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Gelo marinho do Ártico sofre a maior queda anual da fase de pico do inverno desde o início das medições por satélite, perde 5,8% de extensão entre 2024 e 2025 e encerra a aparente pausa que escondia a continuidade da redução em uma região decisiva para o clima

Gelo marinho do Ártico sofre a maior queda anual da fase de pico do inverno desde o início das medições por satélite, perde 5,8% de extensão entre 2024 e 2025 e encerra a aparente pausa que escondia a continuidade da redução em uma região decisiva para o clima

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Gelo marinho do Ártico sofre a maior queda anual da fase de pico do inverno desde o início das medições por satélite, perde 5,8% de extensão entre 2024 e 2025 e encerra a aparente pausa que escondia a continuidade da redução em uma região decisiva para o clima

Escrito por Fabio Lucas Carvalho

Publicado em 23/07/2026 às 00:18

Atualizado em 23/07/2026 às 00:19

Ciência e Tecnologia

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Novo estudo revela que o gelo marinho do Ártico perdeu 5,8% de extensão no pico do inverno entre 2024 e 2025, encerrando a aparente desaceleração observada nas últimas duas décadas.

Após duas décadas de aparente desaceleração, a extensão do gelo marinho do Ártico voltou a apresentar queda estatisticamente significativa, impulsionada por níveis excepcionalmente baixos observados nos invernos de 2025 e 2026.

Um novo estudo concluiu que a aparente “pausa” na redução do gelo marinho do Ártico não representava uma recuperação permanente, mas uma oscilação temporária dentro de uma tendência de longo prazo associada ao aquecimento global.

A pesquisa foi publicada em 20 de julho de 2026 na revista PNAS por cientistas da Universidade de Southampton e do National Oceanography Centre, no Reino Unido.

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Ártico perdeu 5,8% da extensão no pico do inverno

Entre 2024 e 2025, a extensão média do gelo durante a fase de pico do inverno, que compreende fevereiro e março, caiu 5,8%.

Segundo a Universidade de Southampton, essa foi a maior redução anual dessa métrica desde o início das observações contínuas por satélite, no fim de 1978.

O número representa a diminuição da extensão oceânica com pelo menos 15% de concentração de gelo. Ele não significa que o Ártico perdeu 5,8% de todo o volume ou de toda a massa congelada em apenas um ano.

Em 2026, a extensão média durante essa fase aumentou ligeiramente em comparação com 2025, mas permaneceu como a segunda menor da série analisada pelos pesquisadores.

Máximos de 2025 e 2026 ficaram praticamente empatados

Os máximos anuais, medidos em dias específicos de março, também confirmam que os dois últimos invernos ficaram em níveis excepcionalmente baixos.

Em 22 de março de 2025, o gelo marinho alcançou aproximadamente 14,31 milhões de quilômetros quadrados, estabelecendo o menor máximo anual observado até então.

Em 15 de março de 2026, a extensão chegou a 14,29 milhões de quilômetros quadrados, número ligeiramente inferior ao anterior.

Apesar da diferença numérica, a NASA e o National Snow and Ice Data Center consideram os dois valores estatisticamente empatados.

O NSIDC classifica resultados separados por até 40 mil quilômetros quadrados como equivalentes, devido às margens de incerteza das medições. A diferença entre 2025 e 2026 foi de aproximadamente 20 mil quilômetros quadrados.

O máximo de 2026 ficou cerca de 1,36 milhão de quilômetros quadrados abaixo da média registrada entre 1981 e 2010. A área ausente seria aproximadamente duas vezes o tamanho do estado norte-americano do Texas.

A “pausa” nunca significou que o gelo parou de diminuir

A ideia de uma pausa surgiu porque, durante aproximadamente 20 anos, a velocidade de redução do gelo diminuiu em diferentes estações e métricas.

Um estudo publicado em 2025 na Geophysical Research Letters mostrou que a extensão mínima de setembro não apresentava redução estatisticamente significativa desde 2005, apesar da continuidade do aquecimento do planeta.

Os autores explicaram que variações naturais do clima haviam compensado temporariamente parte da perda provocada pelo aquecimento. Eles também alertaram que a redução poderia voltar a acelerar nos anos seguintes.

Ao incluir os resultados excepcionalmente baixos de 2025 e 2026, a equipe liderada pelo pesquisador Duo Chan verificou que as tendências calculadas em períodos de 20 anos voltaram a apresentar diminuição significativa.

Modelos indicam que gelo deve permanecer em nível mais baixo

Os pesquisadores compararam as observações dos satélites com situações semelhantes encontradas em modelos climáticos.

A queda de 2025 foi considerada incomum, mas fisicamente possível dentro das atuais condições de aquecimento do Ártico.

Os resultados indicam que o gelo de inverno provavelmente continuará oscilando ao redor de um patamar mais baixo nos próximos anos, em vez de retornar rapidamente aos níveis observados no começo da década de 2020.

Isso não permite afirmar que todos os próximos anos estabelecerão novos recordes. O Ártico apresenta grande variabilidade natural, e ventos, correntes oceânicas e temperaturas podem provocar recuperações temporárias.

Menos gelo permite que o oceano libere mais calor

Durante o inverno, o gelo marinho funciona como uma tampa isolante entre o oceano relativamente quente e a atmosfera muito mais fria.

Quando a cobertura diminui, mais calor e umidade conseguem passar do mar para o ar. Esse processo pode afetar padrões de pressão, formação de tempestades e sistemas de circulação atmosférica que alcançam áreas distantes do Ártico.

Uma imagem capturada pelo satélite Terra da NASA em 17 de março de 2026 mostrou gelo fragmentado e grandes áreas de água aberta no Mar de Barents, uma das regiões responsáveis pelo baixo máximo daquele ano.

Dados do satélite ICESat-2 também indicaram que parte do gelo presente no Mar de Barents estava especialmente fina.

Gelo antigo já diminuiu mais de 95%

O episódio ocorre dentro de uma transformação iniciada há várias décadas. Segundo o Arctic Report Card 2025, da NOAA, mais de 95% do gelo mais antigo e espesso, com mais de quatro anos, desapareceu desde a década de 1980.

A NOAA também informou que os 19 menores mínimos de setembro foram registrados nos últimos 19 anos.

Os dados mais recentes mostram que recuperações de curta duração podem esconder temporariamente a direção da tendência, mas não interrompem a redução de longo prazo do gelo marinho do Ártico.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

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