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Fim da linha para o celular de R$ 6 mil: POCO surpreende com um intermediário de cerca de R$ 2.200 que roda com chip com desempenho de linha de topo e briga com aparelhos do dobro do preço

Fim da linha para o celular de R$ 6 mil: POCO surpreende com um intermediário de cerca de R$ 2.200 que roda com chip com desempenho de linha de topo e briga com aparelhos do dobro do preço

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Fim da linha para o celular de R$ 6 mil: POCO surpreende com um intermediário de cerca de R$ 2.200 que roda com chip com desempenho de linha de topo e briga com aparelhos do dobro do preço

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 25/07/2026 às 15:31

Atualizado em 25/07/2026 às 15:40

Ciência e Tecnologia

POCO X8 Pro estreou por R$ 6.999 e hoje sai por cerca de R$ 2.200, com Dimensity 8500 Ultra, 6.500 mAh e 100W de recarga

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O POCO X8 Pro estreou no Brasil por R$ 6.999,99. Três meses depois, o mesmo aparelho já aparecia em anúncio por menos de um terço disso. É a mesma ficha técnica, o mesmo chip e a mesma bateria de 6.500 mAh, só que num patamar de preço onde ele não deveria estar.

O POCO X8 Pro chegou às lojas brasileiras em 26 de março de 2026, com preço sugerido de R$ 6.999,99 na única configuração oficial do país, 12 GB de RAM e 512 GB de armazenamento. Em junho, o portal Oficina da Net registrou o modelo saindo por menos de R$ 2.200 e apontou que ele havia batido R$ 2 mil em maio, o menor valor de sua história.

A diferença entre o preço de etiqueta e o preço de rua explica boa parte do barulho em torno do aparelho. O chip é o MediaTek Dimensity 8500 Ultra, fabricado em 4 nanômetros, que segundo a própria POCO ultrapassa 2,28 milhões de pontos no AnTuTu, faixa até então reservada a celulares bem mais caros. Nos testes independentes, o número fica perto de 2 milhões, o que ainda coloca o modelo muito acima dos intermediários tradicionais.

O mesmo celular que estreou a quase R$ 7 mil

POCO X8 Pro estreou por R$ 6.999 e hoje sai por cerca de R$ 2.200, com Dimensity 8500 Ultra, 6.500 mAh e 100W de recarga

O dado que costuma passar batido é o preço de lançamento. Quando a POCO trouxe o X8 Pro ao Brasil, em março de 2026, a etiqueta oficial era de R$ 6.999,99, valor de topo de linha. Naquele momento, a marca também mudou o próprio discurso: o slogan histórico de entregar só o necessário deu lugar ao conceito de velocidade máxima, acompanhado de estrutura metálica, traseira de vidro e iluminação no módulo de câmera.

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Em maio, três meses depois, o mesmo modelo já circulava por R$ 2 mil em promoção. Em junho, listagens de marketplace apareciam entre R$ 2.378 e R$ 2.629. Um celular perdeu dois terços do valor de etiqueta em menos de um trimestre, e isso não é anomalia isolada no mercado brasileiro.

Aqui entra uma ressalva importante que quase nenhuma lista de ofertas explica. A versão oficial vendida pela POCO no Brasil é a de 12 GB mais 512 GB. Boa parte das ofertas mais baratas em marketplace é de versão global, muitas vezes com 8 GB de RAM ou 256 GB de armazenamento, vendida por lojistas terceiros. São aparelhos diferentes com o mesmo nome, e o preço reflete isso.

O que exatamente é o chip do POCO X8 Pro

O Dimensity 8500 Ultra é o processador que sustenta o argumento do aparelho. Fabricado pela TSMC em 4 nanômetros, com arquitetura de núcleos grandes e clock de até 3,4 GHz, ele estreou no mundo justamente neste POCO. A GPU é a Mali G720, e o conjunto entrega, segundo a fabricante, 25 por cento mais desempenho gráfico que a geração anterior, além de suporte a ray tracing por hardware.

Convém ser preciso sobre a classificação. O Dimensity 8500 Ultra não é um chip de linha de topo no sentido estrito. Essa categoria pertence a peças como o Snapdragon 8 Elite Gen 5, que equipa aparelhos como o POCO F8 Ultra. O que o 8500 Ultra faz é entregar pontuação de território flagship com preço de intermediário, e a diferença entre as duas coisas importa para quem compara ficha técnica.

Outro detalhe que a euforia costuma esconder: o ganho real sobre a geração anterior é pequeno. A própria análise do Oficina da Net registra que o chip é o mesmo do POCO X7 Pro, com leve aumento de frequência, e que a diferença no AnTuTu fica em torno de 4 por cento. Em jogos, o único título que rodou visivelmente melhor no modelo novo foi o Minecraft. Quem já tem o X7 Pro não ganha quase nada trocando.

Para dimensionar, vale a comparação que a própria imprensa especializada fez. O Galaxy A57, intermediário direto da Samsung, marca cerca de 1,3 milhão de pontos no mesmo teste. O POCO X8 Pro fica na casa dos 2 milhões. É uma vantagem de cerca de 50 por cento sobre o rival mais óbvio da faixa.

Bateria de 6.500 mAh e 42 por cento sobrando depois de oito horas

POCO X8 Pro estreou por R$ 6.999 e hoje sai por cerca de R$ 2.200, com Dimensity 8500 Ultra, 6.500 mAh e 100W de recarga

A autonomia é o segundo pilar do aparelho. São 6.500 mAh em célula de silício carbono, tecnologia que permite mais capacidade no mesmo volume interno. No teste de bateria do Oficina da Net, depois de oito horas de uso intenso, o POCO ainda tinha 42 por cento de carga.

Para efeito de comparação dentro da mesma lista, o Galaxy A36 terminou o teste com 11 por cento, o Galaxy A56 com 17 por cento e o Motorola Edge 60 Neo com 16 por cento. Nenhum concorrente direto chegou perto desse resultado.

A tela acompanha o pacote. É um painel AMOLED de 6,59 polegadas com 120 Hz, densidade de 460 pontos por polegada e brilho alto o suficiente para uso sob sol direto. A traseira usa vidro Gorilla Glass 7i com acabamento fosco, e a moldura é metálica, combinação que aparece pouco nessa faixa de preço.

O carregamento acompanha. O carregador de 100 W vem na caixa e leva o aparelho de zero a 100 por cento em cerca de 42 minutos. Some se a isso certificação IP68 e IP69K contra água, poeira e jato de alta pressão, moldura de metal, traseira de vidro e quatro atualizações de Android com seis anos de correções de segurança prometidas.

Onde o POCO perde para os rivais mais caros

Não é um aparelho sem defeito, e o próprio material que serve de base para esta matéria aponta isso. O conjunto de câmeras é o ponto mais frágil. A principal é um sensor de 50 MP com estabilização óptica, que se sai bem de dia, mas não há telefoto, e concorrentes como o Galaxy S25 FE e o Motorola Edge 60 Pro entregam mais versatilidade fotográfica, com lente dedicada de zoom e sensores mais avançados.

O segundo incômodo é o sistema. A HyperOS 3, baseada no Android 16, é completa em recursos, mas vem com aplicativos que boa parte dos usuários nunca vai abrir e com anúncios em algumas áreas da interface. É uma reclamação recorrente de quem usa aparelho da marca e não some por causa do preço.

Há ainda o calor. Como o corpo passou a ser de metal e vidro no lugar do plástico, a sensação térmica na mão aumenta durante uso pesado, ainda que medições apontem temperatura interna parecida com a da geração anterior. Metal conduz calor melhor, e isso o usuário sente, mesmo que o chip não esteja mais quente.

Comparando com o que custa realmente o dobro

A frase de que o aparelho briga com celulares do dobro do preço precisa de contexto para não virar exagero. No catálogo da própria POCO, o F8 Ultra, com Snapdragon 8 Elite Gen 5 e 6.500 mAh, aparecia em maio e junho de 2026 entre R$ 4.256 e R$ 4.555 em marketplace. O F8 Pro, com Snapdragon 8 Elite, chegou ao Brasil em preço oficial de R$ 7.999.

Fora de casa, a comparação mais citada é com o Galaxy S25 FE, que estreou custando cerca de R$ 5 mil e em junho de 2026 já aparecia por menos de R$ 2.400. Nesse caso, o dobro do preço vale para o valor de lançamento, não para o preço praticado hoje.

Ou seja, a afirmação se sustenta quando a referência é a etiqueta original dos rivais. Comparado com o preço atual deles, o POCO ainda vence em desempenho bruto e autonomia, mas a distância é bem menor do que sugere a manchete, e perde em câmera para os dois.

Por que preço de celular despenca tão rápido no Brasil

O caso do POCO X8 Pro não é exceção, é padrão. Aparelhos chegam ao país com preço sugerido inflado pela carga tributária e pelo posicionamento de lançamento, e caem rápido conforme o varejo entra na disputa e as versões globais aparecem em marketplace.

Há também o efeito do próprio calendário. O POCO X8 Pro chegou em março e, três meses depois, já tinha sucessores e concorrentes disputando a mesma vitrine, o que empurra o modelo para baixo mesmo sem nenhuma promoção oficial da fabricante.

A lista que serve de base para esta matéria traz outros exemplos do mesmo movimento. O Galaxy S25 FE saiu de R$ 5 mil no lançamento para menos de R$ 2.400 em cerca de sete meses. O Galaxy A36 apareceu por R$ 1.292, e o Motorola Edge 60 Neo, por R$ 1.799.

Comprar no lançamento é pagar pela pressa. Quem espera de três a seis meses costuma encontrar o mesmo aparelho por metade ou menos, e essa é a única razão pela qual um celular com ficha técnica de R$ 7 mil aparece hoje competindo na faixa dos R$ 2 mil.

Nenhum preço citado aqui é permanente

Vale um aviso que raramente aparece nesse tipo de conteúdo. Todos os valores mencionados foram registrados entre março e junho de 2026, variam por loja, por versão do aparelho e por forma de pagamento, e mudam de uma semana para a outra.

A configuração também muda o preço. O mesmo POCO X8 Pro aparece em anúncio com 8 GB mais 256 GB, 8 GB mais 512 GB e 12 GB mais 512 GB, com diferença que passa de R$ 200 entre as pontas. Comparar apenas o número da etiqueta, sem olhar memória, armazenamento e procedência, leva a conclusão errada.

O POCO X8 Pro é hoje o aparelho com maior desempenho bruto por real gasto na faixa dos R$ 2 mil no Brasil, e isso é verificável em teste de benchmark e de bateria. O que ele não é, apesar do que sugerem as manchetes, é um topo de linha disfarçado: o chip pertence à categoria imediatamente abaixo, e a câmera deixa isso claro assim que a luz cai.

E você, prefere um celular que ganha em desempenho e bateria mas perde em câmera, ou pagaria mais por um conjunto fotográfico melhor? Comenta aí quanto tempo você costuma esperar depois do lançamento para comprar celular.

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POCO


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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