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Família de cinco pessoas trocou casa de 195 metros quadrados por um ônibus escolar de apenas 22, passou seis meses reformando o veículo e construiu quase todos os móveis com as próprias mãos

Família de cinco pessoas trocou casa de 195 metros quadrados por um ônibus escolar de apenas 22, passou seis meses reformando o veículo e construiu quase todos os móveis com as próprias mãos

8 min de leitura

Família de cinco pessoas trocou casa de 195 metros quadrados por um ônibus escolar de apenas 22, passou seis meses reformando o veículo e construiu quase todos os móveis com as próprias mãos

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 29/07/2026 às 14:15

Atualizado em 29/07/2026 às 14:16

Construção

Família de cinco pessoas trocou casa de 195 metros quadrados por um ônibus escolar de apenas 22

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Eles saíram de uma casa nove vezes maior para viver dentro de um ônibus escolar amarelo. Foram seis meses esvaziando, estruturando e montando móvel por móvel até o veículo virar lar de cinco pessoas, com fogão a lenha na sala e beliches no corredor do fundo.

Brandon e Ashley Trebitowski deixaram uma casa de 195 metros quadrados e passaram a morar com os três filhos dentro de um ônibus escolar clássico da marca Blue Bird, transformado por eles mesmos em uma casa sobre rodas de aproximadamente 22 metros quadrados. A família levou seis meses na reforma e construiu quase todo o mobiliário por conta própria.

O caso foi publicado pelo portal Inhabitat, em reportagem assinada por Nicole Jewell, e virou referência entre os projetos do tipo. A proposta seguiu princípios de minimalismo e se inspirou no movimento das minicasas, com paredes brancas, planta aberta e o aproveitamento das janelas originais do veículo para reforçar a entrada de luz natural.

De 195 para 22 metros quadrados: a conta da mudança

Família de cinco pessoas trocou casa de 195 metros quadrados por um ônibus escolar de apenas 22
Imagens via 
+ Treb Adventure

O contraste entre as duas moradias explica o tamanho da decisão. A casa que ficou para trás tinha 195 metros quadrados, medida equivalente a 2.100 pés quadrados, enquanto o ônibus adaptado oferece cerca de 22 metros quadrados de área interna.

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Fazendo a conta, o novo lar tem aproximadamente um nono do espaço anterior. Divididos entre cinco pessoas, sobram pouco mais de 4 metros quadrados por morador, área menor que a de muitos banheiros de apartamento. É esse número que transforma a história em pauta recorrente e que também explica por que o projeto gera tanta discussão.

Vale traduzir esse número para o cotidiano. Em uma casa comum, cada pessoa costuma ter ao menos um cômodo para onde ir quando quer silêncio. Em 22 metros quadrados, a família inteira compartilha o mesmo volume de ar o tempo todo, o que significa que barulho, cheiro de comida, conversa e horário de dormir passam a ser assunto coletivo, e não escolha individual.

Seis meses de obra e quase tudo feito à mão

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Imagens via + Treb Adventure

A reforma não foi contratada, foi executada. O casal começou esvaziando completamente o interior do veículo e depois estruturou o espaço habitável, desenhando a distribuição a partir das necessidades de uma família grande vivendo em área reduzida.

A etapa seguinte foi o mobiliário. Para aproveitar cada centímetro, eles próprios fabricaram os móveis, incluindo os sofás grandes da área social, peças que dificilmente caberiam se fossem compradas prontas. Móvel sob medida deixa de ser luxo e vira condição de viabilidade quando a casa tem largura de ônibus, e foi essa lógica que orientou o projeto do começo ao fim.

Seis meses também dizem algo sobre o esforço envolvido. Não se trata de uma reforma de fim de semana: é meio ano de trabalho paralelo à vida normal, com etapas de demolição, estrutura, revestimento, instalação e marcenaria. Projetos assim costumam ser divulgados pelo resultado final, e raramente pelo tempo e pela paciência que consomem.

As paredes brancas e as janelas que ficaram

O resultado visual não parece o de um veículo escolar. A família adotou uma paleta monocromática, com paredes brancas que ampliam a percepção do ambiente, e manteve a planta aberta, sem divisórias desnecessárias entre as áreas de convivência.

A decisão mais inteligente, do ponto de vista de espaço, foi manter as janelas originais do ônibus. Elas garantem entrada abundante de luz natural e criam a ilusão de amplitude que nenhuma tinta consegue produzir sozinha. Em ambiente estreito, luz vale metro quadrado, e é por isso que projetos de conversão costumam preservar as aberturas em vez de fechá las por conforto térmico.

O fogão a lenha que aqueceu o inverno inteiro

O item que mais chama atenção na sala fica em um dos cantos. A família instalou um fogão a lenha, escolha incomum dentro de um veículo e que resolveu o aquecimento sem depender de sistema elétrico ou de gás.

Segundo o relato deles, o equipamento manteve o interior aquecido durante todo o inverno. E teve um efeito colateral doméstico: as crianças ficaram ocupadas cortando lenha, tarefa que passou a fazer parte da rotina da casa. É o tipo de detalhe que mostra como a mudança de moradia reorganiza também a divisão de trabalho dentro da família.

Beliches no corredor e o quarto do casal no fundo

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Imagens via + Treb Adventure

A área de dormir foi concentrada na parte traseira do ônibus, solução que separa o descanso da zona de convivência sem exigir portas ou paredes que consumiriam espaço precioso.

A organização adotada pela família é simples e eficiente. As crianças ficaram com beliches instalados de cada lado do corredor, enquanto o quarto principal ocupa o fundo do veículo. Cinco pessoas dormindo em fila, dentro da mesma estrutura, sem cômodo isolado para ninguém, o que exige dos moradores um acordo de convivência bem diferente do que existe em uma casa com portas.

Os luxos que a família se permitiu

Nem tudo foi economia radical. Mesmo trabalhando dentro do orçamento e fazendo a maior parte do serviço por conta própria, o casal abriu exceção para alguns itens que mudam a experiência do dia a dia.

Dois desses itens estão no banheiro. O chuveiro ganhou azulejos do tipo metrô, aqueles retangulares com acabamento brilhante, e o teto recebeu uma claraboia transparente que amplia visualmente o cômodo mais apertado da casa. Em banheiro de ônibus, a claraboia funciona como janela sem ocupar parede, resolvendo iluminação e sensação de espaço na mesma peça.

A cozinha virou o espaço preferido

Entre todos os ambientes, a cozinha aparece no relato como o favorito da família. A bancada de madeira maciça se destaca contra as paredes brancas e concentra boa parte da vida doméstica dentro do veículo.

A escolha não foi apenas estética. A família gosta de cozinhar, e o ambiente foi projetado para ser funcional mesmo com o pouco espaço disponível. Quem come fora todo dia não precisa de bancada boa, quem cozinha precisa, e a decisão de investir nesse ponto revela a prioridade estabelecida antes da obra começar.

O termo skoolie e o movimento por trás dele

O projeto tem nome e categoria. Ônibus escolares convertidos em moradia são chamados de skoolies, e formam uma cena própria dentro do universo das casas pequenas, com comunidades que trocam soluções técnicas, plantas e listas de material.

A inspiração declarada pela família foi o movimento das minicasas, que propõe reduzir metragem e custo de moradia em troca de mobilidade e simplicidade. A diferença do skoolie para a minicasa fixa é o motor, já que o veículo mantém a possibilidade de deslocamento e transforma o endereço em algo temporário por definição.

Existe um motivo prático para o ônibus escolar ser o veículo preferido nesse tipo de conversão. Ele já nasce com estrutura reforçada, teto alto o suficiente para uma pessoa ficar de pé, carroceria comprida e um mercado de revenda de unidades antigas que saem de frota. É a carcaça pronta mais barata disponível para quem quer construir uma casa sobre rodas.

As críticas que o projeto recebe

O caso não gera apenas elogios. A própria reportagem registra que existem pessoas questionando a viabilidade de uma família tão grande morar em um ônibus adaptado, dúvida que envolve privacidade, convivência e adequação para crianças em fase de crescimento.

A resposta da família aparece na fala publicada por eles. Segundo os Trebitowskis, que compartilham a rotina em uma página no Instagram, a nova vida entregou o que buscavam: mais tempo e mais experiências juntos do que quando moravam na casa grande. Eles afirmam amar a vida simples e não trocá la por nada, declaração que responde à crítica sem apresentar dados sobre custo ou sustentabilidade financeira do modelo.

O que a reportagem não conta

Vale registrar as lacunas, porque elas são justamente o que interessa a quem cogita fazer algo parecido. Não há informação sobre quanto custou a compra do ônibus, quanto foi gasto na reforma, onde o veículo fica estacionado, como funcionam água e esgoto e qual é a solução de energia adotada.

Também não aparece nada sobre escolarização das crianças, sobre exigências legais para morar em veículo nem sobre a fonte de renda da família durante o período. Uma reportagem de arquitetura mostra o resultado, não o custo de manutenção da escolha, e é comum que histórias assim circulem sem os números que definiriam se o modelo é replicável.

Essas ausências não desqualificam a história, apenas delimitam o que ela é. Trata se de um retrato de arquitetura e estilo de vida, feito a partir do relato dos próprios moradores, e não de uma apuração sobre custos, legalidade ou sustentabilidade do modelo. Quem pretende copiar a ideia precisa levantar por conta própria os números que a reportagem não traz, começando por onde estacionar o veículo de forma regular.

A data que muda a leitura desta história

Um detalhe importante para quem lê hoje: a reportagem foi publicada em 14 de março de 2018, ou seja, há mais de oito anos. Todos os elementos descritos, do fogão a lenha aos beliches, referem se àquele momento da vida da família.

O material não acompanha o que aconteceu depois. Crianças que dormiam em beliche no corredor em 2018 estariam hoje na adolescência ou já adultas, mudança que costuma alterar completamente a equação de espaço em qualquer moradia compacta. Como se trata de uma família comum, e não de figuras públicas, não há registro jornalístico atualizado sobre se eles continuam morando no veículo.

Você conseguiria morar em 22 metros quadrados

O caso levanta uma pergunta que aparece sempre que uma história dessas viraliza. De um lado está a promessa de vida simples, menos contas, mais tempo em conjunto e a liberdade de mudar de endereço sem vender imóvel. De outro está a realidade de cinco pessoas dividindo 22 metros quadrados, sem porta para fechar quando alguém quer ficar sozinho.

Agora queremos ouvir você. Você trocaria uma casa de 195 metros quadrados por um ônibus reformado de 22, sabendo que a economia vem junto com a falta de privacidade? E, sendo honesto, você acha que esse tipo de projeto funciona melhor com criança pequena ou vira insustentável quando os filhos crescem? Comenta aqui embaixo o que você faria no lugar dessa família.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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