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Homem faz gambiarra genial com plástico reciclado e módulos triangulares e cria estrutura brasileira que vence prêmios internacionais; sistema suporta vãos de 20 metros e pode retirar 300 garrafas PET por metro quadrado

Homem faz gambiarra genial com plástico reciclado e módulos triangulares e cria estrutura brasileira que vence prêmios internacionais; sistema suporta vãos de 20 metros e pode retirar 300 garrafas PET por metro quadrado

7 min de leitura

Homem faz gambiarra genial com plástico reciclado e módulos triangulares e cria estrutura brasileira que vence prêmios internacionais; sistema suporta vãos de 20 metros e pode retirar 300 garrafas PET por metro quadrado

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 31/07/2026 às 20:30

Ciência e Tecnologia, Curiosidades

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Prismas triangulares, plástico reciclado e uma ideia brasileira pouco conhecida se unem em uma tecnologia premiada no exterior, criada pelo paraibano Reginaldo Marinho para formar grandes coberturas, reaproveitar resíduos e explorar uma geometria capaz de reduzir a necessidade de colunas internas.

O inventor paraibano Reginaldo Marinho desenvolveu um sistema construtivo que transforma resina plástica em módulos triangulares capazes de formar grandes coberturas autoportantes, reunindo geometria, reaproveitamento de materiais e uma proposta diferente das estruturas tradicionais usadas na construção civil.

Batizada de Construcell, a tecnologia recebeu medalhas de ouro em eventos internacionais e teve testes estruturais aprovados para vãos de até 20 metros, segundo informações publicadas pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil sobre o projeto brasileiro.

Estrutura brasileira usa prismas triangulares de plástico

Formado por prismas triangulares leves, o sistema utiliza peças unidas por parafusos ou cola apropriada, enquanto as faces laterais funcionam como treliças e ajudam a distribuir os esforços por várias direções quando os módulos são combinados.

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Ao se conectarem, essas unidades dão origem a uma casca cilíndrica semelhante aos arcos romanos, configuração que amplia a rigidez do conjunto e permite transformar pequenos componentes repetidos em superfícies curvas, vigas e coberturas de grandes dimensões.

No centro da invenção está a geometria do triângulo, uma forma resistente à deformação que possibilita organizar várias peças em uma estrutura maior, sem abandonar o princípio modular que orienta todo o desenho desenvolvido por Reginaldo Marinho.

Quando essa repetição é aplicada em escala, surge um sistema de vigas polidirecionadas que, conforme o relato do inventor divulgado pelo CAU/BR, permite criar coberturas amplas sem a presença de colunas internas no espaço central.

Coberturas sem colunas ampliam as aplicações

Entre as aplicações apresentadas para o Construcell estão estádios, hangares, galpões industriais, centros de convenções, espaços culturais, armazéns, silos e estufas, todos ambientes que podem exigir áreas internas livres para circulação, operação de máquinas ou acomodação de equipamentos.

Nessas construções, a ausência de pilares no centro facilita o uso do espaço, pois mantém a cobertura apoiada nas extremidades previstas pelo projeto estrutural e reduz obstáculos em locais destinados ao movimento de pessoas, veículos ou estruturas de grande porte.

Dependendo da finalidade, os módulos podem ser fabricados em versões transparentes, translúcidas ou opacas, escolha que interfere na passagem de luz e permite adaptar a mesma geometria a diferentes tipos de cobertura, sem modificar o princípio básico do sistema.

Nas peças transparentes, a proposta é aproveitar a iluminação natural, enquanto os módulos opacos foram indicados pelo criador para edificações como hangares e galpões, onde a proteção do ambiente pode ter prioridade sobre a entrada direta de luz.

Em estádios cobertos, Reginaldo Marinho apresentou o uso de componentes transparentes ou translúcidos para favorecer a incidência luminosa sobre o gramado, evitando que a cobertura bloqueie completamente a radiação necessária ao processo de fotossíntese da vegetação.

Essa característica diferencia o projeto de estruturas metálicas opacas usadas para sustentar materiais transparentes, pois a própria composição modular pode permitir a passagem de luz sem exigir, em toda a área, uma armação convencional feita com grandes elementos metálicos.

Plástico reciclado pode virar matéria-prima

Além da geometria incomum, o aspecto ambiental aparece na escolha da matéria-prima, já que os módulos podem ser produzidos com resinas recicladas e incorporar resíduos que, depois de processados, retornam ao ciclo produtivo como componentes de uma estrutura construtiva.

Segundo a estimativa apresentada ao CAU/BR, cada metro quadrado de área coberta pode reaproveitar o equivalente a 300 garrafas PET, número que aproxima o projeto do debate sobre reciclagem, descarte de plástico e novas aplicações para materiais pós-consumo.

O conceito não se limita ao PET, porque também foi associado ao uso de calcita, bentonita, fibras vegetais de bambu, sisal e coco, além de resíduos de madeira conhecidos como pó de serra, conforme a descrição publicada sobre a invenção.

Outra possibilidade indicada pelo inventor envolve resíduos de bentonita empregados como lubrificantes na perfuração de poços de petróleo, desde que esse material seja transformado em insumo apropriado para o processo industrial de fabricação dos módulos triangulares.

Testes estruturais alcançam vãos de 20 metros

Para verificar o comportamento das peças, o engenheiro Argemiro Brito realizou testes estruturais citados pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo, nos quais o Construcell foi avaliado com prismas de três milímetros de espessura organizados em uma cobertura modular.

Os ensaios aprovaram o emprego da tecnologia em vãos de 20 metros, enquanto a justaposição de dois prismas formava vigas de seis milímetros, configuração utilizada para analisar a resistência e a distribuição das cargas no conjunto.

Além da espessura e da geometria, o projeto prevê tratamento das resinas contra chamas e raios ultravioleta, medidas relacionadas à exposição constante ao sol e às exigências de segurança aplicáveis a coberturas instaladas em edificações de grande porte.

Esses cuidados ganham importância em ambientes com presença frequente de pessoas, veículos ou equipamentos, pois o desempenho da estrutura depende não apenas do formato dos módulos, mas também do material empregado e da proteção recebida durante a fabricação.

Montagem modular facilita o transporte

Pensada para ocorrer no próprio local da obra, a montagem utiliza peças fabricadas previamente e transportadas na quantidade necessária, permitindo que unidades menores sejam combinadas até alcançar as dimensões definidas no projeto estrutural de cada construção.

Em vez de levar grandes componentes prontos até o canteiro, a proposta organiza a cobertura por meio de módulos leves, que podem ser encaixados e fixados conforme o formato previsto, facilitando a logística associada ao deslocamento e ao armazenamento das peças.

Essa flexibilidade não elimina a necessidade de cálculo específico, porque cada aplicação depende da espessura dos módulos, do tipo de resina, do sistema de fixação, do desenho da cobertura e das cargas previstas para a edificação.

Mesmo preservando o prisma triangular como elemento básico, o sistema pode assumir dimensões e formatos diferentes, desde que a combinação das unidades respeite o dimensionamento necessário para garantir o comportamento estrutural esperado em cada tipo de projeto.

Invenção brasileira recebeu prêmios internacionais

Fora do Brasil, o Construcell recebeu medalhas de ouro no 28º Salão de Invenções e Novas Tecnologias de Genebra e no evento BBC Tomorrow’s World Live, reconhecimento obtido por uma criação baseada em geometria modular e resina plástica.

As premiações deram visibilidade internacional a uma tecnologia brasileira que transforma um princípio geométrico simples em cobertura autoportante, associando o uso de módulos repetidos à possibilidade de incorporar materiais reciclados na composição de cada peça produzida.

No país, a empresa criada para desenvolver a invenção participou do programa Prime, ligado à Financiadora de Estudos e Projetos, iniciativa voltada ao apoio de empresas inovadoras em diferentes setores tecnológicos, industriais e produtivos.

Conforme o CAU/BR, o empreendimento ficou em primeiro lugar na classificação e recebeu nota dez no grau de inovação, resultado que colocou o sistema entre as propostas avaliadas pelo programa de incentivo ao desenvolvimento de novas empresas.

Geometria inspirou a criação de Reginaldo Marinho

Natural da Paraíba, Reginaldo Marinho atuou como jornalista e dedicou décadas ao ensino e à divulgação da geometria descritiva, área que serviu de referência para a criação dos módulos e para a lógica estrutural adotada no Construcell.

Embora tenha iniciado estudos de Engenharia sem concluir o curso, o inventor concentrou sua trajetória no desenvolvimento e na apresentação da tecnologia, usando conhecimentos geométricos para transformar prismas triangulares em uma malha capaz de sustentar grandes coberturas.

A repetição de uma única forma resolve diferentes necessidades dentro do sistema, porque os prismas deixam de funcionar isoladamente quando são conectados e passam a compor arcos, vigas e superfícies curvas com esforços distribuídos entre várias direções.

Desse arranjo surge a rigidez do conjunto, determinada pela disposição dos triângulos, pelo modo como as conexões são feitas e pela relação entre o material utilizado, a espessura das peças e as cargas consideradas no cálculo.

As dimensões finais não dependem apenas da quantidade de módulos, já que o tipo de resina, o formato da cobertura, o sistema de fixação e o uso previsto para a edificação também influenciam o dimensionamento da estrutura.

Os vãos de 20 metros mencionados pelo CAU/BR correspondem aos testes realizados com a configuração descrita pela instituição, referência técnica que ajuda a compreender o alcance apresentado para o sistema em condições específicas de ensaio.

Ao reunir garrafas PET que podem retornar como matéria-prima, prismas pequenos que formam uma grande cobertura e um espaço interno livre de colunas, a invenção combina reciclagem, geometria e construção civil em uma mesma proposta brasileira.

Você imaginaria que o plástico de centenas de garrafas descartadas poderia reaparecer sobre um galpão, estádio ou hangar, transformado em módulos triangulares capazes de compor uma cobertura ampla e manter o espaço interno livre de colunas?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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