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Itália quer erguer entre a Sicília e o continente a maior ponte suspensa do mundo, com torres gigantescas de 399 metros, 3,3 quilômetros de vão sem um único pilar no mar e espaço para carros e trens, mas terremotos, tribunais e impasses ambientais ainda mantêm o megaprojeto de € 13,5 bilhões preso no papel

Itália quer erguer entre a Sicília e o continente a maior ponte suspensa do mundo, com torres gigantescas de 399 metros, 3,3 quilômetros de vão sem um único pilar no mar e espaço para carros e trens, mas terremotos, tribunais e impasses ambientais ainda mantêm o megaprojeto de € 13,5 bilhões preso no papel

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Itália quer erguer entre a Sicília e o continente a maior ponte suspensa do mundo, com torres gigantescas de 399 metros, 3,3 quilômetros de vão sem um único pilar no mar e espaço para carros e trens, mas terremotos, tribunais e impasses ambientais ainda mantêm o megaprojeto de € 13,5 bilhões preso no papel

Escrito por Ana Alice

Publicado em 30/07/2026 às 21:46

Construção

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Ponte de € 13,5 bilhões entre Sicília e continente teria vão recorde de 3,3 km, mas ainda enfrenta entraves sísmicos, jurídicos e ambientais. (Imagem: Ilustrativa)

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A maior ponte suspensa já projetada promete ligar a Sicília ao continente com torres de 399 metros, mas o megaprojeto ainda depende de superar entraves jurídicos, ambientais, sísmicos e administrativos antes de sair do papel.

A estrutura planejada para atravessar o Estreito de Messina teria torres de 399 metros, um tabuleiro largo o suficiente para receber carros e trens e uma extensão suspensa tão grande que superaria o atual recorde mundial em mais de 1,2 quilômetro.

Apesar das dimensões, do financiamento público anunciado e do apoio do governo italiano, a ponte que pretende ligar a Sicília à Calábria continuava sem obras de construção iniciadas até 30 de julho de 2026.

Ponte sobre o Estreito de Messina ainda não começou

O projeto havia alcançado uma etapa decisiva em 6 de agosto de 2025, quando o CIPESS, comitê responsável pela programação econômica e pelo desenvolvimento sustentável da Itália, aprovou o desenho definitivo, o plano financeiro e a documentação ambiental.

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Poucos meses depois, porém, a Corte de Contas recusou o visto de legalidade necessário para registrar integralmente a decisão.

Desde então, o governo tenta refazer parte do caminho administrativo, responder às objeções e obter uma aprovação sem ressalvas.

Em 29 de julho de 2026, o ministro das Infraestruturas e dos Transportes, Matteo Salvini, participou de uma reunião do conselho da empresa estatal Stretto di Messina e reiterou o objetivo de executar o empreendimento.

O comunicado oficial, no entanto, não apresentou uma data confirmada para o início das obras.

Projeto bilionário custará € 13,532 bilhões

O custo total está estimado em € 13,532 bilhões, valor equivalente a aproximadamente US$ 15,6 bilhões nas conversões divulgadas durante a tramitação.

A empresa responsável afirma que todo o montante está coberto por recursos públicos, sendo € 13,162 bilhões provenientes do orçamento estatal e € 370 milhões de um aumento de capital realizado pelo Ministério da Economia e das Finanças.

O orçamento não inclui apenas a ponte.

O pacote prevê cerca de 40 quilômetros de conexões rodoviárias e ferroviárias, túneis, viadutos, acessos, três novas estações ferroviárias e outras estruturas necessárias para integrar a travessia às redes da Sicília e da Calábria.

Uma representação da Ponte Messina, que ligaria a Sicília ao continente italiano, baseada no projeto do governo italiano.

Vão central terá 3,3 quilômetros sem pilares no mar

O elemento mais incomum seria o vão central de 3.300 metros, projetado para atravessar o estreito sem pilares instalados no mar.

Incluindo as duas seções laterais de 183 metros, a ponte teria 3.666 metros de comprimento.

As torres erguidas nas duas margens alcançariam 399 metros, enquanto o tabuleiro teria 60,4 metros de largura.

O desenho reúne três faixas rodoviárias em cada sentido, duas faixas de serviço e dois trilhos ferroviários.

Quatro cabos principais, cada um com 1,26 metro de diâmetro, sustentariam a estrutura.

Cada cabo seria formado por 44.323 fios de aço, responsáveis por transferir o peso do tabuleiro para as torres e para os sistemas de ancoragem instalados em terra.

Ponte italiana superaria o atual recorde mundial

Caso seja construída com essas especificações, a ponte ultrapassará com ampla margem a 1915 Çanakkale, inaugurada na Turquia em 2022.

A atual recordista possui um vão central de 2.023 metros.

O projeto italiano acrescentaria outros 1.277 metros sem apoio intermediário, estabelecendo uma distância inédita para uma ponte suspensa destinada ao tráfego simultâneo de veículos e trens.

Estrutura terá espaço para grandes embarcações

A ausência de pilares no canal central facilita a passagem de embarcações e evita a construção de fundações diretamente no fundo do estreito.

Segundo o projeto, haveria um espaço navegável de até 72 metros de altura em uma faixa de 600 metros de largura.

A escolha, entretanto, transfere parte da complexidade para o tabuleiro, os cabos, as torres e as grandes ancoragens instaladas nas margens.

Uma ponte com vão tão extenso precisa suportar o próprio peso, o tráfego, a passagem de trens, mudanças de temperatura, rajadas de vento e movimentos que podem provocar oscilações.

Em estruturas suspensas, o tabuleiro não permanece completamente imóvel.

Ele é projetado para apresentar determinado grau de flexibilidade, mas os movimentos precisam permanecer dentro dos limites calculados para impedir vibrações excessivas, desconforto ou instabilidade aerodinâmica.

Falhas geológicas cercam o Estreito de Messina

No Estreito de Messina, o vento não é o único fenômeno natural considerado.

A região separa a Sicília da Calábria dentro de uma área tectonicamente ativa, limitada por sistemas de falhas que continuam influenciando o relevo terrestre e submarino.

Uma pesquisa de Rebecca Dorsey, Sergio Longhitano e Domenico Chiarella descreveu o estreito como uma bacia marinha cercada por falhas normais ativas e sujeita a movimentos associados à extensão da crosta.

O estudo analisou a morfologia do fundo marinho e a relação entre falhas posicionadas em lados opostos da passagem.

Terremoto de 1908 destruiu cidades próximas

A lembrança mais conhecida dessa atividade ocorreu em 28 de dezembro de 1908.

Um terremoto de magnitude estimada em 7,1 atingiu Messina e Reggio Calabria, seguido por um tsunami.

O episódio destruiu grande parte das duas cidades e permanece como uma das catástrofes sísmicas mais graves registradas na Europa.

Pesquisas do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia da Itália localizaram no fundo marinho uma estrutura considerada responsável pelo terremoto.

Projeto promete resistir a terremoto de magnitude 7,1

A Stretto di Messina afirma que o projeto foi dimensionado para permanecer sem danos estruturais diante de um terremoto de magnitude 7,1.

A empresa também informa que os estudos sismotectônicos foram atualizados até 2023 e estabelece uma vida útil projetada de 200 anos.

Essas informações representam os parâmetros e as conclusões apresentados pelos responsáveis pelo empreendimento, não a eliminação completa do risco sísmico.

A segurança dependeria da execução das fundações, das ancoragens, das conexões terrestres, do controle de qualidade e do monitoramento durante toda a operação.

Ponte pretende reduzir isolamento logístico da Sicília

O governo apresenta a ponte como uma solução para reduzir o isolamento logístico da Sicília.

Atualmente, veículos, cargas e até vagões ferroviários dependem de balsas para cruzar o estreito.

A travessia marítima pode durar cerca de 20 minutos, mas o embarque, o desembarque e as filas aumentam consideravelmente o tempo total nos períodos de maior movimento.

A empresa responsável estima que a passagem pela ponte levaria entre 10 e 15 minutos.

Críticos questionam prioridade do investimento

Essa promessa convive com críticas sobre a qualidade das redes existentes.

Opositores afirmam que parte dos € 13,5 bilhões poderia ser direcionada à modernização de estradas, ferrovias, sistemas hídricos e serviços públicos da Sicília e da Calábria.

Os defensores respondem que a ponte só funcionaria como parte de um conjunto maior de investimentos e poderia acelerar o transporte de pessoas e mercadorias entre o sul italiano e o restante da Europa.

Impactos ambientais chegaram à Corte de Contas

A discussão também envolve os ecossistemas costeiros e marinhos.

A Corte de Contas apontou problemas na justificativa usada para superar restrições da Diretiva Europeia de Habitats.

Segundo a fundamentação divulgada em novembro de 2025, faltavam análises e argumentos suficientes para demonstrar por que o interesse público da construção deveria prevalecer sobre determinados impactos ambientais.

O tribunal também levantou questões relacionadas às mudanças feitas no contrato original e à compatibilidade dessas alterações com as regras europeias de licitação.

Contrato da ponte tem origem em licitação de 2005

O contrato de construção tem origem em uma licitação realizada em 2005 e foi atribuído ao consórcio Eurolink, hoje liderado pelo grupo italiano Webuild e integrado por empresas como a espanhola Sacyr e a japonesa IHI.

Na época, o valor era muito inferior ao orçamento atual.

A Corte questionou se as mudanças de preço, financiamento, participantes e características contratuais poderiam exigir uma nova concorrência pública.

A necessidade de outra licitação representaria um atraso potencial de vários anos.

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Governo reorganizou o processo em 2026

Em março de 2026, o governo aprovou um novo decreto para reafirmar o financiamento e reorganizar os procedimentos de resposta às objeções.

A medida foi convertida em lei em 8 de maio.

Dias depois, a Corte de Contas autorizou um acordo de programa firmado entre ministérios, regiões, órgãos ferroviários, administradores rodoviários e a Stretto di Messina.

Em 27 de maio, a Autoridade Reguladora dos Transportes também apresentou parecer favorável sobre o plano econômico e financeiro.

Essas decisões destravaram partes do processo, mas não equivalem à autorização integral que permitiria iniciar a construção principal.

Centenas de imóveis podem ser desapropriados

O projeto também envolve desapropriações.

Centenas de imóveis localizados nas áreas previstas para as torres, acessos, túneis e conexões poderão ser atingidos.

Em 2025, a imprensa italiana informou que aproximadamente 450 propriedades estavam marcadas para expropriação apenas no lado de Messina.

Moradores e movimentos locais apresentaram recursos e organizaram protestos contra as demolições e os impactos sobre comunidades próximas ao estreito.

Investigação por suspeita de corrupção foi aberta

Outro desdobramento surgiu em junho de 2026, quando promotores de Roma abriram uma investigação por suspeita de corrupção envolvendo um juiz aposentado da Corte de Contas e dois associados.

Segundo os investigadores, o magistrado teria compartilhado informações reservadas e prestado auxílio em troca de apoio para conseguir um cargo público depois da aposentadoria.

A empresa Stretto di Messina declarou que não estava envolvida e afirmou ter recebido a notícia com surpresa.

A investigação estava em andamento e, até a atualização localizada, não havia resultado judicial definitivo contra os suspeitos.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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