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Fortaleza de tijolos construída numa ilha remota da Flórida entre 1845 e 1876 começa a se romper por dentro quando antigas portas de ferro enferrujam, aumentam de volume e empurram paredes inteiras para o fosso

Fortaleza de tijolos construída numa ilha remota da Flórida entre 1845 e 1876 começa a se romper por dentro quando antigas portas de ferro enferrujam, aumentam de volume e empurram paredes inteiras para o fosso

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Fortaleza de tijolos construída numa ilha remota da Flórida entre 1845 e 1876 começa a se romper por dentro quando antigas portas de ferro enferrujam, aumentam de volume e empurram paredes inteiras para o fosso

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 31/07/2026 às 20:52

Atualizado em 31/07/2026 às 20:53

Construção, Indústria

A Fortaleza Fort Jefferson começou a se romper por dentro porque antigas portas de ferro instaladas nos vãos dos canhões enferrujaram dentro das muralhas.

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Na fortaleza de tijolos Fort Jefferson, a corrosão do ferro abriu rachaduras, derrubou trechos da fachada no fosso e obrigou restauradores a desmontar paredes históricas em uma ilha onde sal, água e transporte difícil tornam cada reparo mais caro e delicado.

A Fortaleza Fort Jefferson começou a se romper por dentro porque antigas portas de ferro instaladas nos vãos dos canhões enferrujaram dentro das muralhas. Preso entre a argamassa e a fachada de tijolos, o metal aumentou de volume e passou a empurrar a construção para fora.

Erguida entre 1845 e 1876 numa ilha remota das Florida Keys, arquipélago no sul da Flórida, a fortaleza parecia protegida por paredes sólidas. Entretanto, o problema permanecia escondido dentro da alvenaria e avançava sem a necessidade de qualquer ataque externo.

As informações foram divulgadas por National Park Service dos Estados Unidos, órgão federal responsável pelos parques nacionais dos Estados Unidos. A instituição registra que grandes partes da fachada caíram no fosso após o ferro corroído separar os tijolos e comprometer as paredes externas.

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A porta que fechava sozinha após o tiro

As antigas portas eram chamadas de persianas Totten. Elas foram colocadas nos vãos dos canhões para diminuir o tempo em que os soldados ficavam expostos durante os disparos.

Antes do tiro, as duas partes metálicas permaneciam fechadas. Os gases liberados pela boca do canhão empurravam as portas para fora no momento do disparo, permitindo a passagem da bala.

Na fortaleza de tijolos Fort Jefferson, a corrosão do ferro abriu rachaduras

O conjunto era cuidadosamente equilibrado. Depois da abertura, as portas retornavam à posição fechada e protegiam novamente o interior do vão. A solução reunia abertura rápida, fechamento automático e proteção para os soldados.

O sistema parecia eficiente para a defesa da fortaleza. O problema estava na instalação de grandes componentes de ferro dentro das paredes, onde qualquer mudança no volume do metal exerceria pressão diretamente sobre os tijolos.

Como a ferrugem virou uma força estrutural

A exposição contínua ao sal e à umidade iniciou a corrosão das peças. Esse processo acontece quando o ferro reage com o ambiente e forma os compostos conhecidos popularmente como ferrugem.

Esses compostos ocupam mais espaço do que o ferro original. Como as peças estavam presas no interior da alvenaria, a expansão não encontrou uma área livre para avançar.

A ferrugem começou a agir como uma cunha. A pressão afastou os tijolos, abriu fissuras e separou a camada externa da parte interna da muralha.

O dano avançou lentamente, mas acumulou força durante décadas. A tecnologia criada para proteger Fort Jefferson se transformou em uma das principais ameaças à própria construção.

Paredes inteiras foram empurradas para o fosso

A parte externa da fortaleza funciona como uma proteção para o interior das paredes. Quando os tijolos começaram a se separar, grandes trechos perderam apoio e ficaram sujeitos à queda.

Partes da fachada despencaram no fosso que cerca Fort Jefferson. O problema foi agravado pelo ambiente costeiro, marcado pela presença constante de sal, água, calor e condições severas do tempo.

A exposição contínua ao sal e à umidade iniciou a corrosão das peças.

Cada trecho perdido deixa a estrutura interna mais exposta. Isso aumenta a necessidade de novos reparos e reduz a quantidade de tijolos históricos que ainda pode ser reaproveitada.

O número exato de componentes de ferro que ainda permanecem nas muralhas não aparece atualizado na página institucional consultada. Por isso, não é possível afirmar com segurança quanto da estrutura ainda guarda peças originais corroídas.

Cobrir as rachaduras com argamassa não interrompe o problema

Aplicar argamassa sobre uma fissura pode esconder a abertura por algum tempo. Porém, esse serviço não remove o ferro que continua enferrujando e pressionando a parede pelo lado de dentro.

A rachadura pode voltar porque sua causa permanece ativa. O reparo precisa alcançar o metal corroído, e não apenas cobrir a superfície danificada.

Para chegar às antigas peças, os restauradores desmontam cuidadosamente partes da fachada. Os tijolos que ainda apresentam boas condições são separados para possível reaproveitamento.

Depois da retirada do ferro, o vão precisa ser reconstruído com materiais compatíveis com a alvenaria histórica. Essa escolha permite que a área reparada trabalhe junto da parede antiga sem criar novos pontos de pressão ou separação.

Restaurar uma fortaleza cercada pelo mar exige uma operação complexa

A localização de Fort Jefferson dificulta todas as etapas da restauração. Ferramentas, tijolos, argamassa, equipamentos e trabalhadores precisam chegar a uma ilha distante das áreas urbanas.

Fort Jefferson / Reprodução

O transporte marítimo exige planejamento e aumenta os custos. Uma peça esquecida ou um material inadequado não pode ser substituído com a mesma facilidade encontrada em uma obra no continente.

O National Park Service dos Estados Unidos, órgão federal responsável pelos parques nacionais dos Estados Unidos, detalhou a retirada dos componentes corroídos, a reconstrução dos vãos e a instalação de reproduções das antigas persianas. O trabalho também utiliza testes de materiais e registro das etapas para orientar outras intervenções.

A meta não é transformar a fortaleza numa construção nova. O objetivo é estabilizar as muralhas, preservar os materiais históricos e impedir novas perdas, mantendo visíveis as características acumuladas ao longo do tempo.

As técnicas usadas para impedir que o dano continue

A principal medida é retirar o ferro original que já está corroído. Enquanto essas peças permanecerem pressionando a alvenaria, a separação dos tijolos pode continuar avançando.

Depois da desmontagem, os profissionais estabilizam a área, recuperam as partes aproveitáveis e instalam reproduções dos componentes históricos. Materiais de reposição passam por testes para evitar reações inadequadas com a construção antiga.

A principal medida é retirar o ferro original que já está corroído.

O serviço também exige registro detalhado. Fotografias, desenhos e anotações permitem entender como cada parede foi aberta, quais peças foram retiradas e quais materiais entraram na reconstrução.

A combinação de retirada do ferro, materiais compatíveis, documentação e manutenção reduz a possibilidade de o mesmo problema permanecer escondido dentro das muralhas.

O problema também serve de alerta para construções costeiras brasileiras

O mecanismo encontrado em Fort Jefferson lembra danos observados em marquises, pontes e edifícios brasileiros próximos ao mar. Nessas construções, barras de aço costumam ficar escondidas dentro do concreto.

Quando o sal e a água alcançam o aço, a corrosão pode aumentar o volume do material. A pressão abre rachaduras e empurra o concreto ou o revestimento para fora.

Os materiais são diferentes, mas a lógica é parecida. O metal enferruja dentro da estrutura e rompe o material ao redor, mesmo quando a superfície ainda parece resistente.

Fort Jefferson revela como uma solução militar criada para proteger soldados acabou atacando lentamente a própria fortaleza. O ferro permaneceu escondido dentro das paredes até que sua expansão abriu fissuras e empurrou grandes partes da fachada para o fosso.

A preservação depende da retirada da origem do problema, da recuperação cuidadosa dos tijolos e da escolha de materiais compatíveis. Cobrir o dano sem remover o metal corroído apenas esconde uma pressão que continua ativa dentro da parede.

Quando o material criado para proteger uma obra passa a causar sua destruição, até onde uma restauração deve manter as peças originais? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a publicação.

Fonte

NPS


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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