O primeiro-ministro da Hungria, Péter Magyar (foto em destaque), anunciou a suspensão das transmissões de veículos de comunicação públicos ligados a Viktor Orbán, premiê de 2010 a 2026. O objetivo de Magyar, que derrotou Orbán nas eleições de abril, é reformular a mídia pública para torná-la “independente e confiável”.
Eleições na Hungria
- Em 12 de abril, o Conselho Nacional Eleitoral registrou que o Tisza, partido de centro-direita liderado por Magyar, teve 54% dos votos e conquistou ao menos dois terços das 199 vagas do parlamento.
- O avanço de Péter Magyar, ex-integrante do próprio Fidesz que rompeu com a sigla em 2024, redesenhou o cenário político húngaro.
- Líder da extrema-direita da Hungria, Viktor Orbán comandou o país entre 1998 e 2002. Em 2010, voltou ao poder, e seguiu por mais 16 anos.
- O governo dele ficou marcado pela forte centralização institucional, influência sobre a mídia e aproximação com líderes como Donald Trump e Vladimir Putin. O húngaro também demonstrava proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Magyar descreveu, no Facebook, o momento como histórico e que marca o “fim das transmissões de propaganda nas plataformas de mídia pública”. Ele anunciou que é o fim das mentiras propagadas nos canais.
Durante os 16 anos do governo Orbán, o controle da mídia foi um pilar central. Ao longo da gestão, ele transformou o país da Europa Central em uma democracia autodenominada “iliberal”, o que instalou um conflito com as normas da UE.
Na tarde dessa terça-feira, a estação de rádio Kossuth e a emissora de televisão M1 interromperam as transmissões com a mensagem: “Os meios de comunicação públicos não devem mentir. Pedimos desculpas por termos feito isso durante tanto tempo.”
Em uma tela preta, outra mensagem informou que a M1 será reformada para se tornar independente e confiável. “Nossa programação de notícias está temporariamente suspensa. Fiquem ligados!”.
Outros programas de serviço público não serão afetados pelas mudanças.
Viktor Orbán publicou em suas redes sociais que esse é “mais um exemplo da tirania do Tisza” e sugerindo que os telepectadores “interessados na verdade” assistissem ao canal Hír TV, ligado ao seu partido Fidesz.

