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Fim da linha para o filtro de barro: Electrolux surpreende com um purificador de filtragem com íons de prata, painel touch e vazão até quatro vezes maior que a dos modelos comuns, por cerca de R$ 619

Fim da linha para o filtro de barro: Electrolux surpreende com um purificador de filtragem com íons de prata, painel touch e vazão até quatro vezes maior que a dos modelos comuns, por cerca de R$ 619

9 min de leitura

Fim da linha para o filtro de barro: Electrolux surpreende com um purificador de filtragem com íons de prata, painel touch e vazão até quatro vezes maior que a dos modelos comuns, por cerca de R$ 619

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 26/07/2026 às 20:24

Atualizado em 26/07/2026 às 20:35

Ciência e Tecnologia

Purificador Electrolux de R$ 619 tem painel touch e enche o copo mais rápido, mas retém de 5 a 15 micra. Veja como ele se compara ao filtro de barro

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O aparelho é um dos mais vendidos do país e tem nota 4,8 em mais de 22 mil avaliações. Mas a ficha técnica oficial mostra que ele retém partículas de 5 a 15 micrômetros, faixa em que bactéria não fica presa. Vale entender o que cada equipamento faz antes de trocar.

O purificador Electrolux PE12G é vendido por cerca de R$ 619 e aparece entre os primeiros colocados nas listas de recomendação de compra publicadas em 2026, com painel touch de três temperaturas, iluminação em LED e pressurizador que enche o copo até quatro vezes mais rápido que o de modelos comuns, segundo levantamento do TechTudo baseado em preços apurados em fevereiro de 2026. Para quem pensa em aposentar o filtro de barro da cozinha, porém, existe um detalhe na ficha técnica que muda a conversa.

O refil original do aparelho, chamado Acqua Pure, é feito de polipropileno meltblown e carvão ativado com íons de prata. De acordo com a especificação publicada pela própria Electrolux, ele retém micropartículas de 5 a 15 micrômetros, reduz no mínimo 75% do cloro livre e tem classificação C para particulado nos ensaios da norma ABNT NBR 16098. Não há, na ficha oficial, declaração de eficiência bacteriológica.

O que o aparelho realmente faz

A ficha oficial do refil declara retenção de micropartículas de 5 a 15 micrômetros.

Começando pelo que é indiscutível: o modelo é compacto, popular e bem avaliado. Segundo o TechTudo, tem média de 4,8 estrelas em mais de 22 mil avaliações no Mercado Livre, e os elogios mais frequentes citam a vazão da água, o acabamento e a facilidade de instalação.

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A ficha de recursos é generosa para a faixa de preço. Painel touch com seleção entre três temperaturas, bandeja removível, pés de borracha antiderrapantes, iluminação em LED acionada quando a água sai, funcionamento bivolt e acabamento plástico não pintado, que segundo a fabricante não desbota com o uso.

O filtro cumpre uma função clara e útil. Ele reduz cloro livre, melhora sabor e odor e retém sedimentos como areia, ferrugem, resíduos de metais e partículas sólidas que vêm da tubulação. Para quem reclama do gosto de cloro na água da torneira, é exatamente esse o problema que o aparelho resolve.

A letra pequena da ficha: classe C e 5 a 15 micrômetros

Aqui é onde a conversa precisa ficar técnica, porque envolve água de beber. A norma brasileira que rege esses equipamentos é a ABNT NBR 16098, e ela classifica os aparelhos por faixa de retenção de partículas.

O refil do PE12G recebe classificação C para particulado, com retenção declarada de micropartículas de 5 a 15 micrômetros, e redução mínima de 75% do cloro livre. Esses números estão na descrição oficial do produto na loja da Electrolux, não em site de terceiros.

O ponto de comparação é o tamanho de uma bactéria. A maioria das bactérias comuns em água mede entre 0,2 e 2 micrômetros, ou seja, é significativamente menor do que a faixa que o refil declara reter. Uma barreira física de 5 micrômetros não é projetada para segurar um organismo de 1 micrômetro.

Vale registrar que isso não torna o aparelho ruim ou irregular. Ele atende à norma, é aprovado pelo Inmetro e faz exatamente o que a etiqueta diz. O problema não está no produto, está na forma como ele é descrito em textos de recomendação de compra.

Por que bacteriológico não é a palavra certa

Bactérias comuns em água medem entre 0,2 e 2 micrômetros, abaixo dessa faixa de retenção.

A confusão nasce de um detalhe real da composição. O carvão ativado do refil leva íons de prata, e a prata tem ação conhecida contra microrganismos. Mas a função declarada pela fabricante é específica.

A descrição oficial diz que os íons de prata inibem o desenvolvimento de bactérias e outros microrganismos. Inibir desenvolvimento significa impedir que a colônia prolifere dentro do próprio elemento filtrante, que é um ambiente úmido e escuro, ideal para proliferação. Isso é controle microbiológico do filtro, e não filtragem bacteriológica da água.

A diferença importa na hora de decidir a compra. Um equipamento com eficiência bacteriológica declarada é submetido a ensaio específico e informa esse resultado na etiqueta. Quando o fabricante não declara eficiência bacteriológica, a leitura correta é que o aparelho não foi testado para isso, e não que ele reprovou.

A vazão até quatro vezes maior: o que significa na prática

O número mais chamativo da campanha do produto merece leitura cuidadosa. A promessa da fabricante é encher o copo até quatro vezes mais rápido que o de modelos comuns, graças ao pressurizador da tecnologia Pure 4X.

Duas palavras fazem toda a diferença nessa frase. A primeira é até, que marca teto e não média. A segunda é comuns, que não define contra qual aparelho, qual pressão de rede e qual volume a comparação foi feita. É uma afirmação de marketing legítima, mas que não equivale a um dado de ensaio comparativo.

Ainda assim, existe uma diferença física real e verificável em relação ao filtro de barro. O purificador trabalha ligado à rede, sob pressão, e entrega a água na hora. O filtro de barro trabalha por gravidade, gota a gota, e depende do tempo de contato entre a água e a cerâmica. Nesse quesito específico, a vantagem do purificador é indiscutível e não precisa de número inflado para se sustentar.

O que o filtro de barro faz que o purificador não faz

Agora o outro lado da história. O filtro de barro é um equipamento brasileiro clássico, formado por dois recipientes de cerâmica com uma ou mais velas filtrantes na parte interna, e funciona inteiramente por gravidade.

A vela cerâmica microporosa é o coração do sistema. Segundo o médico nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia, a cerâmica porosa filtra partículas de até 0,5 micrômetro e tem leve vantagem na retenção física, justamente por causa da passagem lenta. Muitos modelos combinam a cerâmica com carvão ativado, e alguns adicionam prata coloidal.

Existem duas vantagens práticas que costumam ser esquecidas. A primeira é que o filtro de barro não usa eletricidade, o que significa água disponível durante queda de energia e custo zero de consumo. A segunda é o reservatório: em regiões com abastecimento irregular, o filtro cheio funciona como estoque de segurança da casa.

Um alerta de honestidade, porém. Nem toda vela tem eficiência bacteriológica declarada. Há velas de reposição vendidas com a mesma classificação C, faixa de 0,5 a 15 micrômetros, redução de cloro em torno de 75% e a expressão eficiência bacteriológica não se aplica escrita na ficha técnica. Ou seja, o filtro de barro também precisa ser avaliado pela etiqueta, e não pela tradição.

O que o purificador faz que o filtro de barro não faz

A lista de vantagens do aparelho elétrico é real e prática. Ele gela a água, ocupa menos espaço em bancada estreita, pode ser fixado na parede, entrega água na hora e não exige que ninguém lembre de encher o reservatório.

Há também um ponto sanitário que raramente entra na comparação. O purificador filtra no momento do uso e não armazena água por longos períodos, o que reduz o risco associado à água parada. O filtro de barro, por definição, mantém água armazenada e exige limpeza periódica do reservatório e da vela para não virar problema.

A manutenção, no entanto, tem custo dos dois lados. No purificador, a troca do refil é obrigatória a cada 3.000 litros ou 6 meses, o que ocorrer primeiro, e a fabricante alerta que refil não original não é testado por ela. No filtro de barro, a vela também tem prazo, e há modelos com recomendação de substituição a cada 500 litros ou 6 meses.

O preço não é só R$ 619

A conta do primeiro ano precisa incluir o refil. Com troca semestral obrigatória, são dois refis por ano, e o preço unitário varia bastante conforme a loja e o tamanho do kit comprado.

Existe ainda o consumo elétrico, que o filtro de barro simplesmente não tem, e o custo de instalação, já que o aparelho precisa ser ligado ao ponto de água. Nada disso é impeditivo, mas muda a comparação de custo total em relação ao equipamento de gravidade.

Também vale lembrar do óbvio: preço de eletrodoméstico envelhece rápido. Os R$ 619 foram apurados em fevereiro de 2026, e o próprio veículo que publicou o levantamento avisa que os valores podem sofrer alteração. Vale reconferir antes de fechar.

Os pontos negativos que os próprios donos relatam

Uma matéria honesta sobre compra precisa incluir a coluna de contras, e ela existe. Segundo a compilação de comentários feita pelo TechTudo, os elogios se concentram no tamanho compacto, na facilidade de instalação, no design e no custo benefício.

As críticas recorrentes, porém, são duas e ambas relevantes. Consumidores relatam vazamento de água na parte interna do aparelho e questionam a qualidade da filtragem. A própria lista que recomenda o produto registra baixa qualidade da filtragem entre os pontos negativos apontados por quem já comprou.

Isso não invalida a nota alta nem o volume de vendas. Significa apenas que o produto tem perfil claro: bom para quem quer água gelada, rápida e sem gosto de cloro, com ressalvas para quem esperava barreira microbiológica.

Como comparar de verdade antes de comprar

Existe um método simples que serve para qualquer equipamento dos dois tipos. Procure na embalagem ou na ficha do produto três informações: a classificação de retenção de partículas, o percentual de redução de cloro livre e se há eficiência bacteriológica declarada.

Se a etiqueta trouxer a expressão eficiência bacteriológica não se aplica, o aparelho não foi ensaiado para isso, seja ele purificador elétrico ou vela de filtro de barro. Se trouxer classe e faixa em micrômetros, compare a faixa com o que você precisa reter. E confira sempre a vida útil do elemento filtrante, porque é ela que define o custo real por litro.

Um último lembrete importante. Nenhum desses equipamentos substitui água tratada, e nenhum deles é solução para abastecimento comprovadamente contaminado. Em caso de dúvida sobre a qualidade da água que chega à sua casa, o caminho é procurar a concessionária local ou a vigilância sanitária do município, não o corredor de eletrodomésticos.

O que fica dessa comparação

Um purificador de R$ 619 com painel touch, três temperaturas e água gelada na hora resolve problemas que o filtro de barro nunca resolveu. E um filtro de barro com vela cerâmica de 0,5 micrômetro, sem tomada e com reservatório cheio, resolve problemas que o purificador não resolve. A escolha não é entre moderno e antiquado, é entre duas listas diferentes de vantagens, e quem decide bem é quem lê a etiqueta antes do anúncio.

E você, o que acha? Trocaria o filtro de barro por um purificador elétrico ou acha que o velho equipamento de cerâmica ainda entrega mais? Você já parou para ler a classificação de filtragem do que tem na sua cozinha, ou comprou confiando no que dizia a caixa? E mais: em região com falta de energia ou de água, faz sentido depender de um aparelho que só funciona ligado na tomada? Comente sua opinião, principalmente se você usa os dois em casa e consegue comparar na prática.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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