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Jovem brasileiro de escola pública trabalha, faz vaquinha e leva à Coreia do Sul máquina de reciclagem criada com um colega, que corta tampas, prensa garrafas PET e separa materiais por cor, até conquistar medalha de prata em competição internacional realizada em Seul
Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 27/07/2026 às 13:24
Atualizado em 27/07/2026 às 13:39
Curiosidades
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Victor de Moura Silva desenvolveu o equipamento com Rafael Casanato, superou as falhas do primeiro protótipo e representou sozinho a dupla em Seul, onde conquistou medalha de prata e reconhecimentos internacionais
O jovem Victor de Moura Silva transformou um projeto iniciado em uma escola pública de Carlos Barbosa, no Rio Grande do Sul, em uma máquina de reciclagem premiada na Coreia do Sul. A máquina automatiza etapas da separação de componentes encontrados em garrafas PET.
Desenvolvido em parceria com Rafael Casanato da Silva, o equipamento corta a tampa e o lacre, prensa a garrafa e separa os materiais conforme a cor. Victor apresentou sozinho o trabalho na World Invention Creativity Olympic (WICO), realizada em Seul.
A invenção conquistou medalha de prata com menção honrosa. Segundo a Prefeitura de Carlos Barbosa, o projeto também recebeu um reconhecimento especial relacionado à Tailândia, enquanto Victor ganhou o título de Embaixador Honorário.
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Rafael não conseguiu acompanhar o colega na viagem, mas Victor ressaltou que o projeto e o mérito pertencem integralmente aos dois. Para chegar à Coreia do Sul, o estudante recorreu a uma campanha de arrecadação, buscou patrocínios e empregou recursos próprios.
Victor afirma ter trabalhado para pagar a maior parte da viagem
A falta de recursos financeiros tornou-se um obstáculo entre o estudante e a competição internacional. Victor declarou que a vaquinha e os patrocínios cobriram aproximadamente 30% das despesas necessárias para a viagem.
O restante, segundo ele, foi pago com dinheiro obtido por meio do próprio trabalho. Os valores totais da viagem e a participação individual de cada patrocinador não foram detalhados.
“Infelizmente o Rafael não pôde viajar comigo, mas o projeto e o mérito são 100% nossos”, afirmou Victor no comunicado divulgado pela administração municipal. Ele acrescentou que precisou trabalhar bastante para completar o orçamento.
Victor havia concluído o Ensino Médio na Escola Estadual de Ensino Médio Elisa Tramontina. Atualmente, cursa Engenharia Mecânica no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS).
A participação aconteceu na 15ª edição da WICO. De acordo com a organização oficial da competição, o encontro foi realizado entre 16 e 18 de julho de 2026, na Universidade Nacional de Educação de Seul.
A programação incluiu exposição das invenções, apresentações profissionais, avaliação especializada e cerimônia de premiação. A organização oferece Grande Prêmio, medalhas de ouro, prata e bronze e distinções especiais.
Problema observado em aula deu origem à invenção
O projeto começou no início do ano letivo de 2023. Naquela época, Victor também estudava Eletromecânica no Senai e acompanhou uma discussão em sala de aula sobre o descarte incorreto dos resíduos.
A situação despertou o interesse do estudante pela separação de materiais recicláveis. Victor e Rafael passaram a pesquisar alternativas para facilitar o trabalho, especialmente na retirada de componentes fabricados com polímeros diferentes dos utilizados no corpo da garrafa.
As garrafas PET podem reunir tampa, lacre e outros componentes feitos de polipropileno. A permanência conjunta desses materiais dificulta a separação e pode comprometer a qualidade do produto obtido na reciclagem.
O trabalho foi registrado na Mostratec 2024 com o título “Estudo da criação de uma ferramenta com o objetivo de auxiliar na eficiência da reciclagem de plástico polipropileno – Fase II”.
O cadastro oficial identifica Victor e Rafael como autores e a Escola Elisa Tramontina como instituição responsável. A pesquisa propõe uma máquina automatizada para tornar mais eficiente a separação dos polímeros e reduzir problemas provocados pela gestão inadequada desses resíduos.
Primeiro modelo não funcionou como esperado
O desenvolvimento não avançou sem dificuldades. Victor relatou que o projeto não funcionou na primeira tentativa. Mesmo assim, a escola e os professores incentivaram a dupla a continuar desenvolvendo a ideia.
A versão inicial era uma ferramenta simples, criada para retirar o lacre das garrafas. Nas etapas seguintes, Victor e Rafael decidiram automatizar o processo e acrescentaram novos componentes ao protótipo.
Na configuração apresentada posteriormente, a garrafa é colocada de cabeça para baixo em uma esteira. Um pistão executa o corte da tampa e do lacre, enquanto uma prensa compacta a embalagem. O sistema também foi projetado para separar os materiais por cor.
O equipamento permanece caracterizado como um projeto experimental. Não foram divulgados indicadores de capacidade por hora, consumo de energia, taxa de acerto na classificação ou resultados de testes independentes em escala industrial.
Projeto acumulou premiações antes da viagem
Antes de chegar à Coreia do Sul, o trabalho passou por diferentes mostras científicas. A dupla conquistou o segundo lugar na mostra municipal de Carlos Barbosa e avançou para a Mostratec, realizada em Novo Hamburgo.
Na edição de 2024, a invenção ficou em primeiro lugar na área de Engenharia Ambiental e recebeu o Prêmio Excelência da Associação Brasileira de Incentivo à Ciência, além de recomendação para publicação na revista Scientia Prima.
O projeto também conquistou medalha de prata na Infomatrix Brasil. Na Muestra Científica Latino-Americana, realizada no Peru, recebeu medalha de prata e reconhecimento em pesquisa científica.
A evolução entre o modelo inicial e a máquina automatizada ocorreu desde 2023. Para Victor, a premiação em Seul representa não apenas um resultado pessoal, mas a continuidade de um trabalho construído pelos dois estudantes.
O jovem afirmou que pretende deixar um legado dentro da escola onde a pesquisa começou. A intenção é mostrar aos alunos mais novos que projetos desenvolvidos na educação pública podem alcançar feiras científicas nacionais e competições internacionais.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

