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Jovens passaram anos transportando tábuas em barcos e lançando vigas na correnteza para erguer uma cabana improvável sobre uma rocha isolada no meio de um rio, viram as enchentes destruírem o abrigo várias vezes e continuaram reconstruindo a casa no rio Drina desde 1968

Jovens passaram anos transportando tábuas em barcos e lançando vigas na correnteza para erguer uma cabana improvável sobre uma rocha isolada no meio de um rio, viram as enchentes destruírem o abrigo várias vezes e continuaram reconstruindo a casa no rio Drina desde 1968

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Jovens passaram anos transportando tábuas em barcos e lançando vigas na correnteza para erguer uma cabana improvável sobre uma rocha isolada no meio de um rio, viram as enchentes destruírem o abrigo várias vezes e continuaram reconstruindo a casa no rio Drina desde 1968

Escrito por Geovane Souza

Publicado em 28/07/2026 às 15:54

Curiosidades

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Casa do Rio Drina é reconstruída há quase seis décadas após enchentes destruírem várias versões da cabana erguida sobre uma rocha na Sérvia. (Foto: dawn.com)

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Construída por nadadores que buscavam um lugar para descansar, a pequena Casa do Rio Drina atravessou quase seis décadas de correntezas, destruições e reconstruções até se tornar um dos símbolos mais fotografados da Sérvia

Uma pequena cabana de madeira permanece apoiada sobre uma rocha isolada no meio do rio Drina, perto de Bajina Bašta, no oeste da Sérvia. A imagem parece resultado de um projeto arquitetônico planejado para chamar atenção, mas a construção começou de maneira improvisada, durante o verão de 1968.

Um grupo de jovens costumava nadar no rio e usar a formação rochosa como ponto de descanso. Como a pedra ficava quente e não oferecia proteção contra o sol, eles transportaram algumas tábuas até o local e montaram uma plataforma simples.

A correnteza levou aquela primeira estrutura ainda no mesmo ano. Em vez de abandonar a ideia, Milija Mandić, seu irmão Milan e outros moradores voltaram à rocha e começaram a preparar uma cabana mais completa, concluída no verão seguinte.

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Desde então, a Casa do Rio Drina foi destruída e reconstruída repetidas vezes. As versões mais resistentes receberam reforços de concreto, mas nem isso impediu que o aumento do nível da água arrancasse novamente a construção de sua base.

Uma pedra usada por nadadores deu origem à casa mais conhecida de Bajina Bašta

A rocha fica a cerca de dois quilômetros do centro de Bajina Bašta, em um trecho do Drina próximo à fronteira entre Sérvia e Bósnia e Herzegovina. A cidade está localizada aproximadamente 160 quilômetros a sudoeste de Belgrado, segundo informações publicadas pela Reuters em maio de 2013.

No verão de 1968, os jovens que frequentavam o rio decidiram cobrir a pedra com tábuas. O objetivo não era construir uma residência permanente, mas criar um abrigo onde pudessem descansar, tomar sol e deixar roupas e objetos pessoais durante os mergulhos.

A plataforma não resistiu às chuvas do outono. Em 1969, Milija Mandić, conhecido pelo apelido Gljiva, reuniu amigos e voltou ao local para erguer uma pequena casa de madeira, com paredes, telhado e espaço suficiente para encontros durante as férias escolares.

Tábuas atravessaram o rio em barcos enquanto peças pesadas seguiram pela água

Jovens constroem cabana sobre uma rocha no rio Drina em 1968, enfrentam sucessivas enchentes e mantêm a casa como símbolo turístico da Sérvia. (Foto: dawn.com)

Construir sobre uma rocha cercada por correnteza exigiu uma logística incomum. Não havia ponte, estrada de serviço ou qualquer ligação permanente com a margem, por isso as ferramentas e as peças menores precisaram ser transportadas em barcos e caiaques.

As peças maiores apresentavam outro problema. Elas eram colocadas na água em um ponto acima da rocha, seguiam levadas pelo próprio rio e precisavam ser interceptadas pelos jovens no momento certo.

De acordo com o portal Serbia.com, os construtores soltavam os componentes pesados na correnteza e os puxavam para fora quando chegavam à formação rochosa. A cabana foi montada aos poucos, peça por peça, em uma operação feita quase inteiramente a partir da água.

O acesso continua limitado a embarcações, caiaques ou travessias realizadas por pessoas acostumadas ao rio. A posição que tornou a construção conhecida também impede reformas convencionais e expõe continuamente sua estrutura ao impacto da água, de galhos e de materiais transportados durante as cheias.

Apesar de ser chamada de casa, a construção possui dimensões reduzidas e funciona principalmente como abrigo de lazer. Ela nunca foi projetada como residência familiar permanente, com ligação terrestre, rede de abastecimento ou acesso regular por veículos.

O Drina levou a cabana várias vezes e obrigou moradores a começar novamente

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A história da Casa do Rio Drina não corresponde à sobrevivência contínua de uma única estrutura desde 1968. Ao longo das décadas, diferentes versões ocuparam a mesma pedra depois que enchentes arrancaram paredes, telhados e bases completas.

Um guia publicado pela Organização de Turismo da Sérvia informa que a cabana foi destruída diversas vezes, incluindo uma queda em dezembro de 1999. A reconstrução ocorreu apenas em 2005, quando foram instaladas duas vigas de concreto para aumentar a resistência da base, mas outra cheia derrubou o imóvel em 2010 e levou à montagem da versão seguinte em 2011.

As fontes locais apresentam números diferentes para a quantidade total de destruições. Uma reportagem da Al Jazeera Balkans, publicada em janeiro de 2017, descreveu a construção de nove versões da cabana, indicando que oito estruturas anteriores haviam sido levadas ou danificadas pelo rio.

A divergência pode estar relacionada à forma como cada relato considera o abrigo inicial de tábuas, as estruturas recuperadas após as cheias e as reconstruções completas. O ponto em comum é que a casa atual não é exatamente aquela montada pelos jovens nos anos 1960, mas a continuação do mesmo projeto no mesmo rochedo.

Uma fotografia publicada em 2012 levou a pequena cabana para outros países

Durante muitos anos, a construção era conhecida principalmente por moradores de Bajina Bašta, estudantes e participantes de atividades no Drina. A popularização da regata realizada na região aumentou a circulação de visitantes e colocou a cabana no trajeto de milhares de pessoas.

A projeção internacional ganhou força em 2 de agosto de 2012, quando a National Geographic publicou uma fotografia de Irene Becker como “Foto do Dia”. A imagem mostrava a casa sozinha sobre a rocha, cercada pelas águas do Drina e pelas montanhas do oeste sérvio.

A fotografia circulou em jornais, revistas, páginas de turismo e redes sociais. A cabana passou a aparecer em listas de construções isoladas, casas incomuns e destinos fotográficos, transformando um abrigo criado por nadadores em um dos cartões-postais mais reconhecidos da Sérvia.

A atração fica perto das montanhas de Tara, mas continua sendo propriedade privada

Foto: dawn.com

A Casa do Rio Drina está inserida em uma região marcada pelo rio, pelas encostas da montanha Tara e por atividades como rafting, passeios de barco e caminhadas. A Organização Nacional de Turismo da Sérvia inclui a pequena construção entre os pontos procurados por visitantes que seguem para Bajina Bašta e para os mirantes da região.

A visão mais segura da casa é obtida a partir das margens ou durante passeios autorizados pelo rio. O Atlas Obscura informa que o imóvel é uma propriedade privada, embora possa ser observado por visitantes, o que exige respeito aos limites do local e cuidado com a correnteza durante qualquer aproximação.

A permanência da cabana sobre a rocha não dependeu de uma técnica capaz de vencer definitivamente o Drina. Ela continua ali porque, cada vez que a água destruiu o abrigo, moradores decidiram reconstruí-lo no mesmo ponto onde um grupo de jovens colocou algumas tábuas durante o verão de 1968.

Você reconstruiria uma casa no mesmo lugar depois de vê-la ser levada várias vezes pela correnteza?
Na sua opinião, a insistência dos moradores representa coragem, apego à tradição ou risco desnecessário? Deixe seu comentário e conte o que mais chamou sua atenção nessa história.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

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