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Lagarta que devasta plantações de soja, milho e algodão esconde quatro fungos capazes de degradar isopor dentro do próprio intestino
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 25/07/2026 às 02:27
Curiosidades
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Pesquisadores brasileiros identificaram microrganismos que cresceram sobre o poliestireno e provocaram alterações visíveis no material após 60 dias.
Uma das pragas agrícolas mais temidas pelos produtores brasileiros revelou uma habilidade surpreendente dentro do próprio organismo.
Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos e da Universidade Estadual Paulista encontraram quatro fungos no intestino da lagarta Helicoverpa armigera.
Esses microrganismos demonstraram potencial para degradar o poliestireno, material utilizado na fabricação do isopor.
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A descoberta foi apresentada em um artigo publicado em 2026 na revista científica BMC Microbiology.
O resultado amplia o conhecimento sobre fungos associados a insetos e abre uma nova frente de investigação sobre a degradação desse tipo de plástico.
Praga das lavouras revela capacidade inesperada
A Helicoverpa armigera causa preocupação há décadas em plantações de soja, milho e algodão.
Sua resistência e sua capacidade de atacar diferentes culturas transformaram a espécie em uma das principais ameaças agrícolas.
Pesquisadores decidiram observar outro aspecto do inseto: a comunidade de microrganismos presente em seu intestino.
Estudos anteriores concentravam grande parte das análises nas bactérias intestinais.
A equipe brasileira, porém, direcionou a investigação para os fungos associados às larvas.
Três dietas foram utilizadas durante o estudo
Os cientistas separaram as lagartas em três grupos com diferentes formas de alimentação.
O primeiro grupo recebeu apenas poliestireno expandido.
O segundo grupo foi alimentado com uma dieta mista, composta por alimento convencional e até 50% de poliestireno.
O terceiro grupo permaneceu com a alimentação tradicional oferecida aos insetos.
A microbiota intestinal foi analisada posteriormente por meio da técnica de metabarcodificação.
Os resultados mostraram que a dieta exerceu influência direta sobre a diversidade dos fungos encontrados nas lagartas.
Larvas expostas a maiores quantidades de poliestireno apresentaram uma comunidade fúngica mais variada.
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Viviane Alves
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Quatro fungos cresceram sobre o poliestireno
A análise permitiu o isolamento de quatro fungos presentes no intestino dos insetos.
Os pesquisadores identificaram exemplares dos gêneros Aspergillus, Talaromyces e duas espécies de Penicillium.
Cada fungo foi colocado sobre um filme ultrafino de poliestireno durante 60 dias.
O crescimento dos microrganismos foi acompanhado por meio de microscopia eletrônica de varredura.
Imagens obtidas após o experimento revelaram alterações na superfície do material.
Segundo Flavio Henrique Silva, professor do Departamento de Genética e Evolução da UFSCar, o crescimento indica que o plástico foi utilizado como fonte de carbono.
Dois fungos apresentaram maior eficiência durante o experimento.
Os outros dois provocaram mudanças mais discretas na estrutura dos filmes analisados.
Pesquisa brasileira pode ser pioneira no país
Flavio Henrique Silva afirmou que os trabalhos conduzidos pelo grupo estão provavelmente entre os primeiros realizados no Brasil sobre esse tema.
O estudo investigou especificamente fungos da microbiota intestinal de insetos envolvidos na degradação do poliestireno.
A descoberta também mostra que uma espécie conhecida pelos prejuízos agrícolas pode esconder microrganismos com características pouco conhecidas.
O trabalho, no entanto, ainda não confirma a decomposição completa do plástico.
Destino do plástico ainda está sendo investigado
A equipe continua analisando as fezes das lagartas para compreender o que acontece com o poliestireno após a digestão.
Os cientistas querem descobrir se o polímero é transformado em outro material.
Outra possibilidade é que o plástico seja apenas fragmentado em partículas menores.
Essas partículas poderiam permanecer na forma de microplásticos ou nanoplásticos.
A resposta será importante para determinar se existe uma degradação efetiva ou apenas uma redução física do material.
O que a descoberta representa para novas pesquisas?
A identificação dos quatro fungos oferece uma nova perspectiva para os estudos sobre poliestireno.
O resultado não significa que as lagartas resolverão diretamente o problema provocado pelo descarte de isopor.
A descoberta demonstra, porém, que microrganismos associados aos insetos conseguem crescer sobre o material e modificar sua superfície.
Pesquisas futuras deverão esclarecer como ocorre esse processo e quais substâncias são geradas durante a transformação.
A Helicoverpa armigera, portanto, deixa de ser observada apenas como uma praga agrícola.
Seu intestino também passa a ser considerado uma fonte de fungos com potencial para ajudar na compreensão da degradação do poliestireno.
Você acredita que fungos encontrados em insetos poderão contribuir para reduzir o acúmulo de isopor no futuro? Deixe sua opinião!
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

