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Itália usa impressão 3D, resina e pó de mármore para reconstruir estátua colossal de Constantino, o Grande, com 13 metros de altura, obra refeita a partir de 10 fragmentos após 1.700 anos e montada em 30 partes por seis pessoas em apenas uma semana

Itália usa impressão 3D, resina e pó de mármore para reconstruir estátua colossal de Constantino, o Grande, com 13 metros de altura, obra refeita a partir de 10 fragmentos após 1.700 anos e montada em 30 partes por seis pessoas em apenas uma semana

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Itália usa impressão 3D, resina e pó de mármore para reconstruir estátua colossal de Constantino, o Grande, com 13 metros de altura, obra refeita a partir de 10 fragmentos após 1.700 anos e montada em 30 partes por seis pessoas em apenas uma semana

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 26/07/2026 às 23:54

Construção

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Tecnologia de ponta devolveu escala monumental ao Colosso de Constantino ao combinar fragmentos preservados, modelagem digital e materiais modernos em uma reconstrução de 13 metros que revela como arqueologia, engenharia e impressão 3D podem reconstituir uma das imagens mais imponentes da Roma Antiga.

Uma reconstrução de 13 metros do Colosso de Constantino devolveu escala monumental à imagem do imperador romano ao reunir LiDAR, fotogrametria, impressão 3D, resina, poliuretano e pó de mármore em um processo que combinou arqueologia, engenharia e fabricação digital.

Partindo de dez fragmentos preservados, os especialistas produziram registros digitais de alta resolução e os incorporaram a um novo corpo dividido em 30 seções, estrutura planejada para facilitar tanto o transporte quanto a montagem da figura colossal.

Segundo a Factum Foundation, responsável pela execução técnica em parceria com os Museus Capitolinos e a Fundação Prada, seis pessoas montaram toda a estrutura durante uma semana, encaixando cada módulo sobre uma base desenvolvida especialmente para sustentar o monumento.

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Além de suportar o peso das partes produzidas separadamente, o esqueleto interno precisou permitir que a obra atravessasse acessos restritos, fosse transportada com segurança e pudesse ser remontada sem comprometer os acabamentos aplicados às superfícies.

Representado em posição sentada, Constantino, o Grande, aparece em proporções associadas ao poder imperial romano, alcançando uma altura equivalente à de um edifício de aproximadamente quatro andares e preservando a escala ampliada da cabeça, das mãos e dos pés.

Ligado a uma das fases mais decisivas do Império Romano, o imperador ganhou uma nova representação física baseada no monumento original do início do século IV, conhecido durante séculos apenas pelos grandes fragmentos de mármore que sobreviveram.

Fragmentos originais permaneceram preservados

Em vez de reunir fisicamente as peças antigas em uma nova estrutura, o projeto manteve cada fragmento sob responsabilidade das instituições responsáveis por sua conservação, enquanto cópias em escala real foram fabricadas para integrar o corpo reconstruído.

Essa decisão tornou possível exibir a figura completa sem submeter o mármore histórico ao peso, aos encaixes e às exigências estruturais de uma estátua com 13 metros, reduzindo riscos para peças que atravessaram aproximadamente 1.700 anos.

Para iniciar o trabalho, a Factum Foundation mapeou os fragmentos por meio de fotogrametria e LiDAR, tecnologias empregadas na captura precisa de superfícies, dimensões e detalhes que seriam posteriormente incorporados ao modelo tridimensional da reconstrução.

Foram registrados elementos da cabeça, do braço direito, da mão direita, do joelho direito, da canela direita, de parte da panturrilha, dos dois pés, do pulso e de um fragmento correspondente ao peito.

Como algumas peças estavam posicionadas próximas às paredes do pátio do Palazzo dei Conservatori, o levantamento exigiu atenção especial aos ângulos e às áreas menos acessíveis, sem que os objetos precisassem ser deslocados durante a digitalização.

Mesmo diante dessas limitações físicas, os registros obtidos permitiram definir dimensões, pontos de contato e posições relativas, fornecendo a base necessária para inserir cada fragmento no corpo digital desenvolvido antes da fabricação das partes.

Modelo digital definiu postura e proporções

Mais do que ampliar e encaixar elementos isolados, a etapa digital precisou recriar a postura, o volume corporal e a disposição do paludamentum, manto associado ao traje de comandantes romanos e representado sobre a figura monumental do imperador.

Nesse processo, a escultora 3D Irene Gaumé trabalhou com curadores e especialistas dos Museus Capitolinos, ajustando a relação entre as peças preservadas e as áreas que haviam desaparecido ao longo dos séculos.

Para orientar a reconstrução das partes ausentes, a equipe consultou esculturas antigas que apresentam poses comparáveis, entre elas uma representação do imperador Cláudio como Júpiter e uma figura sentada de Júpiter preservada em São Petersburgo.

Também serviu como referência uma escultura de Hércules pertencente ao Museu Nacional Romano, cuja anatomia ajudou os especialistas a definir volumes e proporções sem confundir as áreas preservadas com aquelas recriadas digitalmente.

Sobre esse corpo virtual, os fragmentos digitalizados foram posicionados e ajustados até que cabeça, tronco, braços, pernas e manto formassem um conjunto coerente, capaz de reproduzir a presença monumental atribuída à obra original.

Ao solucionar encaixes e proporções ainda no ambiente digital, o procedimento reduziu a necessidade de mudanças durante a fabricação, etapa em que qualquer correção poderia afetar os moldes, os revestimentos e o cronograma de montagem.

Impressão 3D recriou o mármore preservado

Concluído o modelo, os dados de cada fragmento foram convertidos em impressões 3D na proporção de um para um, permitindo que as formas digitais ganhassem dimensões idênticas às peças antigas preservadas pelos Museus Capitolinos.

A partir dessas impressões, foram produzidos moldes positivos em resina reforçada, posteriormente cobertos por uma mistura desenvolvida para reproduzir a aparência do mármore antigo e as marcas deixadas pela exposição prolongada ao tempo.

Para que o visitante pudesse distinguir as partes baseadas nos fragmentos das áreas reconstruídas, a equipe preservou diferenças visuais entre as superfícies, evitando apresentar todo o monumento como se tivesse a mesma origem histórica.

Nas regiões correspondentes ao corpo desaparecido, foram empregados poliuretano e várias camadas de resina misturada com pó de mármore e mica, combinação que resultou em uma superfície branca, neutra e diferente dos fac-símiles das peças originais.

Já o manto recebeu outro tratamento, pois precisava lembrar um material distinto e destacar-se visualmente do corpo, sem perder a relação estética com a imagem de autoridade atribuída ao imperador romano.

Esculpida em poliestireno fresado, a peça foi revestida com resina acrílica e pó de bronze, além de receber folha dourada e acabamento envelhecido, recursos utilizados para criar contraste com as superfícies claras da figura.

Estrutura modular permitiu transportar o colosso

Durante a fabricação, mais da metade da equipe da Factum Foundation participou de diferentes etapas, enquanto profissionais responsáveis pelos acabamentos trabalhavam paralelamente aos engenheiros encarregados de projetar a sustentação interna e os encaixes entre os módulos.

A divisão da estátua em partes menores não ocorreu apenas por conveniência, pois era necessário garantir que o colosso atravessasse portas e corredores, pudesse ser transportado entre cidades e chegasse ao espaço expositivo sem danos.

Antes de ser instalada definitivamente em Roma, a reconstrução integrou a exposição Recycling Beauty, organizada pela Fundação Prada, em Milão, onde ocupou o interior da Cisterna e exigiu planejamento detalhado da sequência de montagem.

Como o espaço apresentava limitações de acesso e altura, cada seção precisou chegar em ordem específica, permitindo que a equipe construísse gradualmente a estrutura ao redor do suporte interno sem bloquear a movimentação dos profissionais.

Nesse contexto, a divisão em 30 seções tornou-se decisiva para a logística, já que seis integrantes conseguiram encaixar todas as partes sobre a base durante uma semana, reproduzindo no local uma figura previamente testada em módulos.

Após a apresentação em Milão, o colosso seguiu para os jardins da Villa Caffarelli, área integrada ao complexo dos Museus Capitolinos, onde passou a ser exibido próximo ao conjunto de fragmentos históricos preservado pela instituição.

Peças antigas voltaram a formar uma imagem completa

A trajetória dos fragmentos começou com a destruição parcial do monumento do século IV, que perdeu elementos de bronze e permaneceu desmembrado até ser novamente identificado em escavações realizadas na Basílica de Maxêncio durante o século XV.

Posteriormente, Michelangelo organizou as grandes peças de mármore no pátio do Palazzo dei Conservatori, onde cabeça, mão, pés e partes dos membros passaram a oferecer aos visitantes uma percepção isolada da escala original.

Embora esses elementos revelassem as dimensões extraordinárias da estátua, sua disposição separada não permitia visualizar a forma completa da figura sentada nem compreender plenamente como cada parte se relacionava com o corpo do imperador.

Foi justamente essa imagem fragmentada que a reconstrução digital e física reorganizou, mantendo visível a diferença entre os fac-símiles derivados das peças preservadas e as regiões modeladas com base em referências da escultura romana.

Além da estátua, o trabalho gerou arquivos tridimensionais entregues aos museus responsáveis pelos objetos, ampliando a documentação técnica disponível sobre as superfícies, dimensões e condições de conservação de cada fragmento histórico.

Segundo a Factum Foundation, esses registros passaram a auxiliar o monitoramento das peças, permitindo comparações futuras com dados precisos e acrescentando uma função científica ao projeto que devolveu presença física ao Colosso de Constantino.

O que mais chama atenção nessa reconstrução colossal: a altura comparável à de um prédio de quatro andares ou a precisão necessária para transformar apenas dez fragmentos preservados em uma figura monumental completa?

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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