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Gigante de quase 5 toneladas abandonado pela SpaceX atravessa o espaço a 8.700 km/h e vai despencar sobre a Lua, provocar explosão equivalente a 3 toneladas de TNT, abrir uma nova cratera e lançar detritos que poderão ser registrados da Terra
Escrito por Ana Alice
Publicado em 23/07/2026 às 18:27
Atualizado em 23/07/2026 às 18:28
Ciência e Tecnologia
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Um estágio abandonado do Falcon 9 deve atingir a Lua em agosto de 2026, criando uma rara oportunidade para observar a formação de uma cratera e os efeitos de um impacto artificial na superfície lunar.
Um estágio de foguete com cerca de 12 metros de comprimento, abandonado em uma órbita que cruza o caminho da Lua, deve atingir a superfície lunar em 5 de agosto de 2026.
A colisão está prevista para ocorrer por volta das 3h35, no horário de Brasília, perto da cratera Einstein, em uma região próxima à borda do disco lunar observável da Terra.
O objeto é o estágio superior de um Falcon 9 usado pela SpaceX em janeiro de 2025.
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Catalogado como 2025-010D, ele não deve ser confundido com o foguete inteiro: trata-se da parte responsável por impulsionar as cargas depois que o primeiro estágio conclui sua função e retorna em direção à Terra.
Segundo o UOL, A queda poderá criar um novo ponto de observação para pesquisadores interessados em entender como a superfície da Lua reage a impactos.
Entretanto, ainda não há garantia de que o choque produzirá um clarão visível por telescópios terrestres.
A posição perto do limbo lunar pode favorecer a observação da poeira e das rochas lançadas acima da superfície, mas o brilho previsto é incerto.
Falcon 9 levou duas missões privadas à Lua
O Falcon 9 partiu do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, em 15 de janeiro de 2025.
O mesmo lançamento transportou os módulos lunares Blue Ghost, da empresa norte-americana Firefly Aerospace, e Resilience, da companhia japonesa ispace.
A Blue Ghost levava dez instrumentos científicos e tecnológicos da Nasa.
Depois de se separar do foguete, a nave seguiu uma trajetória própria e pousou na região de Mare Crisium em 2 de março de 2025.
O módulo japonês também foi enviado em direção à Lua, mas percorreu uma rota diferente para economizar combustível.
A tentativa de pouso ocorreu em 5 de junho daquele ano, quando o contato com a nave foi perdido pouco antes da chegada à superfície.
Após liberar as cargas, o estágio superior permaneceu em uma órbita terrestre alta e alongada.
Em vez de circular perto do planeta, como ocorre com grande parte dos detritos monitorados por radares, o objeto passou a viajar a distâncias comparáveis à separação entre a Terra e a Lua.
Como o estágio do foguete acabará colidindo com a Lua
A órbita do fragmento não é circular.
Segundo os cálculos divulgados pelo astrônomo Bill Gray, o objeto se aproxima a cerca de 220 mil quilômetros da Terra em um trecho da trajetória e pode se afastar para aproximadamente 510 mil quilômetros em outro.
A distância média da Lua em relação à Terra é de cerca de 385 mil quilômetros.
Isso significa que a trajetória do estágio atravessa a região por onde o satélite natural se desloca.
Na maior parte do tempo, a Lua e o objeto passam por esses pontos em momentos diferentes.
Em 5 de agosto, porém, os modelos indicam que os dois chegarão à mesma região praticamente ao mesmo tempo, provocando a colisão.
A previsão foi possível porque telescópios de programas dedicados à busca de asteroides e observadores independentes acompanharam o estágio durante mais de um ano.
Até fevereiro de 2026, Gray havia reunido mais de mil observações do objeto.
Mesmo com esse conjunto de dados, a posição final ainda poderá sofrer pequenos ajustes.
Além da atração gravitacional da Terra, da Lua, do Sol e de outros corpos, o estágio é afetado pela pressão da radiação solar, força pequena exercida pela luz sobre sua estrutura.
Como o objeto gira de maneira irregular, a quantidade de luz recebida em cada lado muda ao longo do tempo.
Essa variação dificulta calcular com absoluta precisão o efeito acumulado da radiação sobre o movimento.
Impacto do Falcon 9 ocorrerá a cerca de 8.700 km/h
Os cálculos indicam que o estágio atingirá a Lua a aproximadamente 2,43 quilômetros por segundo, o equivalente a cerca de 8.700 km/h.
A colisão deverá ocorrer em um ângulo inclinado, nas proximidades da cratera Einstein.
A massa exata não é conhecida.
Um estudo preliminar elaborado por 23 pesquisadores trabalha com uma estimativa próxima de quatro toneladas, considerando que todo o combustível tenha sido consumido.
Bill Gray utiliza um valor de aproximadamente 4,9 toneladas.
Dependendo da massa adotada, a energia liberada ficará entre 11,8 bilhões e 14,5 bilhões de joules.
O resultado é comparável à energia de aproximadamente três toneladas de TNT.
A comparação serve para representar a intensidade do choque, e não significa que ocorrerá uma explosão convencional.
O estágio atingirá o solo em alta velocidade, comprimindo, aquecendo e deslocando o material lunar.
Como a Lua praticamente não possui atmosfera, não haverá uma onda sonora se propagando pelo ar.
A energia será transferida para a superfície na forma de calor, fragmentação, abertura de uma cratera e lançamento de poeira e rochas.
Assista o vídeo
Clarão do impacto poderá ser difícil de observar
Apesar da energia envolvida, os pesquisadores consideram incerta a possibilidade de registrar o brilho do impacto.
A região prevista estará iluminada pelo Sol, condição que reduz o contraste entre um eventual clarão e a superfície lunar.
Outro fator é a velocidade.
Meteoros naturais costumam atingir a Lua a dezenas de quilômetros por segundo, muito mais rápido do que os 2,43 quilômetros por segundo estimados para o estágio.
Quanto maior a velocidade, maior tende a ser a parcela da energia convertida em luz.
Como o fragmento do Falcon 9 se move mais lentamente do que muitos meteoroides, grande parte da energia poderá ser absorvida pelo solo ou usada para deslocar material, sem produzir um clarão forte.
O estudo científico destaca que nenhum impacto natural ou artificial foi registrado visualmente até hoje na parte iluminada da Lua.
Por esse motivo, não existe um caso diretamente equivalente que permita prever com segurança o brilho.
A observação também exigirá equipamentos apontados para o ponto correto no instante do choque.
Um clarão, caso ocorra, poderá durar apenas uma fração de segundo.
Poeira poderá aparecer além da borda lunar
A localização perto do limbo lunar oferece outra possibilidade.
O limbo é o contorno aparente da Lua quando o satélite é observado da Terra.
Se o impacto lançar poeira e fragmentos a uma altura suficiente, parte desse material poderá ultrapassar visualmente a borda iluminada e aparecer contra o fundo escuro do espaço.
Nesse caso, a nuvem ejetada poderia ser mais fácil de distinguir do que o próprio clarão.
“O fato de o impacto ser muito próximo da borda visível pode, na verdade, se revelar uma vantagem. Rochas ejetadas pelo impacto podem formar uma ‘pluma’ que será visível contra o fundo escuro do espaço assim que saírem da Lua”, escreveu Bill Gray ao explicar a previsão.
O astrônomo também ressaltou a incerteza sobre o resultado: “Talvez vejamos o brilho. Talvez vejamos rochas ejetadas da cratera. Talvez vejamos até mesmo ambos”.
Modelos apresentados pelos pesquisadores indicam que o choque poderá abrir uma cratera com aproximadamente 20 a 30 metros de diâmetro.
O formato dependerá do ângulo e da orientação do estágio no momento da queda.
Lua estará visível em parte do continente americano
A colisão está prevista para aproximadamente 6h35 no Tempo Universal, correspondente a cerca de 3h35 no horário de Brasília.
Naquele momento, a Lua estará um pouco mais da metade iluminada e poderá ser observada durante a noite em áreas das Américas.
A presença da Lua no céu não significa que o fenômeno será percebido a olho nu.
Mesmo telescópios amadores poderão não captar qualquer alteração, principalmente se o clarão for fraco ou a nuvem de detritos não atingir altura suficiente.
Os autores do estudo, contudo, incentivam observatórios profissionais e astrônomos amadores equipados a tentar registrar o momento.
O uso simultâneo de vários instrumentos aumenta a possibilidade de confirmar um sinal breve e separar o fenômeno de interferências atmosféricas ou ruídos das câmeras.
A previsão também poderá ser refinada nos dias anteriores ao impacto, quando o objeto estará mais bem posicionado para novas observações.
Com informações adicionais, os pesquisadores esperam reduzir a margem de erro sobre o horário e o ponto da colisão.
Sondas lunares acompanharão o local da colisão
O Lunar Reconnaissance Orbiter, da Nasa, poderá fotografar a região antes e depois do choque.
A comparação das imagens permitirá procurar a cratera recém-formada e medir as alterações produzidas na superfície.
A posição orbital da sonda no horário do impacto, porém, não será adequada para que seu instrumento ultravioleta examine diretamente os gases da pluma.
Ainda assim, imagens posteriores podem revelar o tamanho e o formato da marca deixada pelo estágio.
A sonda sul-coreana Danuri, também chamada de Korea Pathfinder Lunar Orbiter, deverá passar a poucos quilômetros da trajetória do objeto pouco antes da colisão.
Pesquisadores avaliam a possibilidade de usar seus instrumentos para acompanhar o estágio e os efeitos do impacto.
A observação por sondas tende a oferecer uma visão mais detalhada do local, já que a cratera Einstein fica perto da borda lunar e é difícil de examinar a partir da Terra.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

