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Jovens cansaram de fingir riqueza nas redes: dívidas acima de R$ 100 mil, juros altos e sonho da casa própria distante transformam TikTok e Instagram em confessionários financeiros
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 26/07/2026 às 00:11
Atualizado em 26/07/2026 às 00:12
Economia
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Com 83,5 milhões de brasileiros inadimplentes, nova geração troca ostentação por planilhas, cortes de gastos e relatos sinceros sobre reconstrução financeira.
Uma mudança importante começou a ganhar espaço nas redes sociais utilizadas pelos jovens.
Vídeos sobre carros, viagens e consumo de luxo agora dividem atenção com relatos de dívidas, limites financeiros e tentativas de reorganizar o orçamento.
O movimento ocorre em um cenário de juros elevados, comprometimento da renda e crescimento do valor médio das dívidas entre os mais novos.
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Dados do Mapa da Inadimplência da Serasa, referentes a maio de 2026, mostram que o Brasil tinha 83,5 milhões de consumidores inadimplentes.
Desse total, 11% tinham entre 18 e 25 anos.
O valor médio das dívidas dessa faixa etária passou de R$ 2 mil, em maio de 2020, para R$ 3,6 mil, em maio de 2026.
Dívidas deixam de ser escondidas
A empreendedora Camila Cordeiro decidiu mostrar sua situação financeira depois de acumular mais de R$ 100 mil em dívidas.
A jovem tinha 23 anos quando enfrentou prejuízos após comprar uma franquia que não apresentou o resultado esperado.
Camila resolveu documentar no TikTok o processo de pagamento das dívidas e recuperação do nome limpo.
Um dos vídeos publicados ultrapassou 1,5 milhão de visualizações.
Relatos semelhantes surgiram nos comentários, incluindo histórias de pessoas com endividamento ainda maior.
A usuária Jardielly também contou que chegou a dever mais de R$ 150 mil para bancos, agiotas e outros credores.
Essas publicações revelam como o chamado fracasso financeiro passou a ser discutido de maneira mais aberta.
“Loud budgeting” coloca limites em voz alta
O compartilhamento público das restrições financeiras recebeu o nome de “loud budgeting”, expressão traduzida como “orçamento em voz alta”.
A tendência incentiva pessoas a declararem seus limites de gastos e suas prioridades financeiras.
David Spohn, professor da Lynn University, nos Estados Unidos, pesquisa esse comportamento entre os jovens.
Segundo o professor, integrantes da Geração Z passaram a rejeitar o consumo de luxo como principal símbolo de sucesso.
A falta de dinheiro para determinada atividade deixou de ser tratada necessariamente como motivo de vergonha.
Jovens agora afirmam, de maneira direta, que alguns gastos simplesmente não cabem no orçamento.
Spohn também destaca que a Geração Z utiliza as redes sociais para buscar informações e tomar decisões financeiras.
A internet preenche lacunas quando assuntos como salários, dívidas, desigualdade de gênero e investimentos não são discutidos pela família ou pela escola.
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Viviane Alves
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Custo de vida muda o comportamento digital
A planejadora financeira Priscilla Mundim relaciona essa mudança ao elevado endividamento das famílias brasileiras.
Conteúdos sobre carros, imóveis e viagens luxuosas perderam identificação com a realidade de grande parte da população.
Famílias com pagamentos em dia também podem enfrentar forte comprometimento da renda mensal.
Esse cenário ajuda a explicar por que o consumismo exagerado deixou de atrair tantos jovens.
A pesquisa global da Deloitte de 2026 ouviu mais de 22 mil integrantes das gerações Z e millennial em 44 países.
O custo de vida apareceu como a principal preocupação dos entrevistados.
O levantamento também mostrou que 51% da Geração Z e 40% dos millennials não possuem condições financeiras para comprar um imóvel.
Renda maior não garante ascensão social
Um estudo de 2026 do Núcleo de Estudos Raciais do Insper comparou millennials e integrantes da Geração X aos 30 anos.
Daniel Duque, Michael França e Fillipi Nascimento conduziram a pesquisa.
Os millennials apresentaram renda maior e mais acesso à educação do que a geração anterior na mesma idade.
A melhoria desses indicadores, porém, não trouxe avanço proporcional nas condições de vida.
Os pesquisadores classificaram esse fenômeno como ausência de mobilidade intergeracional plena.
O conceito representa a dificuldade enfrentada pelos filhos para superar a renda real alcançada pelos pais.
Exposição financeira traz riscos e benefícios
A abertura sobre dívidas pode ajudar jovens a abandonar a culpa e buscar soluções para seus problemas financeiros.
Relatos reais também aumentam a identificação entre pessoas que enfrentam situações semelhantes.
O compromisso público pode ampliar o envolvimento com metas de pagamento e reorganização do orçamento.
A exposição excessiva, contudo, apresenta riscos importantes.
Orientações de influenciadores podem funcionar para algumas pessoas, mas não necessariamente atendem todas as realidades.
A repetição de histórias sobre dívidas também pode provocar uma normalização perigosa do endividamento.
Comparações com situações financeiras incompatíveis podem prejudicar decisões individuais.
Cada plano precisa considerar renda, despesas, contratos e objetivos específicos.
Informações privadas e dados financeiros sensíveis também não devem ser divulgados sem cuidado.
O fim da ostentação financeira nas redes?
A nova conversa sobre dinheiro mostra uma geração menos interessada em aparentar riqueza e mais disposta a reconhecer limites.
TikTok e Instagram passaram a reunir histórias de endividamento, economia e reconstrução financeira.
A mudança aproxima o conteúdo digital da realidade enfrentada por milhões de brasileiros.
O desafio será transformar a identificação gerada por esses relatos em decisões financeiras responsáveis e adequadas para cada realidade.
Você acredita que expor dívidas nas redes ajuda as pessoas a reorganizarem a vida financeira ou pode acabar normalizando o endividamento? Deixe sua opinião!
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

