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Funcionário francês passou anos recebendo salário para quase não fazer nada, adoeceu com a falta de tarefas e ganhou 40 mil euros após a Justiça reconhecer assédio moral

Funcionário francês passou anos recebendo salário para quase não fazer nada, adoeceu com a falta de tarefas e ganhou 40 mil euros após a Justiça reconhecer assédio moral

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Funcionário francês passou anos recebendo salário para quase não fazer nada, adoeceu com a falta de tarefas e ganhou 40 mil euros após a Justiça reconhecer assédio moral

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 30/07/2026 às 21:48

Economia

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Um funcionário francês passou anos recebendo salário para quase não fazer nada, perdeu responsabilidades importantes e recebeu 40 mil euros após a Justiça reconhecer assédio moral.

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Caso de boreout mostra como o tédio no trabalho, a perda de funções e o isolamento profissional podem adoecer um empregado e resultar em condenação por assédio moral

Um funcionário francês passou anos recebendo salário para quase não fazer nada, perdeu responsabilidades importantes e recebeu 40 mil euros após a Justiça reconhecer assédio moral. O que poderia parecer um emprego confortável virou uma rotina marcada por tédio, isolamento e falta de utilidade profissional.

A informação foi publicada por The Guardian, jornal britânico de notícias e análises internacionais. Frédéric Desnard relatou que suas atividades ficaram quase inexistentes depois que ele foi colocado de lado dentro da empresa. Durante esse período, ele enfrentou depressão e uma crise epiléptica.

Em 2020, o Tribunal de Apelação de Paris reconheceu que a retirada contínua de responsabilidades poderia caracterizar assédio moral no trabalho. A decisão mostrou que manter o salário e o cargo no papel não elimina o sofrimento causado por uma rotina sem tarefas relevantes.

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Quando receber sem trabalhar deixa de ser privilégio

A ideia de ganhar salário sem precisar trabalhar costuma ser tratada como um sonho. Na prática, permanecer todos os dias em um escritório sem tarefas, desafios ou participação pode criar uma situação difícil de suportar.

Caso de boreout mostra como o tédio no trabalho, a perda de funções e o isolamento profissional podem adoecer um empregado

O problema não está em ter um dia tranquilo ou enfrentar uma fase com pouco movimento. O tédio no trabalho se torna mais grave quando dura muito tempo e vem acompanhado da perda de responsabilidades, do isolamento e da falta de perspectiva.

Desnard continuava empregado, mas já não exercia uma função compatível com o cargo que ocupava. A presença dele era mantida formalmente, enquanto seu espaço profissional desaparecia aos poucos.

Essa diferença é importante. Receber salário não significa necessariamente ter um trabalho saudável quando o funcionário é afastado das decisões e passa a sentir que ninguém precisa daquilo que ele sabe fazer.

A perda de funções pode criar uma pressão silenciosa

Retirar tarefas importantes de um funcionário pode ser uma forma de colocá-lo de lado sem encerrar imediatamente o contrato. A pessoa continua chegando ao trabalho, mas já não recebe atividades que justifiquem sua presença.

Com o tempo, essa situação pode causar constrangimento. O empregado percebe que perdeu espaço, deixa de participar da rotina da equipe e passa a ocupar um cargo que existe apenas no papel.

The Guardian, jornal britânico de notícias e análises internacionais, registrou que Desnard foi afastado de suas antigas responsabilidades e passou a receber atividades quase inexistentes. Ele chegou a relatar que terminava algumas tarefas simples logo no início do expediente e depois não tinha mais o que fazer.

Esse tipo de isolamento pode pressionar a pessoa a pedir demissão por conta própria. A empresa não precisa anunciar que deseja sua saída. O esvaziamento da função cria um ambiente no qual continuar trabalhando se torna cada vez mais difícil.

O julgamento em Paris terminou com pagamento de 40 mil euros

O caso chegou ao Tribunal de Apelação de Paris, que analisou a rotina enfrentada por Frédéric Desnard e a retirada constante de suas atribuições profissionais.

Em 2020, o tribunal reconheceu que aquela situação poderia ser tratada como assédio moral. Nesse contexto, o assédio não apareceu por meio de gritos ou ofensas diretas, mas por uma sequência de atitudes que reduziram o funcionário à inatividade.

Desnard recebeu aproximadamente 40 mil euros. O valor foi uma compensação ligada ao processo judicial, e não uma recompensa por permanecer sem trabalhar.

A diferença é essencial para entender o caso. O funcionário não ganhou dinheiro por ter um emprego fácil. Ele recebeu a compensação porque a Justiça reconheceu o impacto de passar anos sem tarefas relevantes, sem participação e sem uma função profissional real.

Boreout não é preguiça nem falta de vontade

O termo boreout descreve um esgotamento relacionado à falta prolongada de trabalho, estímulo e propósito profissional. Em palavras simples, a pessoa quer ser útil, mas não recebe tarefas capazes de ocupar sua jornada ou aproveitar suas habilidades.

Isso não significa preguiça. Um funcionário preguiçoso evita trabalhar mesmo quando existem atividades disponíveis. No boreout, o empregado pode desejar produzir, aprender e participar, mas é mantido sem oportunidades reais.

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A falta de função também pode afetar a forma como a pessoa enxerga a própria capacidade. Ela passa a questionar se ainda é necessária, se perdeu valor profissional ou se está sendo mantida no cargo apenas para ser pressionada a sair.

O caso francês não transforma qualquer momento de tédio em uma doença ou em assédio moral. O ponto central foi a retirada contínua de responsabilidades, acompanhada pelo isolamento e pela piora das condições vividas pelo funcionário.

Boreout e burnout surgem de problemas opostos

O burnout acontece quando existe excesso de pressão, trabalho e responsabilidade. O funcionário enfrenta uma carga intensa por muito tempo e chega ao esgotamento.

O boreout aparece no outro extremo. A pessoa tem trabalho de menos, não recebe desafios e perde o sentimento de utilidade. Embora as causas sejam diferentes, as duas situações podem prejudicar a relação do trabalhador com o emprego.

No burnout, o profissional sente que nunca consegue terminar tudo. No boreout, ele passa o dia sem ter algo importante para começar. Um sofre com o excesso, enquanto o outro sofre com o vazio.

Por isso, boreout não deve ser confundido com descanso. Descansar permite recuperar energia. Permanecer anos isolado e sem função pode provocar desmotivação, vergonha e sofrimento profissional.

Pagar salário não dá liberdade para esvaziar um cargo

Uma empresa pode manter alguém contratado e continuar pagando o salário. Porém, o caso de Frédéric Desnard mostrou que a análise não termina no pagamento mensal.

O tribunal também considerou a forma como o trabalho era organizado. O funcionário tinha vínculo com a empresa, mas havia perdido tarefas, responsabilidades e espaço dentro da rotina profissional.

Manter uma pessoa no cargo apenas formalmente pode criar uma falsa aparência de normalidade. Por fora, o emprego continua existindo. Por dentro, o trabalhador já não exerce a função para a qual foi contratado.

A principal consequência do julgamento foi mostrar que a ausência prolongada de trabalho também pode causar dano. Uma empresa precisa evitar tanto a sobrecarga quanto o abandono profissional de seus funcionários.

O caso deixa um alerta sobre dignidade e utilidade no trabalho

A indenização de 40 mil euros não transformou o tédio comum em motivo automático para uma condenação. A decisão envolveu anos de perda de função, isolamento, atividades mínimas e impacto sobre a saúde do empregado.

O caso mostrou que um trabalho saudável depende de salário, mas também exige participação, responsabilidade e uma função verdadeira.

Se uma empresa paga normalmente, mas esvazia o cargo até o funcionário desistir, isso ainda é gestão ou já se torna uma forma silenciosa de expulsão? Deixe sua opinião e compartilhe a publicação.

Fonte

The Guardian


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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