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Intrigado com uma porta que aparecia num retrato de 1870 da própria casa de 500 anos, um jovem de 23 anos na Inglaterra achou atrás da estante uma passagem secreta que levava a cômodos ocultos e a um cofre com livros de 1848

Intrigado com uma porta que aparecia num retrato de 1870 da própria casa de 500 anos, um jovem de 23 anos na Inglaterra achou atrás da estante uma passagem secreta que levava a cômodos ocultos e a um cofre com livros de 1848

7 min de leitura

Intrigado com uma porta que aparecia num retrato de 1870 da própria casa de 500 anos, um jovem de 23 anos na Inglaterra achou atrás da estante uma passagem secreta que levava a cômodos ocultos e a um cofre com livros de 1848

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 24/07/2026 às 14:15

Atualizado em 24/07/2026 às 14:24

Curiosidades

Uma casa de 500 anos em Brighton escondia atrás da estante passagens, cômodos ocultos e um cofre com livros de 1848.

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Freddy Goodall, incorporador imobiliário de 23 anos, mora com a família em uma casa de 500 anos em Brighton, no sul da Inglaterra. Ao comparar uma fotografia de 1870 da biblioteca com o cômodo atual, notou uma porta que havia sumido. Atrás da estante encontrou salas, túneis e um cofre lacrado.

A casa de 500 anos onde Freddy Goodall cresceu fica na Refectory Road, em Brighton, no condado histórico de Sussex, a cerca de 80 quilômetros ao sul de Londres. A família comprou e reformou o imóvel há aproximadamente três décadas, e ele morou ali a vida inteira sem desconfiar do que existia atrás das paredes da biblioteca. A pista estava em uma fotografia de 1870 do próprio cômodo: nela aparecia uma porta que não existe mais no ambiente atual.

Aos 23 anos e trabalhando como incorporador imobiliário, Goodall foi procurar aquela entrada. Encontrou-a escondida por uma estante de livros, e atrás dela apareceram cômodos vazios, escadas, uma rede de passagens subterrâneas que atravessa o edifício de ponta a ponta e um cofre de ferro que parecia intocado havia décadas. Dentro dele estavam volumes datados de 1848 com a história da propriedade, além de cartas.

A maçaneta que aparecia na fotografia antiga

Uma casa de 500 anos em Brighton escondia atrás da estante passagens, cômodos ocultos e um cofre com livros de 1848.

O ponto de partida foi uma comparação simples entre passado e presente. Na imagem do século 19, a biblioteca aparece com um vão de porta em uma parede que hoje está tomada por estantes.

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Detalhe importante: aquela porta foi acrescentada à casa de 500 anos no século 19, ou seja, já era uma intervenção posterior à construção original. Na fotografia é possível notar até uma maçaneta na estante, elemento que denuncia o mecanismo de abertura escondido.

A busca não foi imediata. Goodall relata ter procurado sem encontrar nada num primeiro momento, até perceber que a entrada estava atrás dos livros. Foi ali, retirando volumes de uma prateleira, que ele encontrou um buraco por onde dava para enxergar o cômodo oculto.

Parafusos, um painel de madeira e um quarto escuro

O que veio depois está registrado em vídeo. Goodall tirou todos os livros das prateleiras, soltou os parafusos do painel de madeira da frente da estante e removeu a peça.

Atrás dela havia um cômodo escuro e vazio, sem qualquer iluminação. A descrição que ele deu do momento mistura empolgação e desconforto: estava completamente escuro e assustador no começo, ainda mais por se tratar de um espaço dentro de uma casa que ele conhecia desde criança.

O achado não parou por ali. No piso daquele quarto havia outro painel, e ao levantá-lo apareceu uma passagem que descia para salas subterrâneas.

O mecanismo revela o cuidado de quem fechou tudo. Não era tapume improvisado nem parede erguida às pressas: a estante foi montada como peça de marcenaria aparafusada sobre o vão, o que exige planejamento e mão de obra. Alguém decidiu deliberadamente apagar aquela entrada da casa de 500 anos e fez isso com esmero.

Uma escada para cima e um ninho de vespas

Enquanto a passagem seguia para baixo, uma escada seguia para cima. Goodall subiu e encontrou um cômodo maior, tomado por teias de aranha, poeira acumulada e um ninho de vespas de tamanho considerável.

De lá partiam novas conexões. Foram identificados mais dois cômodos secretos com portas que davam para outras passagens, formando uma malha interna que ninguém na família sabia existir. A casa de 500 anos tinha, em síntese, um segundo edifício embutido dentro de si, sobreposto e paralelo aos ambientes de uso cotidiano.

Túneis que atravessam a propriedade de ponta a ponta

Segundo o relato de Goodall, as passagens subterrâneas percorrem toda a extensão da casa, de uma extremidade à outra. Não são nichos isolados, e sim um circuito contínuo.

Ele levanta uma hipótese ainda mais ampla sobre o alcance original. Quando estavam em uso, algumas dessas passagens chegariam a quilômetros de distância, ligando a propriedade a construções vizinhas e a uma igreja. É leitura baseada no que ele encontrou em campo, e a confirmação desse alcance dependeria de investigação nos imóveis do entorno.

Ligação subterrânea com igreja aparece com frequência em relatos sobre construções britânicas antigas, e nem sempre resiste a verificação. Em uma casa de 500 anos, porém, a hipótese não é absurda: propriedades ligadas a ordens religiosas, hospitais ou instituições de caridade costumavam ter conexões físicas com os edifícios que administravam.

Um dos trechos subterrâneos traz um detalhe construtivo revelador. Parte dos cômodos foi construída por cima de estruturas anteriores, e um deles tem piso de lajotas de pedra, tipo de acabamento associado a ambientes de armazenamento e conservação de alimentos.

Passagens de criados: a explicação mais provável

A leitura que Goodall faz do conjunto é funcional, não misteriosa. Ele acredita que se trata de passagens de serviço, usadas pelos empregados para circular entre os alojamentos e a área principal sem serem vistos pelos donos.

Esse tipo de solução era comum em residências britânicas de porte. A arquitetura doméstica das grandes casas separava rigidamente os circuitos de quem morava e de quem servia, com escadas, corredores e portas paralelas para que o trabalho acontecesse sem interferir na vida social da família.

Em uma casa de 500 anos que passou por sucessivas reformas, esses circuitos foram sendo fechados, revestidos e esquecidos. A porta que aparece na foto de 1870 é justamente o último registro visual de uma dessas entradas antes de ela desaparecer atrás da estante.

O cofre de ferro e o que estava lacrado dentro

Em um dos cômodos ocultos havia um cofre antigo, aparentemente sem uso havia muitos anos. Abrir a peça exigiu várias tentativas, registradas em vídeo com a ajuda de amigos.

O conteúdo é o que dá substância documental à descoberta. Dentro estavam diversos livros, entre eles um volume datado de 1848 que detalhava a história da propriedade, além de cartas guardadas junto com o material.

Duas peças se destacam pela procedência. Uma delas é uma carta escrita por Spencer Compton, segundo marquês de Northampton, durante uma visita à residência em 1837. A outra é uma tábua de assoalho assinada por George Stewart, oitavo conde de Galloway, em 1807. São nomes da aristocracia britânica do período, e a presença deles indica que a casa de 500 anos recebia visitantes de peso.

Nomes em giz e carteiras escolares nos túneis

Nem tudo o que apareceu nas passagens é do século 19. No início do século 20, a propriedade funcionou como instituição de ensino, e essa fase deixou marcas próprias no subsolo.

Goodall encontrou livros escolares e carteiras espalhados por diferentes trechos da rede, além de uma parede de tijolos com nomes e datas escritos a giz. A interpretação dele é direta: eram alunos que se escondiam ali, aproveitando passagens que a escola provavelmente nem sabia estarem acessíveis.

Essa camada mais recente é a que torna o conjunto mais vivo. Entre um cofre de 1848 e uma carteira escolar do século 20 existem gerações de gente diferente usando o mesmo espaço da casa de 500 anos por motivos opostos: uns para não serem vistos trabalhando, outros para não serem encontrados fugindo da aula.

A decisão de não mexer em nada

Depois de mapear boa parte da rede, Goodall optou por não alterar o que encontrou. As passagens e os cômodos seguem exatamente como estavam no dia em que a estante saiu do lugar.

A justificativa que ele deu é de preservação. Gosta que os ambientes tenham permanecido iguais por centenas de anos e considera que há história a ser descoberta em cada cômodo, razão pela qual pretende continuar explorando em vez de reformar.

A escolha vai na contramão do que se esperaria de quem trabalha com incorporação imobiliária. Metro quadrado recuperado dentro de uma casa de 500 anos valeria dinheiro, e transformar os cômodos em área útil seria a saída óbvia para um profissional do setor. Ele preferiu manter tudo lacrado e seguir mapeando o que existe ali embaixo.

Uma fotografia de 1870, uma porta que sumiu do lugar e uma estante aparafusada foram os únicos elementos necessários para revelar um circuito inteiro de cômodos e túneis dentro de uma casa de 500 anos em Brighton. Da passagem saíram salas escuras, uma escada para um sótão tomado de teias, corredores subterrâneos que atravessam a propriedade de ponta a ponta, um cofre com livros de 1848 sobre a história do imóvel, uma carta de um marquês que visitou o lugar em 1837, uma tábua assinada por um conde em 1807 e nomes escritos a giz por alunos de uma escola que funcionou ali no século passado. Tudo continua fechado e intocado, do jeito que estava.

E você, teria coragem de descer por uma passagem escura recém-aberta na própria casa ou chamaria alguém antes? Se encontrasse um cofre desses, abriria na hora ou levaria a um especialista? Conta nos comentários se você já morou em imóvel antigo e desconfiou de algum vão, porta emparedada ou parede que soava oca.

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casa de 500 anos


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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