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Homem com tetraplegia volta a alimentar-se, beber em copo e sentir o toque da irmã após cirurgia de 15 horas para instalar implante cerebral com inteligência artificial, sistema que contorna lesão na medula, estimula músculos e permite segurar cascas de ovos sem quebrá-las em 87% das tentativas
Escrito por Carla Teles
Publicado em 22/07/2026 às 16:33
Ciência e Tecnologia
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Sistema experimental usa cinco conjuntos de microeletrodos e algoritmos para interpretar intenções de movimento, estimular músculos do antebraço e recriar sensações táteis, enquanto Keith Thomas recupera força duradoura, realiza tarefas cotidianas sozinho e mantém parte dos ganhos mesmo quando a tecnologia permanece desligada fora das sessões clínicas de pesquisa médica.
Um implante cerebral combinado com inteligência artificial permitiu que Keith Thomas, homem que vive com tetraplegia após um acidente de mergulho ocorrido em 2020, recuperasse movimentos e sensibilidade no braço e na mão. O tratamento experimental foi desenvolvido pelos Institutos Feinstein de Pesquisa Médica, em Nova York, nos Estados Unidos.
As informações foram publicadas pela Popular Science em 16 de julho de 2026, após a divulgação dos resultados da pesquisa na revista científica Nature Medicine. A atualização mostrou que Thomas passou a alimentar-se, beber em um copo, tocar o próprio rosto e sentir novamente o contato da mão da irmã.
Acidente interrompeu a comunicação entre cérebro e corpo
Keith Thomas sofreu uma lesão grave na medula espinhal durante um acidente de mergulho em 2020. A condição comprometeu a comunicação entre o cérebro e as regiões do corpo localizadas abaixo da lesão, deixando-o com movimentos extremamente limitados nos braços e sem controle funcional das mãos.
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A medula funciona como uma via de transmissão para sinais motores e sensoriais. O cérebro podia continuar produzindo a intenção de mexer o braço ou fechar a mão, mas a lesão impedia que a mensagem percorresse naturalmente o caminho até os músculos.
Cirurgia cerebral aberta durou 15 horas
Em 2023, Thomas foi submetido a uma cirurgia cerebral aberta que durou aproximadamente 15 horas. Durante o procedimento, especialistas instalaram cinco conjuntos de microeletrodos em regiões relacionadas ao controle do movimento e à percepção do tato.
O implante cerebral integra um sistema chamado de dupla ponte neural, criado para estabelecer uma comunicação bidirecional entre o cérebro e o corpo. A proposta não é retirar ou reparar diretamente a parte lesionada da medula, mas construir rotas tecnológicas capazes de contornar a interrupção.
Inteligência artificial interpreta a intenção de movimento
Quando Thomas pensa em movimentar o braço ou a mão, os microeletrodos registram padrões de atividade cerebral. Algoritmos de aprendizado de máquina analisam esses sinais e procuram identificar qual ação o participante pretende executar.
O sistema alcançou precisão próxima de 85% na interpretação das intenções de movimento descritas no estudo. Depois de reconhecer o comando cerebral, a tecnologia converte a informação em padrões de estimulação elétrica enviados aos músculos do antebraço.
Estímulos fazem os músculos responderem ao pensamento
Eletrodos posicionados sobre a pele estimulam os músculos necessários para produzir o movimento pretendido. Dessa forma, o pensamento de agarrar um objeto pode ser transformado em contrações coordenadas do braço, do punho e da mão.
Essa etapa diferencia o implante cerebral de sistemas usados apenas para controlar cursores, computadores ou membros robóticos. Neste experimento, o objetivo é empregar a própria musculatura do participante para recuperar ações funcionais no cotidiano.
Órtese com sensores ajuda a recriar a sensação de toque
O sistema também inclui uma órtese produzida por impressão 3D e equipada com sensores de pressão. Quando Thomas segura um objeto, esses componentes medem a força aplicada e enviam informações para o equipamento responsável pela estimulação cerebral.
Os sinais são convertidos em estímulos direcionados ao córtex sensorial, produzindo uma percepção de contato. A dupla ponte neural permite, portanto, que informações saiam do cérebro para mover a mão e façam o caminho inverso para recriar parte da sensação de toque.
Cascas de ovos testaram o controle da força
Para avaliar a precisão dos movimentos, os pesquisadores propuseram tarefas com objetos delicados. Thomas conseguiu pegar e levantar cascas de ovos vazias sem quebrá-las em aproximadamente 87% das tentativas relatadas.
O teste exige mais do que simplesmente fechar a mão, porque o participante precisa aplicar força suficiente para sustentar a casca sem esmagá-la. A capacidade de ajustar a pressão mostra a importância de combinar movimento e retorno sensorial no mesmo sistema experimental.
Alimentar-se e beber sozinho ampliaram a autonomia
Com o treinamento, Thomas passou a segurar talheres, levar alimentos à boca, levantar um copo e beber sem a mesma assistência exigida anteriormente. Ele também relatou conseguir coçar o rosto e enxugar os olhos em atividades realizadas fora das demonstrações mais controladas.
Esses movimentos podem parecer simples para pessoas sem lesão medular, mas dependem da coordenação entre ombro, braço, punho, dedos e percepção tátil. A recuperação permitiu que tarefas cotidianas voltassem a ser realizadas com um grau maior de independência.
Toque da irmã voltou a ser percebido
A estimulação sensorial permitiu que Thomas voltasse a sentir experiências que haviam desaparecido depois do acidente. Entre elas estão o contato da mão da irmã e a textura do pelo de seu animal de estimação.
O retorno do tato também possui uma função prática, pois ajuda a reconhecer quando um objeto está escapando ou sendo pressionado excessivamente. Para o participante, porém, a recuperação ultrapassa o aspecto mecânico e restabelece formas de contato pessoal interrompidas pela tetraplegia.
Parte dos ganhos permanece com o sistema desligado
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Os pesquisadores observaram que algumas melhoras de força e sensibilidade continuaram mesmo quando o equipamento não estava ligado. Essa permanência sugere que o treinamento repetido pode ter favorecido mudanças nas conexões preservadas do sistema nervoso.
A hipótese é que a estimulação combinada ajude o cérebro e a medula a aproveitar caminhos neurais que permaneceram saudáveis depois da lesão. Os responsáveis pela pesquisa descrevem esse processo como uma possível reprogramação do sistema nervoso, e não somente como um desvio eletrônico temporário.
Resultados ainda pertencem a um estudo experimental
Apesar dos avanços, o implante cerebral não representa uma cura comprovada para a tetraplegia. Os resultados apresentados correspondem à experiência de um participante, submetido a cirurgia invasiva, acompanhamento intensivo e treinamento prolongado com uma equipe especializada.
Também não é possível afirmar que pessoas com diferentes tipos ou extensões de lesão responderão da mesma maneira. Ensaios clínicos com mais participantes serão necessários para avaliar segurança, duração dos ganhos, limitações e possibilidade de uso fora de centros de pesquisa.
Próxima etapa busca incluir outros pacientes
A equipe pretende aprimorar o sistema e ampliar os estudos para pessoas com diferentes níveis de lesões medulares e outras condições neurológicas. Entre os desafios estão reduzir a complexidade dos equipamentos, facilitar a calibração e tornar o uso menos dependente do ambiente clínico.
O caso de Keith Thomas mostra que um implante cerebral pode integrar intenção, movimento e tato em uma mesma interface, mas ainda há um caminho científico e regulatório antes de uma aplicação ampla. Você acredita que tecnologias invasivas como essa devem avançar rapidamente ou passar por períodos ainda mais longos de testes? Compartilhe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

