Javali-europeu avança por cerca de 80% dos municípios de Santa Catarina, destrói lavouras, já motivou mais de 165 mil autorizações para manejo e impulsiona projeto que prevê pagamento de R$ 100 por animal abatido
Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 31/07/2026 às 23:21
Agronegócio, Curiosidades
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Espécie invasora provoca prejuízos crescentes ao agronegócio catarinense, ameaça a fauna nativa e impulsiona novas propostas para ampliar o controle populacional, enquanto o debate sobre a legalidade das medidas chega ao Supremo Tribunal Federal.
O avanço do javali-europeu em Santa Catarina voltou a acender o alerta entre produtores rurais, autoridades e especialistas em meio ambiente. Considerada uma das espécies invasoras mais problemáticas do país, ela vem causando prejuízos significativos às lavouras, degradando áreas naturais e ampliando os desafios para o setor agropecuário catarinense. Segundo informações divulgadas pelo ND Notícias, mais de 165 mil autorizações para manejo da espécie já foram emitidas pelo IBAMA, enquanto propostas para ampliar o controle seguem em discussão.
Os impactos são percebidos diariamente em diversas regiões do estado. Plantações destruídas, solo completamente revirado e perdas econômicas se tornaram uma realidade frequente para agricultores que convivem com a presença desses animais. Apesar das medidas adotadas nos últimos anos, especialistas afirmam que a população de javalis continua crescendo rapidamente.
Prejuízos nas lavouras se repetem em diversas regiões
Em uma propriedade localizada em São Joaquim, na Serra Catarinense, o produtor rural Fabiano contabiliza prejuízos constantes provocados pela invasão dos animais.
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Segundo ele, aproximadamente 40 javalis passaram pelo pomar de maçãs, destruindo parte significativa da produção.
“O bicho passa, ele vira tudo. Passa no pomar, revira a parte de baixo e come todas as maçãs por onde passa“, relatou o agricultor.
Situações semelhantes vêm sendo registradas em diversas cidades catarinenses. Além das maçãs, culturas como milho, soja, feijão e arroz figuram entre as mais afetadas pelos ataques da espécie invasora.
Conforme representantes da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), os prejuízos não se limitam às propriedades rurais. Eles também afetam diretamente a economia estadual, reduzindo a produtividade agrícola e aumentando os custos para produtores.
Segundo a entidade, “são prejuízos econômicos que o Estado deixa de ganhar, porque milho, soja, feijão e arroz acabam sendo destruídos onde os javalis entram”.
Espécie já está presente em cerca de 80% dos municípios catarinenses
O crescimento da população de javalis impressiona pelos números.
De acordo com dados apresentados durante a reportagem, a espécie invasora já está presente em aproximadamente 80% dos municípios de Santa Catarina.
Ao todo, o IBAMA já expediu mais de 165 mil autorizações para manejo em 236 cidades catarinenses, permitindo que pessoas devidamente cadastradas realizem o controle populacional dentro das regras estabelecidas pela legislação ambiental.
Mesmo com esse volume expressivo de autorizações, técnicos afirmam que o avanço da espécie ainda está longe de ser controlado.
Isso ocorre porque o javali apresenta um dos maiores potenciais reprodutivos entre os mamíferos de grande porte.
Um exemplar adulto pode atingir aproximadamente 200 quilos, vive em bandos e possui reprodução extremamente acelerada.
Cada fêmea pode gerar até duas ninhadas por ano, com cerca de oito filhotes em cada gestação, fator que favorece a rápida expansão da população.
A criação comercial da espécie é proibida pelo IBAMA, embora Santa Catarina já tenha registrado aproximadamente 600 criadores, sendo boa parte deles considerados irregulares.
Segundo o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), controlar esse crescimento exige investimentos permanentes e participação conjunta do poder público e da sociedade.
O órgão destaca que simplesmente deixar a população crescer não representa uma alternativa viável, já que os danos ambientais e econômicos tendem a aumentar ao longo do tempo.
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Projeto prevê incentivo financeiro e debate chega ao STF
Diante do avanço da espécie, a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) aprovou um projeto que busca ampliar o controle populacional dos javalis.
A proposta prevê o pagamento de R$ 100 por javali abatido, funcionando como incentivo para ampliar o número de controladores autorizados.
Segundo os defensores da iniciativa, o programa teria caráter temporário, com início, meio e fim definidos, evitando que se transforme em uma política permanente.
Antes mesmo dessa proposta, Santa Catarina já havia aprovado, em 2023, uma legislação autorizando o controle populacional e o manejo sustentável da espécie invasora.
Além disso, representantes do setor afirmam que vêm buscando reduzir a burocracia para facilitar a atuação dos controladores autorizados pelo IBAMA, tornando o processo mais ágil diante da expansão dos animais.
Atualmente, o manejo só pode ser realizado por pessoas previamente cadastradas e autorizadas pelo instituto federal, sempre mediante autorização dos proprietários das áreas afetadas.
Segundo um controlador entrevistado, normalmente as equipes são acionadas pelos próprios produtores rurais após os prejuízos causados pelos javalis nas propriedades.
Entretanto, o tema continua cercado de controvérsias.
A legislação estadual passou a ser questionada judicialmente por meio de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) que está em análise no Supremo Tribunal Federal (STF).
A ação sustenta que Santa Catarina teria ultrapassado competências que pertencem exclusivamente à União ao regulamentar aspectos relacionados ao controle da espécie.
O processo foi apresentado pelo Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, que argumenta ser necessário combater o problema da espécie invasora, mas por meio de ações coordenadas pelos órgãos ambientais e dentro de critérios técnicos, éticos e responsáveis.
Enquanto isso, produtores rurais continuam convivendo diariamente com os prejuízos provocados pelos javalis, aguardando uma solução capaz de equilibrar proteção ambiental, segurança jurídica e preservação da atividade agropecuária.
Fonte original: ND Notícias.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

