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Jovem chegou aos EUA aos 15 anos sem falar inglês, começou limpando quartos, corredores e banheiros de hospital para ajudar a família, virou o primeiro universitário da casa e voltou à mesma instituição aos 29 formado em Enfermagem pela NYU após concluir um curso acelerado em apenas 15 meses

Jovem chegou aos EUA aos 15 anos sem falar inglês, começou limpando quartos, corredores e banheiros de hospital para ajudar a família, virou o primeiro universitário da casa e voltou à mesma instituição aos 29 formado em Enfermagem pela NYU após concluir um curso acelerado em apenas 15 meses

7 min de leitura

Jovem chegou aos EUA aos 15 anos sem falar inglês, começou limpando quartos, corredores e banheiros de hospital para ajudar a família, virou o primeiro universitário da casa e voltou à mesma instituição aos 29 formado em Enfermagem pela NYU após concluir um curso acelerado em apenas 15 meses

Escrito por Geovane Souza

Publicado em 30/07/2026 às 14:30

Atualizado em 30/07/2026 às 14:31

Curiosidades

Imigrante que começou limpando quartos e banheiros de hospital conclui Enfermagem na NYU aos 29 anos após curso acelerado de 15 meses

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Frank Baez começou no setor de limpeza do hospital ainda no ensino médio, aprendeu inglês enquanto trabalhava, tornou-se o primeiro universitário da família e retornou à instituição onde descobriu a profissão que mudaria sua vida

Quando Frank Baez entrou pela primeira vez no NYU Langone Tisch Hospital, em Nova York, seu trabalho era deixar quartos, corredores e banheiros limpos para os pacientes. Ele havia chegado aos Estados Unidos vindo da República Dominicana, falava pouco inglês e precisava ajudar a sustentar a família.

Doze anos depois, Baez voltou a circular pela mesma instituição usando uniforme de enfermagem. Aos 29 anos, concluiu o curso da NYU Rory Meyers College of Nursing com média acadêmica de 3,6, depois de passar por um programa acelerado de apenas 15 meses.

A mudança não aconteceu de uma vez. Entre a limpeza hospitalar e a graduação, ele terminou o ensino médio, aprendeu um novo idioma, transportou pacientes, trabalhou em uma unidade de cuidados especiais e concluiu outros dois cursos superiores.

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A história, divulgada inicialmente em maio de 2019, não terminou na cerimônia de formatura. Anos depois, Baez tornou-se enfermeiro clínico sênior no mesmo sistema de saúde onde havia começado como funcionário da limpeza.

O primeiro emprego surgiu da necessidade de ajudar a família recém-chegada a Nova York

Frank Baez tinha 15 anos quando deixou a República Dominicana com dois irmãos para reencontrar a mãe e o avô no bairro do Brooklyn. Adaptar-se à cidade exigiu que ele aprendesse inglês enquanto frequentava a escola e procurava uma forma de contribuir com as despesas da casa.

Em 2006, aos 17 anos, conseguiu um trabalho de meio período no setor de limpeza do NYU Langone Tisch Hospital. Durante quase três anos, passou os fins de semana limpando quartos de pacientes, banheiros e corredores enquanto concluía o ensino médio na Sheepshead Bay High School.

Segundo a reportagem publicada pela ABC News em 22 de maio de 2019, Baez mal conseguia falar inglês quando começou a trabalhar no hospital. O emprego havia sido aceito principalmente porque ele precisava ajudar financeiramente a família, mas o contato diário com pacientes e profissionais de saúde acabou modificando seus planos.

Enquanto cuidava da limpeza dos quartos, ele começou a observar como enfermeiros conversavam com pacientes, explicavam procedimentos e defendiam as necessidades das pessoas internadas. A rotina que inicialmente representava apenas uma fonte de renda tornou-se a primeira experiência de Baez dentro da área médica.

Dos corredores do hospital ao transporte de pacientes, uma nova profissão começou a aparecer

Frank Baez posa com familiares e amigos após sua cerimônia de formatura na Faculdade de Enfermagem Rory Meyers da Universidade de Nova York. (Foto: Kate Lord/Universidade de Nova York)

O interesse pelo trabalho clínico levou Baez a se candidatar a uma vaga de transportador de pacientes. Nessa função, passou a acompanhar pessoas internadas até salas de cirurgia, exames de imagem e diferentes setores do hospital.

A proximidade com os pacientes permitiu que ele participasse de situações que não conhecia quando trabalhava na limpeza. Baez percebeu que se sentia confortável dentro do ambiente hospitalar e começou a considerar uma carreira na qual pudesse prestar cuidados diretamente.

Uma dessas situações ocorreu durante uma emergência médica. Ao acompanhar o atendimento de um paciente que sofreu uma parada cardiorrespiratória, ele observou uma enfermeira posicionar-se diante da equipe, defender as necessidades do doente e coordenar parte da resposta clínica.

Baez foi chamado para entregar rapidamente resultados laboratoriais importantes. De acordo com uma publicação da revista da NYU Meyers, o episódio fez com que ele percebesse que não queria apenas observar o trabalho da equipe, mas adquirir formação para participar do cuidado aos pacientes.

O caminho profissional continuou dentro do hospital. Depois de trabalhar como transportador, ele tornou-se funcionário administrativo de uma unidade especial do NYU Langone Orthopedic Hospital, acompanhando mais de perto a rotina de enfermeiros e pacientes após cirurgias.

Antes da Enfermagem, ele precisou concluir duas etapas acadêmicas e tornar-se o primeiro graduado da família

Baez cursou inicialmente uma graduação associada no Borough of Manhattan Community College. Depois, ingressou no Hunter College, onde concluiu o bacharelado em Literatura Espanhola com formação complementar em Ciências Biológicas.

A conclusão do curso representou uma mudança dentro da própria família. Ele tornou-se o primeiro de seus parentes próximos a receber um diploma universitário, resultado alcançado enquanto conciliava estudos, trabalho e adaptação à vida nos Estados Unidos.

Mesmo formado, Baez continuava pensando nas experiências vividas ao lado dos enfermeiros. Colegas do hospital passaram a incentivá-lo a tentar uma vaga no curso de Enfermagem da NYU Rory Meyers College of Nursing.

Kimberly Volpe, então diretora sênior de Enfermagem do hospital ortopédico, ofereceu-se para escrever uma carta de recomendação. Quando recebeu a notícia de que havia sido aceito, Baez percorreu os andares do hospital para contar a novidade aos colegas que haviam acompanhado sua trajetória.

Como informou o portal especializado Daily Nurse, o diploma anterior permitiu que ele ingressasse em um programa acelerado de Enfermagem. Durante o curso, Baez também foi admitido na Sigma Theta Tau International, sociedade internacional de honra voltada a profissionais e estudantes da área.

O curso de 15 meses exigiu uma rotina pesada de trabalho e estudos

O programa acelerado da NYU concentrava em 15 meses uma formação normalmente distribuída por um período maior. Baez continuou trabalhando no NYU Langone Orthopedic Hospital enquanto frequentava aulas, realizava atividades práticas e cumpria as exigências clínicas da graduação.

Natalya Pasklinsky, que trabalhou como enfermeira na mesma unidade em que ele havia atuado na limpeza, acompanhou parte de sua evolução. Anos depois, já como diretora de aprendizagem por simulação da faculdade, ela afirmou que Baez não havia simplesmente conseguido terminar um curso rigoroso, mas apresentado um desempenho acadêmico acima do necessário.

Ele concluiu a graduação em 20 de maio de 2019, aos 29 anos, com média 3,6 em uma escala que chega a 4 pontos. O resultado contrariava a própria avaliação que fazia sobre seu passado escolar, pois Baez dizia que nunca havia sido um aluno acostumado a receber apenas notas máximas.

A diferença, segundo ele, esteve na quantidade de horas dedicadas aos livros e ao trabalho. Houve momentos de dúvida, mas a sensação de que poderia avançar profissionalmente fez com que continuasse estudando.

Após a formatura, sua meta era trabalhar em terapia intensiva e especializar-se no atendimento de pacientes em estado crítico. Informações publicadas pela FOX 29 na época indicavam que ele também havia iniciado estudos de mestrado com o objetivo de tornar-se enfermeiro de prática avançada em cuidados agudos.

O antigo funcionário da limpeza retornou ao hospital como enfermeiro de terapia intensiva

Poucos meses depois da graduação, Baez começou a trabalhar como enfermeiro bilíngue na unidade de terapia intensiva cardiotorácica do NYU Langone Health. A função envolvia o acompanhamento de pacientes submetidos a tratamentos e cirurgias cardíacas complexas.

A contratação completou um ciclo iniciado em 2006. O adolescente que limpava quartos e tentava compreender o novo idioma passou a integrar a equipe clínica do hospital, atendendo pacientes em inglês e espanhol.

Durante a pandemia de Covid-19, sua imagem apareceu em painéis publicitários de Nova York, incluindo um espaço na Times Square. Ele também se tornou embaixador de uma marca de uniformes médicos e passou a orientar estudantes que estavam iniciando a carreira.

Em novembro de 2024, a própria NYU Rory Meyers College of Nursing informou que Baez já ocupava o cargo de enfermeiro clínico sênior no NYU Langone Health. Naquele ano, ele retornou à faculdade para entregar uniformes e conversar com novos formandos do mesmo programa acelerado que havia concluído cinco anos antes.

A trajetória de Frank Baez mostra como o contato com diferentes funções dentro de um hospital pode abrir caminhos profissionais que inicialmente pareciam distantes. Ele não saiu diretamente da limpeza para a Enfermagem, mas avançou por etapas, acumulando experiência, formação acadêmica e apoio de profissionais que reconheceram sua capacidade.

O que você achou da história do imigrante que começou limpando quartos de hospital e terminou cuidando de pacientes na terapia intensiva? Deixe sua opinião nos comentários e conte se você conhece alguém que também transformou um emprego inicial no primeiro passo para uma nova profissão.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

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