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Jovem da periferia de Fortaleza fez 8 tentativas para entrar em Medicina, estudou balançando na rede com apostilas doadas e um celular, recusou uma vaga distante por falta de dinheiro e acabou aprovada na UFC, onde a mãe trabalha como zeladora há 11 anos e chorou ao mostrar o resultado aos professores

Jovem da periferia de Fortaleza fez 8 tentativas para entrar em Medicina, estudou balançando na rede com apostilas doadas e um celular, recusou uma vaga distante por falta de dinheiro e acabou aprovada na UFC, onde a mãe trabalha como zeladora há 11 anos e chorou ao mostrar o resultado aos professores

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Jovem da periferia de Fortaleza fez 8 tentativas para entrar em Medicina, estudou balançando na rede com apostilas doadas e um celular, recusou uma vaga distante por falta de dinheiro e acabou aprovada na UFC, onde a mãe trabalha como zeladora há 11 anos e chorou ao mostrar o resultado aos professores

Escrito por Carla Teles

Publicado em 31/07/2026 às 07:46

Curiosidades

Após oito tentativas, jovem da periferia entra em Medicina na UFC estudando pelo celular e com apoio da mãe zeladora.

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Laianne Plácido Lima, jovem da periferia de Fortaleza, tentou Medicina desde 2015, estudou sem livros, computador ou mesa, usou apostilas doadas e o celular, recusou vaga na Bahia por falta de recursos e foi aprovada na UFC, onde a mãe trabalha como zeladora há 11 anos no campus da universidade.

Aos 25 anos, a jovem da periferia Laianne Plácido Lima encerrou uma sequência de oito tentativas ao ser aprovada em Medicina na Universidade Federal do Ceará. Moradora do bairro Pirambu, em Fortaleza, ela estudou com materiais doados, usou o celular e chegou a revisar conteúdos balançando em uma rede porque não tinha mesa em casa.

A história foi publicada pelo Diário do Nordeste em 28 de fevereiro de 2023, data em que o resultado da chamada regular do Sistema de Seleção Unificada foi divulgado. Laianne conquistou uma vaga na Faculdade de Medicina da UFC, instituição onde sua mãe, Maria Célia, trabalhava havia 11 anos como zeladora de um dos campi da capital cearense.

Aprovação encerrou oito anos de tentativas

Laianne começou a tentar uma vaga em Medicina em 2015, quando participou do Exame Nacional do Ensino Médio pela primeira vez. A aprovação pelo Sisu ocorreu somente depois de oito anos de provas, preparação e resultados que não permitiram o ingresso no curso desejado.

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Nos nove dias anteriores à divulgação, ela relatou ter enfrentado ansiedade e medo. Ao acessar a plataforma e encontrar a mensagem de aprovação na chamada regular, inicialmente teve dificuldade para acreditar que havia conseguido.

A fonte descreve o resultado como a oitava tentativa de Laianne. O número se refere à trajetória iniciada em 2015, mas a reportagem não detalha individualmente as notas ou classificações obtidas em cada edição do Enem.

A conquista marcou o encerramento de uma etapa e o início da preparação para frequentar a Faculdade de Medicina, localizada no Campus do Porangabuçu, em Fortaleza.

Mãe trabalhou para manter a filha estudando

Maria Célia tinha 56 anos na época da publicação e trabalhava como zeladora em um dos campi da UFC havia 11 anos. Embora não tivesse concluído os próprios estudos, ela ajudou a filha a permanecer em um curso preparatório e apoiou o objetivo de entrar na universidade.

Laianne afirmou que não teria conseguido continuar sem o suporte da mãe. Segundo a estudante, muitas pessoas abandonaram a preparação por falta de apoio, enquanto Célia permaneceu acreditando que a filha poderia alcançar a vaga.

Quando recebeu a notícia, a mãe também demorou a acreditar. A confirmação ganhou outra dimensão quando ela chegou ao trabalho, mostrou o resultado aos professores e viu os colegas se emocionarem.

A reportagem não informa o valor investido por Célia na preparação nem apresenta detalhes sobre a renda da família. O que está documentado é que a mãe era a principal responsável por ajudar a jovem da periferia a permanecer no cursinho.

Falta de recursos impediu mudança para outro estado

Após oito tentativas, jovem da periferia entra em Medicina na UFC estudando pelo celular e com apoio da mãe zeladora.

Antes de conquistar a vaga na UFC, Laianne havia sido aprovada em uma universidade na Bahia. Apesar do resultado, a família não tinha condições financeiras de mantê-la longe de Fortaleza.

Diante dessa limitação, ela permaneceu no Ceará e continuou estudando. A aprovação anterior mostrou que Laianne já estava próxima do objetivo, mas também revelou como a distância e os custos poderiam impedir o acesso efetivo ao ensino superior.

A fonte não identifica a universidade baiana, o curso exato ou os gastos estimados para a mudança. Por isso, não é possível afirmar quais despesas inviabilizaram a permanência fora do estado.

O relato de Maria Célia confirma apenas que a filha não assumiu a vaga porque a família não teria recursos para sustentá-la na Bahia.

Estudos aconteciam pelo celular e em uma rede

A estrutura disponível dentro de casa era limitada. Laianne relatou que não tinha livros próprios, apostilas, computador ou uma mesa adequada para estudar.

Quando estava em casa, acessava conteúdos pelo celular enquanto permanecia deitada ou sentada em uma rede. Ao comparar sua realidade com a de estudantes que possuíam livros e equipamentos, ela chegou a duvidar das próprias chances.

Laianne morava com outras sete pessoas no Pirambu. A reportagem não descreve o tamanho da casa, a divisão dos cômodos ou o nível de ruído enfrentado durante os estudos.

Sem materiais suficientes, a jovem da periferia procurava doações de apostilas e outros recursos. Os conteúdos recebidos passaram a integrar sua preparação para o Enem.

Biblioteca da UFC ofereceu ambiente para preparação

Laianne também frequentou o Curso Pré-Vestibular XII de Maio, ligado à Faculdade de Medicina da UFC. No campus, encontrou uma biblioteca onde conseguia manter uma rotina de estudos mais estruturada.

Ela chegava pela manhã e permanecia até as 22 horas. O espaço universitário ofereceu as condições de concentração e acesso que não estavam disponíveis em sua casa.

A fonte não informa por quanto tempo Laianne frequentou o cursinho, quais disciplinas exigiram maior dedicação ou quantas horas eram efetivamente destinadas ao estudo em cada dia.

Ainda assim, a permanência prolongada na biblioteca mostra a intensidade da preparação desenvolvida antes da aprovação.

Ausência de referências aumentou as dúvidas

Além das limitações materiais, Laianne relatou que cresceu sem exemplos próximos de pessoas que tivessem entrado em uma universidade e concluído a graduação. Para ela, a formação superior parecia uma realidade distante.

Na escola, segundo seu depoimento, não havia conversas frequentes sobre sonhos acadêmicos ou caminhos para entrar na universidade. A falta de referências alimentava a sensação de que Medicina não pertencia ao universo de possibilidades disponíveis para ela.

A estudante também enfrentava comentários de pessoas que consideravam improvável sua aprovação. Em alguns momentos, passou a questionar por que continuava tentando.

A mudança ocorreu quando ela percebeu que poderia se tornar o exemplo que não havia encontrado ao seu redor. Essa ideia ajudou a sustentar a preparação da jovem da periferia durante os anos seguintes.

Lei de Cotas foi decisiva para o ingresso

Ao comentar a aprovação, Laianne atribuiu importância direta à Lei de Cotas. Segundo ela, a política abriu a porta e criou a possibilidade concreta de ingresso na Faculdade de Medicina.

A estudante afirmou que não teria entrado sem o sistema de cotas. A reportagem, porém, não especifica a modalidade utilizada, a nota obtida no Enem ou a classificação final dentro do processo seletivo.

Também não foram informados os critérios de renda, escola pública ou outros elementos considerados na candidatura. Dessa forma, a participação deve ser descrita apenas nos termos apresentados pela própria aprovada.

O resultado foi divulgado por meio do Sisu, sistema utilizado para selecionar estudantes com base nas notas do Enem para vagas em instituições públicas de ensino superior.

Medicina também carrega memória do pai

O início das aulas estava previsto para 13 de março de 2023. Laianne deixaria diariamente a casa no Pirambu em direção ao Campus do Porangabuçu, onde funciona a Faculdade de Medicina.

O local também está ligado à história familiar. O pai da estudante recebeu tratamento contra o câncer no Hospital Universitário Walter Cantídio, situado no complexo, antes de morrer nos anos 2000.

A memória desse período influenciou o desejo de Laianne de se tornar oncologista. Ela afirmou que pretendia aprender, crescer como pessoa e futuramente acolher pacientes em sua atuação profissional.

A reportagem não informa o nome do pai, o tipo de câncer enfrentado ou o ano exato de sua morte. Esses detalhes não devem ser presumidos.

Resultado transformou dúvida em novo começo

A aprovação não apagou os anos de dificuldades nem eliminou os desafios de permanecer em um curso de longa duração. A fonte também não detalha como seriam custeados transporte, alimentação, livros e outras despesas durante a graduação.

Ainda assim, o resultado modificou uma trajetória marcada por oito tentativas, falta de equipamentos e insegurança. A jovem da periferia que estudava pelo celular passou a ocupar a mesma universidade onde a mãe trabalhava diariamente como zeladora.

O choro dos professores ao conhecerem a aprovação refletiu não apenas a conquista de uma vaga, mas o reconhecimento do esforço compartilhado entre mãe e filha.

Na sua opinião, universidades e governos deveriam ampliar programas de permanência para estudantes de baixa renda depois da aprovação? Conte nos comentários quais medidas poderiam impedir que dificuldades financeiras afastem jovens da universidade mesmo depois de conquistarem uma vaga.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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