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Guajará ( AM) : Seringueiro de 70 anos mantém viva a tradição da extração do látex, o antigo “ouro negro da Amazônia”

Antes mesmo do amanhecer, quando a floresta ainda está envolta pela escuridão, o seringueiro Sebastião Bastião do Gama, de 70 anos, já inicia mais um dia de trabalho no Alto Rio Boa Fé, zona rural do município de Guajará, no Amazonas. Ao lado da esposa, dona Otília, ele preserva uma atividade que marcou a história econômica da Amazônia: a extração do látex da seringueira.

Conhecido entre os extrativistas como o “leite da seringueira”, o látex é retirado por meio de uma técnica tradicional passada de geração em geração. Munido de uma faca de seringa, tigelas para coletar o líquido e um balde para armazená-lo, Sebastião percorre a mata a partir das 4 horas da manhã, realizando os cortes precisos no tronco das árvores para que o látex escorra lentamente.

Durante a caminhada pela floresta, o seringueiro também leva uma espingarda a tiracolo, costume comum entre os trabalhadores da região para proteção contra animais silvestres e outros riscos encontrados no interior da mata.

A atividade remete ao período em que a borracha era conhecida como o “ouro negro da Amazônia”, responsável por impulsionar a economia da região durante o Primeiro Ciclo da Borracha, no final do século XIX e início do século XX, e novamente durante o Segundo Ciclo da Borracha, motivado pela demanda da Segunda Guerra Mundial.

Mesmo com a redução da atividade extrativista ao longo das últimas décadas, famílias como a de Sebastião e dona Otília continuam mantendo viva essa tradição, demonstrando o conhecimento, a resistência e a importância cultural dos povos da floresta. O trabalho diário representa não apenas uma fonte de sustento, mas também a preservação de um modo de vida que ajudou a construir a história da Amazônia.

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