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Levado à Austrália para acabar com insetos nas plantações, pássaro se espalha por cidades, invade ninhos e vira ameaça para aves nativas após 160 anos
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 28/07/2026 às 00:43
Curiosidades
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Ave introduzida no século XIX para controlar pragas agrícolas tornou-se uma espécie invasora e passou a pressionar a biodiversidade australiana.
Uma tentativa de controlar insetos nas plantações acabou criando um problema ambiental duradouro na Austrália.
Mais de 160 anos depois, a ave se espalhou por áreas rurais e centros urbanos, principalmente no leste australiano.
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A espécie também conseguiu se estabelecer na Nova Zelândia e passou a disputar alimento, abrigo e locais de reprodução com pássaros nativos.
Especialistas apontam que sua capacidade de adaptação e seu comportamento agressivo favoreceram a rápida expansão da população.
Introdução para controlar insetos teve resultado inesperado
A chegada do mainá-comum ocorreu no século XIX, quando a ave foi utilizada como uma possível solução para insetos encontrados em plantações.
O resultado, no entanto, seguiu uma direção diferente da esperada.
A espécie encontrou condições favoráveis para sobreviver, reproduzir-se e ocupar ambientes variados.
Áreas agrícolas, bairros residenciais, parques e regiões comerciais passaram a oferecer alimento e abrigo em abundância.
O Australian Museum relaciona o sucesso da espécie ao comportamento oportunista e à capacidade de viver perto das pessoas.
A expansão transformou o pássaro em uma das espécies invasoras mais prejudiciais presentes no país.
Comportamento agressivo ameaça aves nativas
O mainá-comum compete diretamente com espécies locais por alimentos e espaços usados na construção de ninhos.
Essa disputa reduz as opções disponíveis para pássaros nativos durante os períodos de reprodução.
A ave também pode ocupar cavidades em árvores, expulsar outros animais e destruir estruturas já utilizadas por diferentes espécies.
Registros ainda apontam o consumo de ovos e a invasão de ninhos.
Essas ações comprometem a reprodução da fauna local e aumentam a pressão sobre populações nativas.
A elevada adaptação permite que o mainá sobreviva tanto no campo quanto em cidades densamente povoadas.
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Viviane Alves
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Restos de comida aceleram expansão nas cidades
O ambiente urbano oferece recursos constantes para o crescimento da população.
Rações deixadas para animais domésticos, lixo orgânico exposto e restos de comida facilitam o acesso diário ao alimento.
A presença desses recursos reduz a necessidade de deslocamentos longos e favorece a permanência das aves nos bairros.
As principais fontes urbanas incluem:
- Rações deixadas em áreas externas;
- Resíduos orgânicos descartados incorretamente;
- Restos de alimentos encontrados em ruas e quintais.
Especialistas também alertam para a presença de parasitas, ácaros e doenças aviárias associados à espécie.
Algumas dessas enfermidades apresentam potencial de transmissão para seres humanos.
Mainá-comum foi classificado como animal-praga
A então ministra do Meio Ambiente e Patrimônio do Território da Capital Australiana, Rebecca Vassarotti, classificou oficialmente a ave como animal-praga em 2021.
Grupos de conservação afirmam que boa parte do controle ainda depende do trabalho de voluntários.
A ausência de um programa governamental amplo mantém comunidades locais à frente de diversas iniciativas de captura.
O Canberra Indian Myna Action Group tornou-se uma das organizações mais conhecidas nesse trabalho.
Campanhas reduziram presença da ave em Canberra
O integrante do grupo Bill Handke relatou que o mainá-comum já ocupou a terceira posição entre as aves mais frequentes de Canberra.
Cerca de 12 anos de campanhas de captura fizeram a espécie cair para o 24º lugar.
A diminuição das ações de controle permitiu que a população voltasse a crescer posteriormente.
O pássaro passou novamente a aparecer entre as aves mais abundantes do leste australiano.
Moradores também aumentaram os pedidos por armadilhas e orientações de manejo.
Programas locais recomendam a captura seguida da eutanásia, conforme os protocolos adotados para conter a espécie invasora.
Controle da espécie continua sendo um desafio
A trajetória do mainá-comum mostra como uma medida criada para proteger plantações pode gerar consequências ambientais prolongadas.
O controle exige ações contínuas, orientação adequada e participação das comunidades afetadas.
A redução temporária observada em Canberra mostrou que campanhas de captura podem diminuir a presença da ave.
A recuperação posterior da população também revelou que a interrupção desses esforços pode permitir uma nova expansão.
O que deve receber maior prioridade na Austrália: ampliar as campanhas de controle ou investir mais na prevenção da expansão da espécie? Deixe sua opinião!
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

