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Hungria: projétil de antiga catapulta pode ter sido encontrado no leito seco do rio Danúbio após seca histórica
Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 31/07/2026 às 13:03
Atualizado em 31/07/2026 às 13:04
Ciência e Tecnologia
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Seca histórica no rio Danúbio continua revelando vestígios surpreendentes do passado na Hungria, e uma pedra de formato incomum agora desperta o interesse de arqueólogos, que investigam se o objeto foi usado como munição por antigas catapultas durante cercos medievais ou até mesmo na época romana.
Uma seca sem precedentes na Hungria pode ter levado a uma descoberta arqueológica impressionante. A redução drástica do nível do rio Danúbio revelou uma pedra de formato quase perfeitamente esférico que chamou a atenção de um morador nas proximidades de Visegrád. Agora, especialistas acreditam que o objeto pode ser um antigo projétil de catapulta utilizado em conflitos ocorridos há centenas ou até milhares de anos.
Segundo informações divulgadas pela Euronews em reportagem publicada em 29 de julho de 2026, arqueólogos do Museu Rei Matias, em Visegrád, irão analisar o artefato para confirmar sua origem. A descoberta ocorre justamente no momento em que o Danúbio enfrenta um dos períodos mais críticos de estiagem já registrados.
Rio Danúbio atinge nível histórico e revela áreas que permaneceram submersas durante séculos
O cenário atual impressiona até mesmo especialistas em recursos hídricos. Na manhã de quarta-feira (29), o nível do Danúbio em Budapeste atingiu apenas 23 centímetros, segundo a Direção-Geral de Recursos Hídricos da Hungria. O índice superou o antigo recorde negativo registrado em 2018, quando o rio chegou a 33 centímetros.
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Ao meio-dia, houve uma pequena recuperação para 25 centímetros, mas as autoridades não esperam melhora significativa. Pelo contrário: uma nova e intensa onda de calor avança sobre o país e deve prolongar a seca nas próximas semanas.
Com a água recuando rapidamente, extensas áreas do leito do Danúbio passaram a ficar expostas. A situação é tão incomum que o presidente do Clube Húngaro de Ciclistas, Kürti Gábor Dezső, conseguiu percorrer de bicicleta um trecho normalmente coberto pelas águas entre Budapeste e Vác.
Foi justamente nesse contexto que um leitor encontrou uma pedra incomum parcialmente exposta no fundo do rio, nas proximidades de Visegrád. Seu formato extremamente regular despertou imediatamente a curiosidade e motivou a comunicação do achado ao Museu Rei Matias.
Arqueólogos investigam se pedra foi usada em catapultas medievais ou até na época romana
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Os primeiros levantamentos realizados pelos especialistas indicam que a pedra pode ser um projétil de catapulta, utilizado durante antigos cercos ao Castelo de Visegrád.
De acordo com o diretor do Museu Rei Matias, o arqueólogo Buzás Gergely, descobertas semelhantes não são raras na região. O castelo foi alvo de diversos ataques ao longo da história e recebeu centenas de disparos feitos por máquinas de guerra da época. Por isso, o museu já possui outros projéteis semelhantes em seu acervo.
Na próxima semana, arqueólogos visitarão o local para realizar uma análise detalhada do objeto. A intenção é verificar se realmente se trata de uma munição histórica.
Segundo Buzás Gergely, determinar a idade exata da pedra não é possível, mas é viável fazer uma estimativa com base em suas características.
As evidências históricas mostram que projéteis desse tipo continuaram sendo utilizados até o século XVI. Entretanto, a origem pode ser ainda muito mais antiga. A região de Visegrád abrigou uma fortaleza romana, onde já eram conhecidas máquinas capazes de lançar grandes pedras durante confrontos militares.
Caso a hipótese seja confirmada, o projétil pode ter entre 400 e aproximadamente 2.000 anos, permanecendo preservado no fundo do rio Danúbio durante todo esse período.
Seca extrema também revelou navio da Segunda Guerra Mundial
A possível munição medieval não foi o único vestígio histórico revelado pela estiagem.
Na semana anterior, outro achado chamou atenção dos pesquisadores. Próximo à cidade de Mohács, também no leito seco do Danúbio, emergiu o casco de um navio que afundou durante a Segunda Guerra Mundial, reforçando como a redução do nível do rio vem expondo estruturas escondidas há décadas.
Enquanto isso, imagens divulgadas pelo programa europeu de observação terrestre Copernicus, da União Europeia, mostram claramente a dimensão da crise hídrica.
As fotografias de satélite compararam o mesmo trecho da Curva do Danúbio em 14 de julho de 2025 e 25 de julho de 2026. A diferença é marcante: bancos de areia surgiram em diversos pontos do rio, dificultando a navegação e impedindo, em alguns trechos, a circulação de embarcações de carga e de passageiros.
Em Budapeste, as autoridades já precisaram impor restrições ao tráfego fluvial devido às condições extremamente desfavoráveis.
Além disso, o ministro responsável pelo Meio Ambiente da Hungria, Gajdos László, decretou estado especial de alerta contra a seca.
Segundo ele, 66 dos 84 distritos de gestão da escassez de água do país apresentam índice de seca superior ao triplo do limite previsto na legislação, indicando que aproximadamente três quartos do território húngaro enfrentam grave falta de água.
As previsões meteorológicas também não são animadoras. Os serviços de meteorologia indicam que não deve chover nas próximas duas semanas. A atual onda de calor deverá atingir seu pico dentro de cerca de uma semana, quando as temperaturas poderão alcançar 39°C em Budapeste.
Somente no fim da próxima semana existe expectativa de uma pequena redução do calor, mas mesmo assim as máximas deverão permanecer entre 31°C e 33°C, mantendo o cenário favorável à continuidade da seca e ao aparecimento de novos vestígios históricos escondidos no leito do rio.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

