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Estudo cria modelo que prevê momentos táticos em partidas de futebol

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Estudo cria modelo que prevê momentos táticos em partidas de futebol

Uma partida de futebol é muito mais do que 22 atletas correndo atrás de uma bola. Até saírem os gols que definem o resultado da partida, ocorre uma infinidade de fatores que determinam qual equipe irá vencer o duelo. 

Para tentar organizar a “bagunça” dos agentes que influenciam o roteiro do confronto, pesquisadores brasileiros criaram um modelo que define a complexidade dos momentos da partida em 34 estados táticos bem definidos.

A ideia é ter um método mais completo, confiável e bem definido para compreender como o comportamento coletivo dos jogadores influencia na vitória, empate ou derrota da equipe. 

O estudo foi liderado pelo pesquisador Rene Drezner, da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da Universidade de São Paulo (USP). Os resultados fazem parte do doutorado de Drezner e foram publicados na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP no ano passado.

Desenvolvimento do modelo e aplicação na prática

O grande diferencial do modelo é não focar tanto em estatísticas comumente analisadas, como posse de bola, velocidade dos jogadores, chutes ao gol e número de passes. No trabalho, os pesquisadores focaram na “metaestabilidade” do jogo – termo que representa a mudança constante entre momentos organizados e bagunçados que ocorrem em uma partida. 

“Dentro do meu modelo, foram criadas 34 classes de configuração. A partir da transição entre estas classes, descrevo a evolução do jogo. Seria como reduzir todas as possibilidades de interação do jogo de futebol em apenas 34 – como se fosse o tabuleiro de um jogo – e analisar a evolução do jogo a partir das movimentações deste tabuleiro”, explica Drezner, em entrevista ao Jornal da USP.

Por exemplo: entre os 34 estados táticos, durante uma partida há transição de momentos de “organização defensiva” para os de “contra-ataque eficiente”. O estudo analisa o jogo todo como um sistema e, a partir dele, resume todas as posições táticas possíveis em 34 tipos de situação. 

Os momentos foram divididos em um Modelo de Configuração do Jogo, que se refere aos estados táticos durante uma partida, e o Equilíbrio na Interação entre as Equipes, que mede qual equipe está sendo favorecida pelo estado tático em determinado tempo.

O modelo foi colocado em prática na análise da final da Liga dos Campeões 2023/2024, na partida entre Real Madrid x Borussia Dortmund, em que os espanhóis venceram por 2×0.

Os pesquisadores perceberam que o time da Espanha teve a maioria das transições em torno da região de equilíbrio, além de conseguir estados de desequilíbrio tático a seu favor, especialmente no quinto período do duelo – justamente quando o Real Madrid marcou os dois gols da vitória.

Já o Borussia começou tendo mais ações favoráveis, mas diminuiu o desempenho ao longo do jeito, entregando muitas transições em regiões de desequilíbrio a favor do time espanhol.

Segundo os pesquisadores, o modelo pode ajudar comissões técnicas a entender os momentos dos comportamentos coletivos em campo de forma mais completa e ampla, ao invés de apenas se nortearem por dados individuais, como posse de bola, chutes e número de passes.

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