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Guilherme, aos 24 anos, troca o estetoscópio pela vassoura de coletor de lixo todas as noites em Presidente Prudente; de dia, ele veste o jaleco e enfrenta uma rotina de 16 horas atrás de um único sonho: se tornar médico

Guilherme, aos 24 anos, troca o estetoscópio pela vassoura de coletor de lixo todas as noites em Presidente Prudente; de dia, ele veste o jaleco e enfrenta uma rotina de 16 horas atrás de um único sonho: se tornar médico

SP

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Guilherme, aos 24 anos, troca o estetoscópio pela vassoura de coletor de lixo todas as noites em Presidente Prudente; de dia, ele veste o jaleco e enfrenta uma rotina de 16 horas atrás de um único sonho: se tornar médico

Escrito por Felipe Alves da Silva

Publicado em 30/07/2026 às 16:39

Atualizado em 30/07/2026 às 16:40

Curiosidades

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Guilherme concilia a faculdade de medicina com o trabalho como coletor de lixo em Presidente Prudente (SP)

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Enquanto os colegas de classe conheciam apenas o rapaz do primeiro ano de medicina, os moradores da cidade viam o mesmo jovem recolher lixo pelas ruas todas as noites, sem imaginar que ele dividia os estudos com uma jornada de 16 horas longe de casa

Presidente Prudente, no interior de São Paulo, a cerca de 550 quilômetros da capital paulista, é o cenário de uma história que expõe, lado a lado, dois mundos aparentemente distantes. De um lado, uma sala de aula de faculdade particular, onde se discute vascularização do miocárdio. Do outro, as ruas da cidade, percorridas de caminhão, catando lixo até altas horas da noite. Entre esses dois universos, um único protagonista: Guilherme, de 24 anos, que decidiu que nenhum obstáculo seria grande o suficiente para impedi-lo de se tornar médico.

Segundo reportagem exibida pelo programa Domingo Espetacular, da Record TV, a rotina do jovem começa cedo e só termina perto da meia-noite. Pela manhã e à tarde, ele cursa o primeiro ano de medicina em período integral. À noite, veste o uniforme de coletor de lixo e embarca na equipe da prefeitura para uma jornada de aproximadamente seis horas pelas ruas da cidade. Ao todo, são 16 horas diárias fora de casa — uma equação exaustiva, sustentada, segundo ele próprio relata, pela certeza de que vale a pena.

Da sala de aula ao pátio da prefeitura: a dupla jornada de Guilherme

Guilherme, 24 anos, estuda medicina de dia em Presidente Prudente e recolhe lixo à noite para bancar a faculdade. Veja a rotina dele. Imagem: Divulgação

A chegada de Guilherme ao curso de medicina não passou despercebida entre os colegas. Mais do que um estudante, ele se tornou, para muitos, uma referência de superação dentro da própria turma. “O Guilherme não aceitou a cadeira de vítima. Ele levantou. Essa não é minha. E foi para frente”, resume um colega de classe, ao comentar a postura do rapaz diante das dificuldades.

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A mensalidade da faculdade gira em torno de R$ 12 mil e é financiada em 90% pelo governo federal — o restante, Guilherme paga com o próprio suor, literalmente. Quando começar a exercer a profissão, ele quitará aos poucos o valor emprestado. Nesse meio-tempo, contudo, a rotina não dá trégua: logo depois das aulas, ele segue direto para o pátio da prefeitura, onde começa a segunda jornada do dia ao lado da equipe de coleta de lixo.

Pelas ruas, Guilherme é recebido com carinho pelos moradores — muitos dos quais nem imaginam que aquele coletor estuda medicina. Uma senhora, inclusive, chega a presenteá-lo com frutas, sem fazer ideia da rotina dupla do rapaz. “Vocês não fazem ideia do que ele é humilde. Passa aqui, não tem vergonha”, relata, orgulhosa, ao descobrir a verdadeira trajetória do jovem. Já os colegas de trabalho na coleta de lixo enxergam em Guilherme um exemplo diário de resiliência: “O nosso trabalho já é pesado. Estudar medicina não é fácil. Pra gente, é vitória”, resume um deles.

Uma família que aposta nos estudos: mãe técnica de enfermagem forma dois filhos na medicina

Por trás da determinação de Guilherme, existe uma história de criação que ajuda a explicar tanta disciplina. A mãe, Sueli, já trabalhou como diarista e, há quase 30 anos, atua como técnica de enfermagem. Para ela, ver o filho como estudante de medicina é fruto direto da força de vontade que sempre tentou incutir nos filhos. “É o caráter, é a índole, é aquilo que eu sempre bati com eles, sempre conversei, incentivei que não importasse o que eles quisessem na vida, corressem atrás, produzissem”, afirma.

A alegria, aliás, é dobrada dentro de casa: Júlia, irmã de Guilherme, de 19 anos, também cursa o primeiro ano de medicina, em outra cidade. Ter dois filhos na faculdade de medicina ao mesmo tempo é, segundo a própria mãe descreve, “gratidão” — palavra que ela repete ao falar sobre o momento que a família vive. “A gente emociona, né? Porque a gente vê uma história de vida. A gente, quando põe um filho no mundo, tem que desenhar o que quer para eles também. E eu fiz isso, eu desenhei e acreditei. Eu tinha muita fé que eles iam ser pessoas boas”, completa Sueli, visivelmente emocionada.

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Corrida, resistência e um sonho maior que o cansaço

Se alguém imagina que, no único dia de folga, Guilherme aproveita para descansar, engana-se. Aos domingos, sua única pausa na semana, ele corre. As distâncias variam entre 5 e 10 quilômetros por sessão, somando um total que impressiona ao longo do período — a ponto de arrancar brincadeiras de quem acompanha sua rotina, como “o tanque tá cheio, hein?”, ouvida durante a coleta de lixo.

Mais do que exercício físico, a corrida parece funcionar como uma metáfora da própria vida de Guilherme: resistência, ritmo e foco no destino final. Ainda assim, é na comparação entre os dois universos que ele transita diariamente que o jovem encontra suas reflexões mais maduras. “Dentro do meu trabalho, eu vejo pessoas reclamando que não têm dinheiro para pagar uma conta de água. Na minha faculdade, eu vejo gente reclamando que não tem tempo de ir à academia. São dois mundos diferentes. Eu tô entrando nesses dois mundos, mas sempre tento tirar um bom proveito disso tudo. E o que eu consigo levar daquilo pra minha vida, eu levo”, reflete.

Por trás dessa reflexão, existe uma coincidência quase simbólica: um dos últimos pontos da rota de coleta de lixo é, exatamente, a própria universidade onde ele estuda. De dia, Guilherme entra pelo portão da frente, como qualquer outro aluno. À noite, recolhe o lixo pelo portão dos fundos do mesmo prédio — um contraste que resume, em uma única cena, a dualidade de sua rotina.

Enquanto isso, a expectativa é que essa realidade seja passageira. Formado, Guilherme poderá deixar a coleta de lixo para trás e se dedicar integralmente à medicina. Por ora, contudo, ele segue repetindo a mesma lógica que aplica a cada disciplina, a cada turno de trabalho e a cada quilômetro corrido aos domingos: fazer um pouco mais, todos os dias. “Eu acho que quando a gente consegue fazer um pouquinho mais todos os dias, a gente deixa de ser o básico. E quando a gente deixa de ser o básico, a gente começa a ser importante. Eu acho que pessoas importantes buscam coisas grandes e quem busca coisas grandes acaba se tornando grandes pessoas”, resume o próprio Guilherme, ao encerrar mais um dia de dupla jornada.

A história de Guilherme foi contada em reportagem especial exibida pelo Domingo Espetacular, atração dominical da Record TV dedicada a histórias de superação em diferentes regiões do país.

Você enxerga na trajetória do Guilherme a prova de que dedicação supera qualquer barreira, ou ela escancara o quanto o sistema exige de quem não tem tempo, dinheiro ou apoio para estudar em paz? Se você também já dividiu — ou ainda divide — um emprego pesado com uma faculdade concorrida, o que mais roubou sua energia: a falta de sono, a correria entre um compromisso e outro, ou o medo de não dar conta de nenhum dos dois? Deixe sua resposta aqui embaixo.

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Felipe Alves da Silva

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

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