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Filho de agricultor de Caculé correu até a lavoura para contar ao pai que tinha passado em medicina na UFBA em sexto lugar entre sete vagas, e o vídeo da reação viralizou no país

Filho de agricultor de Caculé correu até a lavoura para contar ao pai que tinha passado em medicina na UFBA em sexto lugar entre sete vagas, e o vídeo da reação viralizou no país

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Filho de agricultor de Caculé correu até a lavoura para contar ao pai que tinha passado em medicina na UFBA em sexto lugar entre sete vagas, e o vídeo da reação viralizou no país

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 30/07/2026 às 23:27

Atualizado em 30/07/2026 às 23:33

Curiosidades

Filho de agricultor correu até a lavoura para contar ao pai que passou em medicina na UFBA em sexto lugar entre sete vagas. O vídeo viralizou no país.

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Sandro Lúcio Nascimento Rocha atravessou a plantação correndo para avisar o pai, o agricultor João Batista da Rocha, que tinha conquistado uma das sete vagas de medicina reservadas pelo Sisu na UFBA. O vídeo, gravado em Caculé, no sudoeste da Bahia, viralizou em fevereiro de 2022 e comoveu o país.

O vídeo dura pouco mais de um minuto e continua circulando quatro anos depois. Nele, Sandro Lúcio Nascimento Rocha atravessa uma lavoura correndo, visivelmente sem fôlego, até encontrar o pai capinando a terra com uma enxada, e conta que tinha sido aprovado em medicina na Universidade Federal da Bahia. A cena foi gravada em Caculé, no sudoeste baiano, e ganhou as redes em 25 de fevereiro de 2022, segundo reportagens da Folha do Vale, do Blog do Anderson e do portal Só Notícia Boa, este assinado por Rinaldo de Oliveira em 2 de março daquele ano.

O pai, João Batista da Rocha, tinha 53 anos e não sabia ler. Ao ouvir a notícia, respondeu apenas que o filho merecia, antes de os dois se abraçarem e chorarem no meio do roçado, diante de outros dois trabalhadores. Depois de agradecer a Deus, ele voltou a trabalhar.

O que aparece na gravação

O registro é caseiro, feito por um amigo que chama Sandro de Sandrão. Não há edição, trilha nem enquadramento pensado. Aparecem a terra revirada, a enxada, o sol alto e três homens trabalhando, um deles sem saber que a vida da família tinha acabado de mudar.

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O momento que mais chamou atenção não foi o abraço, e sim o que veio depois. O pai chorou, agradeceu e retomou o serviço. Não houve comemoração longa nem interrupção da jornada, porque a lavoura não espera. É esse detalhe que dá à cena o peso que ela tem, e provavelmente o que fez o vídeo circular tanto.

De onde ele veio

Sandro morava na Fazenda Peri Peri da Tapera, na zona rural de Caculé, município de pouco mais de 23 mil habitantes no sudoeste da Bahia. Concluiu o ensino médio no Colégio Estadual Norberto Fernandes, na rede pública estadual.

O campus onde ele foi estudar fica em Vitória da Conquista, a mais de 200 quilômetros da cidade onde vivia. Vale registrar o que isso significa na prática para uma família de agricultores: além da aprovação, era preciso resolver moradia, deslocamento e sustento em outra cidade, para um curso de seis anos em período integral, que praticamente inviabiliza trabalho paralelo.

A vaga que ele conquistou

O número que descreve a aprovação diz muito. Sandro ficou em sexto lugar entre sete vagas disponíveis, dentro de uma modalidade específica do Sistema de Seleção Unificada: a reserva para candidatos autodeclarados pretos, pardos ou indígenas, com renda familiar bruta por pessoa igual ou inferior a um salário mínimo e meio, que tenham cursado integralmente o ensino médio em escola pública.

Sete vagas é um universo apertado. Concorrer dentro desse recorte não significa concorrência menor, significa concorrência entre candidatos com o mesmo perfil socioeconômico, quase todos vindos de escola pública, disputando um dos cursos mais procurados do país. Nenhuma reportagem da época divulgou a nota exata dele, apenas o registro de que a pontuação ficou acima da nota de corte da maioria dos cursos.

Por que ele escolheu medicina

Filho de agricultor correu até a lavoura para contar ao pai que passou em medicina na UFBA em sexto lugar entre sete vagas. O vídeo viralizou no país.

A decisão não nasceu na hora do vestibular. Sandro contou que se decidiu ainda na adolescência, enquanto cuidava da avó, que tinha diabetes e hipertensão. Era ele quem aplicava a insulina nela.

Foi cuidando dessa rotina doméstica de doença crônica que o interesse apareceu. É um caminho comum entre estudantes de origem popular que escolhem a área da saúde: o primeiro contato com o cuidado não acontece em hospital nem em estágio, acontece dentro de casa, com um parente idoso. O curso veio depois de anos de prática improvisada com um frasco de insulina na mão.

O currículo que já existia antes do vídeo

Um detalhe se perdeu na comoção. Sandro não era um estudante anônimo até aquela manhã na roça. Aos 17 anos, ele desenvolveu um projeto de economia de água potável usando materiais recicláveis, trabalho destacado pelo Ministério da Educação.

O projeto ficou em segundo lugar na categoria Ensino Médio do Prêmio Jovem Cientista, iniciativa criada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Ele também atuava como coordenador regional da Associação Brasileira de Incentivo à Ciência. Ou seja, a aprovação em medicina não foi um golpe de sorte de um garoto qualquer da roça. Foi o desfecho de uma trajetória escolar que já vinha sendo reconhecida fora do município.

O que ele escreveu depois

Quando o vídeo explodiu, Sandro publicou um texto nas redes agradecendo à família, a Deus e aos professores. Numa das passagens, descreveu a divisão de tarefas em casa: enquanto o pai lavrador trabalhava na roça, a mãe segurava a barra nas tarefas domésticas. Em outro trecho, disse ter sido agraciado por uma família que, mesmo sem as melhores instruções, o incentivou a correr atrás dos sonhos.

A repercussão foi grande também pelo contexto do momento. O vídeo circulou na mesma semana em que o país acompanhava o luto pela tragédia de Petrópolis e o começo da guerra na Ucrânia, e virou o tipo de conteúdo que as pessoas compartilham como contrapeso ao noticiário. Isso ajuda a explicar o alcance, mas não diminui em nada a história.

Onde essa história está hoje

Convém ser honesto sobre o alcance do que se sabe. Todas as informações reunidas aqui correspondem a fevereiro e março de 2022, quando o caso foi noticiado. Não localizei registro público posterior confiável sobre o andamento do curso ou a situação atual dele.

O que dá para dizer com segurança é aritmética simples: o curso de medicina dura seis anos, e quem entrou no primeiro semestre de 2022 estaria, em 2026, nos anos finais da graduação, período de internato. Nada além disso pode ser afirmado sem apuração nova, e é exatamente por isso que este texto trata o episódio como o que ele é, um retrato datado de um momento específico.

E você, lembra desse vídeo quando ele viralizou? Conta aqui nos comentários se você conhece alguém que foi o primeiro da família a entrar na universidade, e o que essa aprovação mudou na casa.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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