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Fóssil raro encontrado no interior de São Paulo revela nova espécie de cobra subterrânea que viveu há até 85 milhões de anos, preservou parte do crânio e mais de 100 vértebras, e ainda permitiu aos cientistas reconstruir regiões do cérebro

Fóssil raro encontrado no interior de São Paulo revela nova espécie de cobra subterrânea que viveu há até 85 milhões de anos, preservou parte do crânio e mais de 100 vértebras, e ainda permitiu aos cientistas reconstruir regiões do cérebro

SP

4 min de leitura

Fóssil raro encontrado no interior de São Paulo revela nova espécie de cobra subterrânea que viveu há até 85 milhões de anos, preservou parte do crânio e mais de 100 vértebras, e ainda permitiu aos cientistas reconstruir regiões do cérebro

Escrito por Caio Aviz

Publicado em 24/07/2026 às 02:04

Atualizado em 24/07/2026 às 02:05

Ciência e Tecnologia

Ilustração representa o fóssil da Tametara mirim, espécie de cobra que viveu entre 85 milhões e 75 milhões de anos atrás no atual interior de São Paulo. A descoberta, realizada em Presidente Prudente, preservou parte do crânio e mais de 100 vértebras, permitindo reconstruções inéditas da anatomia cerebral.

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Nova espécie brasileira pertence a uma das linhagens mais antigas conhecidas e amplia o conhecimento sobre a origem e a evolução das cobras

Um fóssil raro de cobra encontrado no interior de São Paulo revelou uma nova espécie que viveu entre 85 milhões e 75 milhões de anos atrás.

Batizado de Tametara mirim, o réptil apresentava adaptações para viver debaixo da terra e pertencia a uma linhagem bastante antiga.

Além disso, a preservação excepcional permitiu aos cientistas reconstruir partes do cérebro e analisar detalhes pouco conhecidos das primeiras cobras.

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O estudo foi publicado em 22 de julho de 2026, na revista científica Nature.

Fóssil de cobra foi encontrado no interior de São Paulo

O fóssil foi descoberto em 2020, durante trabalhos realizados em um sítio paleontológico de Presidente Prudente, no oeste paulista.

Posteriormente, os pesquisadores identificaram parte do crânio e mais de uma centena de vértebras preservadas no material.

Sobretudo, diferentes partes do esqueleto permaneceram conectadas e conservadas em três dimensões.

Por isso, segundo os responsáveis pelo estudo, o exemplar representa o primeiro fóssil articulado de cobra conhecido no Brasil.

Até então, as cobras brasileiras do período Cretáceo eram identificadas principalmente por meio de ossos isolados.

Consequentemente, esses vestígios forneciam poucas informações sobre a anatomia, o cérebro e o modo de vida desses animais antigos.

Fóssil da cobra Tametara mirim, encontrada no interior de São Paulo e que viveu no Brasil durante o período Cretáceo. — Foto: Agustin Martinelli

Como vivia a Tametara mirim?

A anatomia da Tametara mirim indica que a cobra possuía características relacionadas à vida subterrânea.

Dessa maneira, o animal provavelmente utilizava o solo como parte importante de seu ambiente.

Ao mesmo tempo, sua descoberta contribui para uma antiga discussão científica sobre a origem do corpo alongado e sem membros das cobras.

Durante muitos anos, pesquisadores discutiram se esses animais descendiam de ancestrais marinhos ou de espécies adaptadas a escavar a terra.

Entretanto, o novo fóssil sugere que não existiu apenas um caminho evolutivo.

Em vez disso, diferentes linhagens primitivas já ocupavam ambientes variados, incluindo a superfície, o subsolo e a água.

Portanto, a evolução inicial das cobras pode ter ocorrido como um mosaico de adaptações distintas.

Fóssil encontrado em Presidente Prudente preservou parte do crânio e mais de 100 vértebras da cobra Tametara mirim. Fonte: revista Nature.

Tecnologia permitiu reconstruir partes do cérebro

Para examinar o fóssil, os cientistas utilizaram imagens de microtomografia, técnica semelhante a um raio-X tridimensional.

Assim, a equipe analisou o interior do crânio sem causar danos ao material.

Em seguida, os pesquisadores reconstruíram digitalmente a região anteriormente ocupada pelo cérebro.

Posteriormente, os resultados foram comparados com dados de outras espécies fósseis e de cobras atuais.

Como resultado, a análise confirmou que a Tametara mirim pertence a uma linhagem muito antiga de serpentes.

Além disso, o estudo revelou que as primeiras cobras apresentavam uma diversidade cerebral maior do que os cientistas imaginavam.

Microtomografia permitiu analisar o interior do crânio e reconstruir digitalmente regiões do cérebro. Fonte: equipe responsável pelo estudo.

Descoberta brasileira ajuda a investigar a evolução das serpentes

Para Tiago Simões, professor da Universidade de Princeton e um dos autores do estudo, a descoberta possui importância científica e pessoal.

Segundo o pesquisador, compreender a origem das serpentes sempre esteve entre seus principais objetivos profissionais.

Ainda mais significativo, portanto, foi realizar essa investigação por meio de um fóssil encontrado no Brasil.

Apesar do avanço, uma grande lacuna continua presente no registro fóssil das cobras.

Provavelmente, esses animais surgiram durante o período Jurássico, dezenas de milhões de anos antes da Tametara mirim.

Porém, os fósseis conhecidos desse intervalo são bastante fragmentados.

Por esse motivo, encontrar exemplares mais antigos e bem preservados continua entre as prioridades dos pesquisadores.

Futuramente, Simões pretende combinar informações dos fósseis com dados genômicos de cobras e lagartos atuais.

Dessa forma, os estudos poderão investigar a perda dos membros e as mudanças ocorridas no sistema sensorial durante a evolução.

A Tametara mirim mostra que cobras primitivas já apresentavam diferentes formas de vida e adaptações ambientais há milhões de anos.

Na sua opinião, novas descobertas de fósseis no Brasil poderão mudar ainda mais o que a ciência sabe sobre a origem e a evolução das cobras?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

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