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Grande Mancha de Lixo do Pacífico maior que a cidade de São Paulo abriga 1,8 trilhão de pedaços de plástico e corrida contra microplásticos usa IA, drones e barreira de 2,2 km para evitar desastre
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 30/07/2026 às 15:34
Atualizado em 30/07/2026 às 15:35
Ciência e Tecnologia
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Gigantesca concentração de resíduos no Pacífico desafia equipes que tentam localizar, interceptar e retirar materiais antes da fragmentação, enquanto tecnologias de monitoramento, navegação e coleta passam a atuar de forma integrada numa operação que combina escala oceânica, precisão de dados e resposta ambiental.
A Grande Mancha de Lixo do Pacífico reúne cerca de 1,8 trilhão de fragmentos plásticos distribuídos por uma área estimada de 1,6 milhão de quilômetros quadrados, dimensão muito superior à do município de São Paulo e equivalente a quase três vezes a extensão da França.
Entre o Havaí e a Califórnia, a região não forma uma ilha sólida de lixo, mas concentra objetos e partículas espalhados pelas correntes oceânicas, cuja posição e densidade variam conforme os ventos, as ondas e as mudanças sazonais registradas no Pacífico.
Com base em expedições marítimas, redes de amostragem e levantamentos aéreos, a The Ocean Cleanup calculou a área ocupada, a massa aproximada e a quantidade de plástico presente nas camadas superficiais dessa extensa zona de acumulação oceânica.
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Microplásticos ampliam o desafio da limpeza oceânica
Expostos continuamente à luz solar, às ondas, à ação de organismos marinhos e às variações de temperatura, garrafas, caixas, cordas, redes e outros objetos maiores sofrem desgaste progressivo, processo que transforma peças visíveis em partículas cada vez menores e difíceis de recolher.
À medida que esses resíduos se convertem em microplásticos, a retirada torna-se mais complexa, enquanto parte das partículas pode se espalhar pela coluna d’água e ser confundida com alimento por animais, ampliando o alcance ambiental de materiais antes concentrados na superfície.
Embora correspondam a uma parcela bem menor da massa total, os microplásticos representam 94% do número estimado de itens da mancha, proporção que evidencia como poucos objetos grandes podem originar enorme quantidade de fragmentos após anos de exposição no ambiente marinho.
Para reduzir esse processo, a estratégia de limpeza prioriza a captura dos materiais maiores antes que se desfaçam, limitando a formação de novas partículas e tentando impedir que resíduos persistentes continuem circulando numa área onde as correntes favorecem sua retenção.
System 03 usa barreira de 2,2 quilômetros
Implantado pela primeira vez em agosto de 2023, o System 03 opera com uma barreira flutuante de aproximadamente 2,2 quilômetros, rebocada lentamente por dois navios e equipada com uma tela que alcança quatro metros abaixo da superfície do oceano.
Durante cada operação, os braços da estrutura conduzem os resíduos até uma zona de retenção que funciona como compartimento concentrador; depois, o material acumulado é levado ao convés, separado e acondicionado para transporte, enquanto a barreira retorna à atividade de coleta.
Sob condições de eficiência máxima, a organização afirma que o sistema consegue varrer uma área equivalente a um campo de futebol a cada cinco segundos, embora o resultado efetivo dependa da concentração de plástico, do clima e do comportamento do mar.
Inteligência artificial ajuda a encontrar o plástico
Localizar resíduos em mar aberto ainda representa uma das principais limitações da operação, pois o plástico não permanece distribuído de maneira uniforme e pode formar pontos de alta densidade que mudam de posição, reduzindo a eficiência de rotas baseadas apenas em mapas anteriores.
Para enfrentar essa dificuldade, a The Ocean Cleanup desenvolveu a Smart Steering Strategy, que reúne modelos computacionais do Pacífico, dados de vento e ondas, medições de correntes, boias equipadas com GPS e algoritmos destinados a indicar trajetos mais promissores.
Além desses recursos, drones aéreos não tripulados utilizam câmeras e sistemas de detecção de objetos para sobrevoar a superfície à frente das embarcações, identificar concentrações de resíduos em tempo real e transmitir as informações à equipe responsável pela navegação.
Testes iniciais conduzidos em 2025 e no começo de 2026 indicaram, nas simulações da organização, que a navegação assistida por drones pode duplicar ou superar a eficiência dos sistemas, projeção que ainda depende de confirmação nas condições reais do Pacífico.
Com saída prevista da Ilha de Vancouver, no Canadá, a Expedição de Dados do Pacífico de 2026 foi programada para julho e agosto, reunindo seis semanas de coleta destinadas a testar a estratégia, observar condições naturais e avaliar sua integração às operações.
Modelos oceânicos recalculam as rotas de coleta
Funcionando como previsões de curto prazo para áreas de maior densidade, os modelos combinam informações ambientais e posições registradas por boias, embora a própria organização reconheça que a precisão diminui quando as projeções ultrapassam alguns dias num oceano sujeito a mudanças constantes.
Nesse cenário, as rotas podem ser recalculadas em janelas de até 48 horas, aproximando as embarcações dos pontos onde os resíduos provavelmente estarão e reduzindo deslocamentos improdutivos, consumo de combustível e períodos de operação sem coleta significativa.
Ao mesmo tempo, a inteligência artificial processa grandes volumes de imagens captadas por câmeras, distingue possíveis objetos plásticos na superfície e transforma observações isoladas em mapas úteis, sem eliminar a conferência humana nem as incertezas associadas ao movimento do mar.
Mesmo com barreiras maiores, navegação orientada por dados e monitoramento aéreo, uma estrutura de poucos quilômetros precisa atuar dentro de uma área de 1,6 milhão de quilômetros quadrados; até onde essas tecnologias avançarão antes que mais resíduos se transformem em microplásticos?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

