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Flávio não repudia nem o estupro meritocrático de Figueiredo-Bolsonaro

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Flávio não repudia nem o estupro meritocrático de Figueiredo-Bolsonaro

Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, renegou as teses de Paulo Figueiredo, seu guia espiritual, sobre a malignidade do voto das mulheres, especialmente das solteiras.

Chega a ser divertido assistir ao “nepovéio” da ditadura (Figueiredo) a afetar valores cristãos antigos (claro!) quando fala de possessões demoníacas marxistas… Olavão [Olavo de Carvalho] diria: “Deixe de ser grosso e burro!”. Dava bronca em outros até com mais bibliografia do que ele que se queriam acólitos.

O neto do ditador — jaca que caiu perto da jaqueira — nada leu de Marx ou Gramsci, à diferença do candidato a guru. Olavo fez mau uso de tudo. Mas era lido ao menos. O netinho é só um picareta arrogante.

Isso não quer dizer que não pense perversidades relevantes. Sim, ele é um dos formuladores de Flávio Bolsonaro, que é uma gaveta em que se podem guardar badulaques reacionários os mais diversos. Ele nada de mal vai recusar, pouco importando a eventual incompatibilidade entre coisas ruins.

É um candidato em busca de ideias, que lhe são fornecidas pelos respectivos cérebros travessos de Eduardo, o Zero Três metido a formulador inaugural, e, claro!, Figueiredo, o neto do avô. É dotado, note-se, da mesma fineza retórica.

Flávio comandou um micão nesta quarta com as ditas “mulheres conservadoras”. Michelle e Damares não compareceram. Até aí, jogo jogado. Mas Tereza Cristina também não.

Havia lá meia-dúzia de gatos, ou gatas, pingados. Quando ele renegou as teses de “Paulinho Trump Tower” sobre o perigo do voto das solteiras, todas supostamente tomadas pelo feminismo demoníaco, foi possível ouvir o aplauso de umas cinco pessoas. Vale dizer: a maioria das presentes, no fim das contas, concordava com o “nepovéio” da ditadura… Pobre Flávio!

Figueiredo assegurou em vídeo postado ontem que o feminismo é uma perfídia do marxismo — e se aguarda ansiosamente que apontem literatura política marxista que endosse teses identitárias — e defendeu que o bolsonarismo-raiz, aquele que realmente conta, é o da matriz, de Bolsonaro, que tratava o estupro como matéria de merecimento. Sim, ele disse isso, o que, consultem a legislação, é crime.

Flávio renegou o amigão, mas não muito. Admitiu que ele ajuda. O próprio teórico do estupro meritocrático aplaudiu o “brother” por tê-lo feito “publicamente”. Vale dizer: no escurinho do cinema dos homens héteros que mandam em mulheres — que raspam os pentelhos, claro! Que nojinho! —, a história é diferente.

A verdade é que a reacionária Michelle — sim, ela o é — deu um olé nessa macharia asquerosa, que tentou transformá-la em mera aia cuidadora. Espalharam a colunistas pressurosos em reproduzir “o outro lado” (no caso, o “outro lado da civilização”) que a dissensão dela era irrelevante. Veio a porrada da respeitada pesquisa AtlasIntel. Não é. Flávio perde por dez pontos para Lula no primeiro turno e por quase sete no segundo.

Há uma verdade que não cala — exceto no colunismo “outro-ladista”, ávido por tentar fazer parecer que Flávio e Figueiredo constituem apenas um dos um dos lados da democracia — e eles são a negação dela. E que verdade é essa?

A dissensão de Michelle poderia até não tirar um miserável voto de Flávio — e tendo a achar que tira, mas isso é o de menos… A verdade irrespondível é que a crise não agrega um miserável voto ao candidato do PL. Ocorre que ele está atrás.

ENCERRO
Ah, sim: a gente pode até lamentar que a família Bolsonaro seja tão ignorante e grosseira. Pergunto: não foi essa a escolha das elites no Brasil? Etimologicamente, “elite” quer dizer “separação”. Por extensão do sentido na linha da história, significa a seleção dos melhores.

Se a nossa elite separou os piores, talvez devêssemos refletir a respeito. Isso explica muita coisa. Inclusive o fato de Lula estar em primeiro. E creio que vá vencer a eleição. Será uma escolha do povo, sim. Mas também uma escolha “das elites” que disseram: “Não suportamos Lula; ele é bom demais para que votemos nele”.

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