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Jovem palestino de 17 anos estudou cálculo pelo celular em Gaza, com escola fechada, pouca comida e energia limitada, venceu prova online de cinco horas e conquistou vaga em final mundial com 108 países, transformando a matemática em refúgio contra a guerra
Escrito por Ana Alice
Publicado em 30/07/2026 às 13:42
Atualizado em 30/07/2026 às 13:43
Curiosidades
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Estudante palestino de Gaza estudou matemática avançada pelo celular, venceu uma seletiva online e, após não conseguir viajar ao Reino Unido, apareceu nos resultados oficiais da IMO 2025 com menção honrosa registrada pela competição.
A tela de um celular, alguns livros e a ajuda de um irmão mais velho viraram sala de aula para Karam Al-Kurd, estudante palestino de 17 anos que vivia em Deir al-Balah, na região central da Faixa de Gaza, quando venceu a Olimpíada Palestina de Matemática.
Sem conseguir frequentar treinamentos presenciais e com a escola fechada durante a guerra, ele estudou cálculo, teoria dos números, lógica e problemas avançados até obter a maior nota em uma prova online de cinco horas e conquistar vaga na final internacional no Reino Unido, que reuniria equipes de 108 países.
O caso chama atenção pelo contraste entre o nível da competição e os recursos disponíveis para o estudante.
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Em olimpíadas internacionais de matemática, candidatos costumam resolver questões acima do currículo escolar comum, com preparação específica e acompanhamento de professores.
Karam, segundo relato do Financial Times, dependia de energia solar limitada para carregar o telefone e dividia a casa da família com parentes deslocados.
A história ganhou uma atualização importante depois da frustração inicial.
Karam não conseguiu viajar para a etapa internacional de 2024 no Reino Unido, mas aparece nos registros oficiais da Olimpíada Internacional de Matemática de 2025, realizada na Austrália, como integrante da equipe palestina.
O site oficial da IMO informa que ele recebeu menção honrosa, com oito pontos, enquanto Kareem Kayid, também da Palestina, obteve outra menção honrosa.
Celular virou sala de aula em Gaza
Antes da vaga internacional, Karam já enfrentava uma rotina distante da preparação comum para competições acadêmicas.
A casa em Deir al-Balah, segundo o Financial Times, passou a abrigar vários parentes deslocados, enquanto a família lidava com pouca comida e energia elétrica restrita.
O telefone, quando conseguia ser carregado, era usado para estudar e acompanhar materiais de matemática.
Sem acesso regular a aulas e treinamentos, ele recorreu ao irmão mais velho, a livros e ao estudo individual.
O conteúdo não era simples: cálculo, teoria dos números e lógica fazem parte de uma preparação que exige tempo, concentração e raciocínio abstrato.
Essa combinação tornou a trajetória incomum dentro de uma disputa já exigente.
Samed AlHajajla, líder da equipe palestina na Olimpíada Internacional de Matemática, definiu Karam como um “talento não descoberto”, segundo a reportagem do Financial Times.
A frase ajuda a situar o que estava em jogo.
O estudante não surgiu de um centro de treinamento estruturado, mas de um ambiente onde o acesso à internet, à eletricidade e a uma rotina escolar regular era limitado.
Mesmo assim, a prova online de cinco horas terminou com a maior nota da seletiva palestina.
O resultado abriu uma vaga para a final internacional, que seria realizada no Reino Unido e teria equipes de 108 países.
Olimpíada Internacional de Matemática
A Olimpíada Internacional de Matemática, conhecida pela sigla IMO, é uma das principais competições acadêmicas do mundo para estudantes do ensino médio.
As questões não medem apenas memorização de fórmulas; elas exigem soluções criativas, demonstrações rigorosas e capacidade de enxergar padrões em problemas difíceis.
Em geral, os participantes estudam temas como combinatória, geometria, álgebra e teoria dos números.
São áreas que aparecem em currículos avançados e em programas de preparação específicos, muitas vezes com acompanhamento de ex-competidores, professores universitários ou treinadores especializados.
No caso palestino, parte desse trabalho vem sendo organizada por iniciativas como a Meshka, que se apresenta como uma organização voltada a oferecer educação aberta e gratuita para estudantes palestinos com interesse em olimpíadas científicas.
O site da entidade informa que o projeto apoia talentos olímpicos na Palestina desde 2020.
Segundo o relato publicado sobre a equipe de 2024, quase mil jovens palestinos entre 14 e 18 anos se inscreveram no programa gratuito de preparação.
Entre os selecionados, quatro formaram a equipe daquele ciclo, incluindo Karam e Hasan Saleh, outro estudante de Gaza.
A preparação ocorreu por chamadas de vídeo com matemáticos palestinos e internacionais.
Ainda assim, as condições variavam entre os integrantes da equipe.
Hasan, por exemplo, afirmou ao Financial Times que só conseguia participar de parte das sessões usando um telefone compartilhado com seis familiares.
Ele havia deixado sua casa em Gaza City no início da guerra e relatou ter perdido laptop, calculadora, anotações de matemática e problemas que havia criado.
Vaga no Reino Unido e barreiras para viajar
A classificação de Karam para a final internacional tinha um significado adicional: seria sua primeira viagem para fora de Gaza.
O plano, porém, não avançou.
O fechamento da passagem de Rafah, na fronteira com o Egito, impediu que Karam e Hasan solicitassem vistos para o Reino Unido, já que não havia uma rota viável para deixar Gaza.
Os outros dois integrantes da equipe palestina, moradores da Cisjordânia, também não competiram após problemas com passaportes e vistos que desapareceram durante o processo de envio entre representações diplomáticas, segundo o Financial Times.
O episódio virou uma barreira administrativa e geográfica dentro de uma competição que, em tese, depende apenas de lápis, papel e raciocínio.
Para a equipe palestina, a prova começou antes do primeiro problema matemático.
Gregor Dolinar, presidente da IMO, afirmou na época que a organização esperou até o último momento pela possibilidade de participação da equipe.
O caso também alimentou discussões sobre alternativas para estudantes afetados por conflitos, como acesso online e apoio logístico.
A atualização posterior mostra que parte desse caminho foi retomada.
Em 2025, a equipe palestina apareceu na IMO da Austrália, e Karam constou no resultado oficial com menção honrosa.
O registro não detalha sua situação pessoal depois da competição, mas confirma a participação internacional no ano seguinte.
Talento acadêmico fora do radar
O caso de Karam ajuda a iluminar uma pergunta que vai além da matemática: quantos estudantes com capacidade de competir em alto nível permanecem invisíveis por falta de internet estável, energia, escola aberta, documentos ou possibilidade de deslocamento?
A trajetória dele não apaga as condições em que viveu nem transforma escassez em virtude.
O que a história mostra, com base nos relatos disponíveis, é que talento acadêmico pode aparecer mesmo quando a infraestrutura falha.
Também indica a importância de redes de apoio.
O irmão, os livros, o telefone e os treinamentos remotos não substituíram uma estrutura educacional completa, mas permitiram que Karam chegasse a uma prova seletiva e, depois, aos registros oficiais da maior competição estudantil de matemática do mundo.
A presença da Palestina na IMO também é recente.
O banco oficial da competição registra resultados palestinos a partir de 2022, incluindo menções honrosas em 2022 e 2025.
Esse histórico ajuda a contextualizar por que a participação de estudantes como Karam ganhou repercussão.
A Meshka, por sua vez, apresenta sua missão como a oferta de educação científica gratuita para estudantes palestinos com ambição em olimpíadas.
O projeto informa que atua com materiais e treinamentos em áreas como álgebra, pré-álgebra, solução de problemas e outros conteúdos usados em competições.
Resultado depois da frustração
O ponto mais relevante da atualização é que a história não terminou na vaga perdida de 2024.
A impossibilidade de viajar ao Reino Unido marcou a primeira etapa, mas o resultado oficial de 2025 colocou Karam na lista de competidores palestinos reconhecidos pela IMO.
No registro da equipe palestina de 2025, Karam aparece com 8 pontos e menção honrosa.
O resultado não equivale a medalha, mas na estrutura da competição é um reconhecimento oficial dado a participantes que resolvem integralmente ao menos um problema, conforme as regras tradicionais da IMO.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

