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Impedidas de estudar durante a juventude, agricultoras da Coreia do Sul aprenderam a ler na velhice, escreveram versos sobre pimentas, pepinos e berinjelas e viraram um grupo de rap conhecido em todo o país depois dos 80 anos

Impedidas de estudar durante a juventude, agricultoras da Coreia do Sul aprenderam a ler na velhice, escreveram versos sobre pimentas, pepinos e berinjelas e viraram um grupo de rap conhecido em todo o país depois dos 80 anos

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Impedidas de estudar durante a juventude, agricultoras da Coreia do Sul aprenderam a ler na velhice, escreveram versos sobre pimentas, pepinos e berinjelas e viraram um grupo de rap conhecido em todo o país depois dos 80 anos

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 31/07/2026 às 21:30

Curiosidades

Imagem ilustrativa: A alfabetização de mulheres idosas começou em 2016 num centro comunitário de Chilgok e avançou da escrita para a poesia e o rap

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A alfabetização de mulheres idosas começou em 2016 num centro comunitário de Chilgok e avançou da escrita para a poesia e o rap. Com média de 85 anos em 2024, as agricultoras levaram histórias da lavoura a comerciais, vídeos virais e apresentações públicas.

Com chapéus largos, correntes prateadas e roupas de hip hop, agricultoras da Coreia do Sul com média de 85 anos cantavam sobre pimentas, pepinos, berinjelas e outras plantações. O cenário não era apenas um palco. As letras vinham diretamente da rotina no campo.

O grupo nasceu depois que as mulheres aprenderam o alfabeto coreano num centro comunitário de Chilgok, região agrícola localizada no sudeste do país. A leitura trouxe mais independência para tarefas comuns e também abriu espaço para que elas registrassem as próprias histórias.

A informação foi publicada em 5 de outubro de 2024 pela Associated Press, agência internacional dedicada à cobertura factual de notícias. O grupo ganhou o nome oficial de Suni and the Seven Princesses, que significa Suni e as Sete Princesas.

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Mulheres cresceram numa época em que estudar não era uma escolha possível

As integrantes nasceram num período em que muitas mulheres tinham pouco ou nenhum acesso à escola. A Guerra da Coreia, travada de 1950 a 1953, também atingiu a infância dessa geração e dificultou ainda mais a continuidade dos estudos.

Mulheres cresceram numa época em que estudar não era uma escolha possível

Park Jeom sun, conhecida como Suni, tornou se a líder do grupo. Ela tinha 82 anos quando a história alcançou repercussão internacional e explicou por que permaneceu tanto tempo afastada das salas de aula.

Em tradução para o português, Park afirmou: “Durante e depois da Guerra da Coreia, eu não pude estudar por causa do ambiente social, mas comecei a aprender hangeul em 2016.”

O hangeul é o sistema de escrita usado na língua coreana. Para Park e suas amigas, dominar esse alfabeto significava alcançar uma habilidade que lhes havia sido negada durante a juventude.

A alfabetização começou em 2016 dentro de um centro comunitário

As mulheres iniciaram as aulas em 2016, num centro comunitário da aldeia agrícola onde viviam. Elas aprenderam a reconhecer letras, formar palavras e registrar situações que faziam parte de sua rotina.

O processo não ficou restrito aos exercícios tradicionais. À medida que ganharam confiança, as agricultoras começaram a produzir poemas sobre o campo, a família e as lembranças acumuladas durante décadas.

A escrita passou a funcionar como uma forma de expressão. As mulheres deixaram de ser apenas alunas que copiavam caracteres e começaram a escolher palavras para contar suas próprias experiências.

Essa mudança foi importante porque aproximou a alfabetização da vida real. Em vez de trabalhar somente com frases distantes de sua realidade, elas escreviam sobre assuntos que conheciam profundamente.

Poemas sobre a lavoura se transformaram em letras de rap

A poesia abriu caminho para um gênero musical que parecia distante da rotina de uma aldeia agrícola. No verão de 2023, Park e sete amigas começaram a escrever e apresentar rap.

O grupo nasceu depois que as mulheres aprenderam o alfabeto coreano num centro comunitário de Chilgok

As letras falavam sobre colher pimentas, pepinos, berinjelas e abobrinhas. A volta para casa depois do trabalho também apareceu nos versos, ao lado de lembranças da vida rural.

A Associated Press, agência internacional dedicada à cobertura factual de notícias, registrou as integrantes ensaiando perto do centro comunitário de Chilgok. Park conduzia os versos enquanto as sete amigas acompanhavam os movimentos e repetiam as palavras.

O grupo passou a ensaiar 2 ou 3 vezes por semana. A frequência aumentava quando havia uma apresentação próxima, pois as integrantes precisavam praticar ritmo, memória, leitura e movimentos.

Grupo com média de 85 anos ganhou fama nacional

O que começou como parte das aulas de alfabetização ultrapassou os limites da aldeia. Os vídeos das apresentações circularam pelas redes sociais e deram projeção nacional às agricultoras.

O grupo apareceu em comerciais e apresentações públicas. A combinação entre letras sobre a lavoura, roupas de hip hop e histórias reais despertou o interesse do público sem apagar a identidade das integrantes.

Em 4 de outubro de 2024, elas participaram da abertura de uma celebração dedicada ao alfabeto coreano em Seul. Centenas de pessoas acompanharam a apresentação e aplaudiram o grupo.

Depois do espetáculo, as integrantes posaram ao lado de Yu In Chon, ministro da Cultura, Esportes e Turismo da Coreia do Sul. O então primeiro ministro do país também enviou uma mensagem pela passagem do primeiro aniversário do grupo.

Aprender a ler trouxe independência fora dos palcos

Para Park, a principal mudança não estava apenas nos vídeos ou nas apresentações. Depois de aprender a ler, ela passou a ir ao banco, pegar ônibus e circular sem depender da ajuda de outra pessoa.

Reconhecer informações necessárias para usar o transporte e resolver tarefas bancárias representa uma diferença concreta. A alfabetização reduziu a dependência em situações que fazem parte da vida cotidiana.

Park também relacionou o rap ao desejo de manter a mente ativa, continuar saudável e sentir se melhor. Essa era uma percepção pessoal ligada ao prazer de estudar, escrever e participar dos ensaios.

A neta de Park, Kang Hye eun, tinha 29 anos e trabalhava na área da saúde atendendo pessoas idosas. Ela demonstrou orgulho ao ver a avó na televisão e nos vídeos que alcançaram milhares de pessoas.

A trajetória das agricultoras começou com caracteres escritos dentro de um centro comunitário e chegou aos palcos da capital. A alfabetização deu às integrantes mais autonomia, uma nova forma de expressão e reconhecimento depois dos 80 anos.

Se aprender a ler mudou até a maneira como essas mulheres usavam o ônibus e o banco, quantas vidas ainda poderiam ganhar novos caminhos com oportunidades semelhantes? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a história.

Fonte

Associated Press


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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