatos começaram a ressurgir na década de 1950. Desde 2006, mais de 7.000 peças foram recuperadas, principalmente fragmentos de cerâmica indígena.
As escavações também revelaram contas de vidro, ferramentas de pedra, pregos e ossos de animais consumidos nas refeições, incluindo tartaruga, peixe de água doce e peru.
Segundo Waters, a posição e a associação entre os objetos ajudam a reconstruir as atividades realizadas no assentamento. A concentração de fragmentos de ossos em um mesmo ponto, por exemplo, indica uma cozinha e uma área de descarte.
Cerâmicas diferentes registram trocas e migrações
Pouco depois de retirar o vaso intacto, os estudantes encontraram fragmentos de um recipiente muito maior. O exterior áspero e o material incomum não correspondem às tradições cerâmicas locais já conhecidas.
Os arqueólogos consideram que essa peça pode ter chegado por meio de trocas comerciais com comunidades de Santo Agostinho ou da atual Jacksonville.
Outra possibilidade apresentada pelos pesquisadores é que o recipiente tenha sido levado por alguém que se mudou para a aldeia e trouxe consigo diferentes métodos de fabricação de cerâmica.
Waters afirmou que, nos últimos anos da missão, pessoas de várias regiões da Flórida e indígenas de diferentes áreas se estabeleceram no local e em seus arredores.
Para o pesquisador, as diferenças entre os artefatos demonstram a circulação de pessoas, materiais e ideias, além da persistência e da transformação das tradições ao longo do tempo.
Com informações de scitechdaily.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

