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Guindaste desabou ao içar teto de mais de 450 toneladas durante construção de estádio nos Estados Unidos, matou três operários em queda de quase 90 metros, atrasou inauguração por um ano e levou arena a erguer estátuas de trabalhadores no lugar de jogadores

Guindaste desabou ao içar teto de mais de 450 toneladas durante construção de estádio nos Estados Unidos, matou três operários em queda de quase 90 metros, atrasou inauguração por um ano e levou arena a erguer estátuas de trabalhadores no lugar de jogadores

6 min de leitura

Guindaste desabou ao içar teto de mais de 450 toneladas durante construção de estádio nos Estados Unidos, matou três operários em queda de quase 90 metros, atrasou inauguração por um ano e levou arena a erguer estátuas de trabalhadores no lugar de jogadores

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 25/07/2026 às 23:15

Atualizado em 25/07/2026 às 23:16

Acidentes

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O guindaste Big Blue desabou em 14 de julho de 1999 durante a construção do Miller Park, estádio de beisebol localizado em Milwaukee, nos Estados Unidos.

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O desastre do guindaste Big Blue no Miller Park expôs falhas no içamento do teto retrátil, envolveu vento, solo e controle de carga, atrasou a arena e deixou uma homenagem permanente aos três operários mortos em Milwaukee.

O guindaste Big Blue desabou em 14 de julho de 1999 durante a construção do Miller Park, estádio de beisebol localizado em Milwaukee, nos Estados Unidos. A máquina içava uma seção do teto retrátil com mais de 450 toneladas quando perdeu a estabilidade e caiu sobre a área da obra.

Jeffrey Wischer, William DeGrave e Jerome Starr acompanhavam a operação dentro de uma plataforma suspensa. A estrutura foi atingida durante o colapso e os três operários morreram após uma queda próxima de 90 metros. O acidente interrompeu os trabalhos e atrasou a inauguração do estádio por um ano.

A Occupational Safety and Health Administration, OSHA, agência federal americana de segurança do trabalho, informa que os ventos naquele dia variaram entre 20 e 21 milhas por hora, com rajadas de 26 a 27 milhas por hora, enquanto a lança do guindaste estava classificada para operar com ventos de até 20 milhas por hora.

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O órgão também registrou que o Big Blue afundou cerca de 30 centímetros no solo durante o levantamento inicial da seção do teto.

O teto de mais de 450 toneladas exigia controle total da operação

A seção do teto retrátil pesava mais de 450 toneladas e precisava ser levantada até o ponto onde seria instalada. Esse tipo de movimentação é chamado de içamento, nome usado para o levantamento de peças pesadas com guindastes.

Durante um içamento dessa dimensão, não basta verificar se a máquina consegue tirar a peça do chão. A equipe precisa considerar o peso real, a posição da carga, a força do vento, a firmeza do solo e os limites estabelecidos para o equipamento.

Qualquer deslocamento inesperado pode aumentar o esforço sobre o guindaste. Uma peça de cobertura tão grande também recebe pressão lateral do vento, o que pode puxar a carga para o lado e comprometer a estabilidade da máquina.

Jeffrey Wischer, William DeGrave e Jerome Starr estavam em uma plataforma elevada para acompanhar o posicionamento. Quando o Big Blue começou a cair, a estrutura do guindaste atingiu a plataforma e impediu qualquer possibilidade de fuga.

O momento registrado em vídeo revelou a velocidade do colapso

A queda do guindaste Big Blue foi registrada em vídeo. As imagens captaram o momento em que a estrutura perdeu estabilidade e desabou dentro do canteiro de obras, transformando uma operação planejada em uma tragédia em poucos instantes.

Assista o vídeo

O registro ajuda a entender a dimensão do perigo, mas não explica sozinho todas as causas. O vídeo mostra o resultado final de problemas que já estavam presentes antes da queda, como as condições ambientais, a carga suspensa e a preparação da base.

Também fica evidente o risco enfrentado por trabalhadores colocados perto de uma peça pesada suspensa. Quando um guindaste perde estabilidade, centenas de toneladas podem se mover sem controle, atingindo máquinas, estruturas e pessoas ao redor.

O caso tornou conhecido um ponto básico da segurança em grandes obras: uma operação não deve continuar apenas porque já começou. Mudanças no vento, no solo ou no comportamento da carga precisam provocar uma nova avaliação antes da continuidade do trabalho.

A investigação identificou falhas que foram além do vento

A Occupational Safety and Health Administration, agência federal americana de segurança do trabalho, detalhou falhas na consideração do vento, no respeito aos limites do fabricante, no controle da capacidade do guindaste e na proteção dos trabalhadores próximos à carga suspensa.

A investigação também identificou problemas na calibração do indicador de carga. Esse sistema informa à equipe quanto peso o guindaste está suportando e ajuda a mostrar quando a máquina se aproxima de um limite perigoso.

Outro ponto envolveu as condições de apoio do equipamento. O peso do guindaste e da carga precisava ser distribuído sobre uma base capaz de permanecer firme durante toda a operação.

Por isso, explicar o acidente apenas como consequência do vento esconde parte importante do caso. Carga, solo, cálculo, operação e coordenação precisavam funcionar juntos para que o levantamento fosse seguro.

Vento e solo macio formaram uma combinação perigosa

O vento exercia força sobre o guindaste e sobre a grande seção do teto. Quanto maior a superfície da peça, maior pode ser o efeito dessa pressão lateral durante a movimentação.

O solo macio também apresentou sinais de dificuldade para sustentar o equipamento. O guindaste chegou a afundar no terreno durante uma movimentação realizada antes do colapso, indicando que a base exigia mais atenção.

A fundação de um guindaste é a área preparada para receber e distribuir seu peso. Quando o solo cede, mesmo que parcialmente, a máquina pode perder o nivelamento necessário para sustentar uma carga pesada.

Esses sinais precisavam ser analisados em conjunto. A presença de vento não eliminava a importância do terreno, assim como uma base firme não resolveria uma operação acima dos limites seguros de carga.

Novos controles mudaram a continuação da construção

Depois do acidente, a obra recebeu um novo guindaste equipado com aparelhos para medir o vento na ponta da lança. Esses aparelhos são chamados de anemômetros e permitem acompanhar a velocidade do vento durante o trabalho.

Também foi implantado o monitoramento computadorizado da carga, que ajuda a equipe a verificar continuamente o peso suportado pela máquina. Bases de apoio mais adequadas foram instaladas para distribuir melhor a pressão sobre o solo.

A velocidade do vento passou a ser medida tanto no guindaste quanto na cobertura do estádio. As forças provocadas pelo vento também passaram a ser calculadas antes de cada nova movimentação.

Essas mudanças fizeram com que carga, terreno e condições ambientais fossem avaliados como partes da mesma operação. A intenção era impedir que um risco isolado fosse ignorado enquanto as equipes se concentravam apenas no cumprimento do cronograma.

A estátua ocupou o espaço onde muitos esperariam encontrar jogadores

Do lado de fora de um estádio cercado por referências esportivas, três homens aparecem usando capacetes, botas e roupas de obra. Eles não representam jogadores famosos, treinadores ou dirigentes do beisebol.

A estátua ocupou o espaço onde muitos esperariam encontrar jogadores

A escultura recebeu o nome Teamwork, palavra que significa trabalho em equipe. As figuras representam Jeffrey Wischer, William DeGrave e Jerome Starr, os três operários mortos durante a queda do Big Blue.

O monumento também presta homenagem aos demais trabalhadores envolvidos na construção do Miller Park. A escolha coloca os responsáveis por erguer a arena em uma posição de destaque normalmente reservada aos grandes nomes do esporte.

A escultura não apaga os ídolos esportivos do estádio. Ela cria um contraste direto e lembra que, antes das partidas, dos torcedores e dos recordes, milhares de trabalhadores precisaram construir cada parte da arena.

A queda do guindaste Big Blue matou três operários, adiou a abertura do Miller Park por um ano e levou a obra a adotar controles mais rígidos para vento, carga e preparação do solo. O monumento manteve os nomes das vítimas ligados para sempre à história do estádio.

Quando vento, solo e carga levantam dúvidas, algum prazo justifica continuar uma obra? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe esta história.

Fonte

OSHA


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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