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Jovem acordava entre 4h e 5h da madrugada para estudar antes da escola e revisava matérias até às 21h: filho de pedreiro e dona de casa, Wederson estudou toda a vida em escola pública e conquistou uma vaga em Medicina em Universidade Federal

Jovem acordava entre 4h e 5h da madrugada para estudar antes da escola e revisava matérias até às 21h: filho de pedreiro e dona de casa, Wederson estudou toda a vida em escola pública e conquistou uma vaga em Medicina em Universidade Federal

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Jovem acordava entre 4h e 5h da madrugada para estudar antes da escola e revisava matérias até às 21h: filho de pedreiro e dona de casa, Wederson estudou toda a vida em escola pública e conquistou uma vaga em Medicina em Universidade Federal

Escrito por Ruth Rodrigues

Publicado em 27/07/2026 às 21:51

Ciência e Tecnologia

Wederson Rodrigues, de 18 anos, estudou durante toda a vida na rede pública e conquistou uma vaga em Medicina na UFDPar pela segunda chamada do Sisu. Fonte: Reprodução/Secom.

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Wederson Rodrigues, de 18 anos, estudou durante toda a vida na rede pública e conquistou uma vaga em Medicina na UFDPar pela segunda chamada do Sisu.

Enquanto a família ainda dormia, Wederson Rodrigues já estava diante dos livros. Entre quatro e cinco horas da madrugada, o jovem iniciava a preparação que, aos 18 anos, resultou em uma vaga no curso de Medicina da Universidade Federal do Delta do Parnaíba, em Parnaíba.

A aprovação ocorreu na segunda chamada do Sistema de Seleção Unificada. Para o estudante, o resultado tornou possível um objetivo que, durante parte da trajetória, parecia distante de sua realidade.

Filho do pedreiro Edvaldo Rodrigues e da dona de casa Raimunda Lopes, Wederson construiu toda a formação escolar em instituições públicas.

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O jovem concluiu o ensino médio no Centro Estadual de Tempo Integral Miguel Arcoverde, localizado no município de Brasileira, a aproximadamente 180 quilômetros de Teresina.

Pais transformaram oportunidades que não tiveram em incentivo ao filho

Edvaldo estudou até a terceira série do ensino fundamental. Raimunda conseguiu avançar até a quinta série. Apesar da curta permanência na escola, os dois colocaram a educação do filho entre as prioridades da família.

Wederson Rodrigues, de 18 anos, estudou durante toda a vida na rede pública e conquistou uma vaga em Medicina na UFDPar pela segunda chamada do Sisu. Fonte: Reprodução/Secom.

As palavras repetidas em casa ajudaram Wederson a enfrentar os períodos de insegurança. A mãe pedia que ele continuasse tentando, enquanto o pai reforçava que o jovem deveria aproveitar uma oportunidade de estudo que não havia feito parte de sua própria vida.

“Não desista, persista, meu filho”, dizia Raimunda. Edvaldo aconselhava: “Estude, meu filho, não perca essa chance que eu não tive”.

O estudante afirma que a dedicação dos pais foi uma das principais razões para não abandonar a preparação. A rotina de trabalho dos dois mostrava diariamente o esforço feito para que ele pudesse permanecer na escola e planejar um futuro diferente.

Aprovação em Medicina provocou choro e preocupação dentro de casa

Ao descobrir que havia sido chamado para a graduação, Wederson lembrou imediatamente do caminho percorrido e da reação que a conquista provocaria nos pais.

A notícia foi recebida com abraços e lágrimas. Raimunda foi quem mais se emocionou, segundo o estudante. Ao mesmo tempo, surgiu a preocupação com a mudança necessária para que ele possa estudar longe da família.

Wederson Rodrigues, de 18 anos, estudou durante toda a vida na rede pública e conquistou uma vaga em Medicina na UFDPar pela segunda chamada do Sisu. Fonte: Reprodução/Secom.

Mesmo diante da distância, Edvaldo e Raimunda compreenderam que a oportunidade pode definir os próximos anos da vida do filho.

“A primeira coisa que pensei foi em toda a minha trajetória e no orgulho que dei aos meus pais. Eles me abraçaram, choraram muito, principalmente minha mãe”, contou Wederson.

Preparação começava de madrugada e continuava dentro da escola

O estudante organizou os horários para aproveitar diferentes momentos do dia. A primeira etapa acontecia antes das aulas, quando acordava entre quatro e cinco horas para revisar matérias.

Na escola, os intervalos também eram utilizados para retomar conteúdos. Depois de voltar para casa, Wederson seguia para a academia e, em seguida, retomava os estudos até aproximadamente 21h.

Dormir cedo fazia parte da estratégia, pois no dia seguinte toda a sequência precisava ser repetida. Dessa forma, a preparação foi incorporada à rotina sem ficar limitada a um único período.

“Eu acordava entre quatro e cinco horas da madrugada para estudar antes de ir para a escola”, explicou. Segundo ele, o tempo disponível entre as aulas também se transformava em oportunidade de revisão.

Matemática ajudou a construir a trajetória acadêmica

Antes da vaga em Medicina, Wederson já havia alcançado resultados em competições escolares. Na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas, recebeu medalha de prata em 2024 e bronze em 2025.

O desempenho na disciplina também levou o jovem a participar como monitor de Matemática no Programa Oportunidade Jovem, ligado à Secretaria de Estado da Educação.

Essa experiência permitiu que ele fortalecesse uma área na qual já possuía uma base construída durante a educação pública. Na preparação para o processo seletivo, a Matemática exigiu principalmente a retomada de alguns assuntos.

Wederson direcionou maior atenção para ciências da natureza, exatas e redação. Em ciências humanas, utilizava exercícios de interpretação como parte do treinamento.

Leitura também integrou preparação para o Sisu

Além do interesse pelas disciplinas exatas, Wederson manteve contato frequente com a leitura. O hábito ajudou a desenvolver a compreensão dos textos e a preparação para áreas que exigiam interpretação.

A estratégia não consistia em dedicar o mesmo tempo a todos os componentes. O estudante observava onde já possuía uma formação mais consistente e concentrava esforço nos conteúdos que precisavam ser aprofundados.

“Na escola tive uma base sólida, principalmente em Matemática, então só precisei revisar alguns assuntos”, relatou.

A combinação entre a estrutura recebida no Ceti Miguel Arcoverde, o estudo individual e o aproveitamento dos intervalos resultou na classificação pela segunda chamada do Sisu.

Irmão acompanhou preparação mesmo morando em outro estado

O apoio familiar também veio de São Paulo, onde mora Darlyson, irmão de Wederson. Mesmo distante, ele incentivava o jovem a continuar investindo nos estudos.

Wederson Rodrigues, de 18 anos, estudou durante toda a vida na rede pública e conquistou uma vaga em Medicina na UFDPar pela segunda chamada do Sisu. Fonte: Reprodução/Secom.

Essa participação somou-se ao acompanhamento dos pais e às experiências vividas na escola. Para Wederson, a aprovação não pode ser separada das pessoas que reforçaram sua confiança ao longo da caminhada.

O resultado alcançado aos 18 anos representa, portanto, uma conquista construída em diferentes espaços: dentro de casa, na escola, durante as madrugadas de estudo e nas mensagens recebidas do irmão.

Medicina deixou de parecer inalcançável

No início, Wederson enxergava o curso como uma possibilidade difícil de alcançar. A percepção começou a mudar quando ele decidiu concentrar-se no que poderia realizar diariamente, em vez de pensar apenas na distância até o resultado final.

“Medicina parecia um sonho distante. Porém, eu busquei fazer o meu melhor a cada dia”, afirmou.

A luta dos pais continuou servindo como referência durante todo o processo. Sempre que o objetivo parecia grande demais, o estudante retomava a preparação e lembrava por que havia começado.

A aprovação na UFDPar confirma que a vaga foi construída de forma gradual, por meio de uma rotina repetida por vários dias e ajustada às atividades escolares.

Wederson já definiu como deseja exercer a profissão. Seu objetivo é cuidar das pessoas e construir uma relação de confiança com os futuros pacientes.

O jovem também pretende transformar a própria história em incentivo para outros estudantes. Ao concluir toda a educação básica na rede pública e chegar a uma universidade federal, ele espera mostrar que a escola pode abrir novas possibilidades.

“Quero ser um médico em quem as pessoas possam confiar e que inspire outros jovens a seguirem o caminho da educação”, declarou.

A conquista de Wederson Rodrigues reúne o esforço de um estudante que começava o dia antes do amanhecer e o incentivo de pais que, mesmo sem terem avançado nos próprios estudos, não permitiram que o filho desistisse da oportunidade de chegar à universidade.

Fonte

Portal Clube News


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ruth Rodrigues.

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