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Lítio desmata menos que ouro e carvão, mas mapa global com 70 mil minas revela impactos quase invisíveis capazes de ameaçar espécies e ecossistemas frágeis

Lítio desmata menos que ouro e carvão, mas mapa global com 70 mil minas revela impactos quase invisíveis capazes de ameaçar espécies e ecossistemas frágeis

5 min de leitura

Lítio desmata menos que ouro e carvão, mas mapa global com 70 mil minas revela impactos quase invisíveis capazes de ameaçar espécies e ecossistemas frágeis

Escrito por Viviane Alves

Publicado em 25/07/2026 às 01:04

Mineração

Mina a céu aberto em região árida mostra como a extração mineral transforma a paisagem e pode pressionar ecossistemas sensíveis.

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Estudo publicado na Nature Communications mostra que minerais usados em tecnologias verdes podem provocar menos desmatamento, porém pressionam habitats sensíveis e aumentam riscos à biodiversidade.

Um novo mapa global revelou que a mineração de lítio, ouro, carvão e outros minerais afeta a natureza de maneiras diferentes.

A pesquisa analisou mais de 70 mil áreas de mineração, relacionadas a aproximadamente 20 commodities extraídas em diferentes regiões do planeta.

Os resultados foram publicados em 28 de maio de 2026, na revista científica Nature Communications.

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O levantamento mostrou que as atividades mineradoras provocaram a perda de aproximadamente 16.268 km² de cobertura florestal entre 2001 e 2022.

Essa extensão territorial pode ser comparada à área de Pequim, na China.

As maiores perdas foram registradas principalmente em regiões tropicais, como Amazônia, Sudeste Asiático e Bacia do Congo.

Mapa global revela impactos diferentes da mineração

O estudo foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Tohoku e do Instituto Nacional de Estudos Ambientais do Japão, conhecido pela sigla NIES.

As equipes criaram um mapa mundial com a localização das commodities minerais exploradas.

Depois disso, os cientistas compararam essas informações com dados sobre perda florestal e risco de extinção de espécies.

O cruzamento permitiu observar como diferentes atividades mineradoras estão modificando florestas, habitats naturais e áreas importantes para a biodiversidade.

Segundo os pesquisadores, cada mineral apresenta uma pegada ambiental própria.

Alguns provocam extensa derrubada de vegetação, enquanto outros atingem ecossistemas específicos, mesmo sem causar grandes áreas visíveis de desmatamento.

Painel digital apresenta a distribuição mundial de ferro, cobre, níquel, lítio e outros minerais, destacando áreas de mineração e tendências globais.

Ouro e carvão ainda lideram a perda florestal

Ouro e carvão permanecem entre os principais responsáveis pelo desmatamento provocado pela mineração.

A extração dessas matérias-primas costuma remover grandes áreas de vegetação ao redor das minas.

Por esse motivo, os impactos podem ser identificados com maior facilidade por imagens de satélite e sistemas de sensoriamento remoto.

A mineração de materiais ligados às tecnologias verdes, entretanto, apresenta um padrão diferente.

O lítio pode provocar menos perda de floresta, mas sua exploração ameaça habitats sensíveis e espécies adaptadas a ambientes muito específicos.

Essa diferença mostra que o desmatamento não representa o único indicador capaz de medir os danos causados pela atividade mineral.

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Viviane Alves

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Lítio ameaça habitats mesmo sem derrubar florestas

A extração de lítio ocorre frequentemente em ambientes salinos, desertos e zonas úmidas.

Essas áreas abrigam ecossistemas frágeis, espécies especializadas e processos naturais que podem ser alterados pela atividade mineradora.

Mudanças aparentemente pequenas nesses locais podem comprometer o equilíbrio ambiental.

A retirada do mineral também pode pressionar habitats ecologicamente sensíveis, mesmo quando a perda visível de vegetação é reduzida.

Esse padrão representa um desafio para governos, empresas e pesquisadores.

A avaliação ambiental precisa considerar não apenas árvores derrubadas, mas também riscos para espécies, zonas úmidas e ecossistemas pouco conhecidos.

Minerais verdes são essenciais para novas tecnologias

Lítio, cobalto e níquel são fundamentais para a produção de baterias de veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia renovável.

A procura por esses materiais aumenta conforme países e empresas investem em tecnologias destinadas à redução das emissões de carbono.

A transição energética, porém, cria uma nova demanda por minerais extraídos em regiões ambientalmente delicadas.

Esse movimento exige atenção aos custos ambientais associados às cadeias produtivas das tecnologias verdes.

Segundo os autores do estudo, ainda existem poucos dados para compreender completamente todas as consequências dessa transformação.

O avanço de energias renováveis e veículos elétricos precisa, portanto, caminhar junto com medidas capazes de proteger a biodiversidade.

Tecnologia ajuda a identificar danos ambientais

Keiichiro Kanemoto, professor associado da Universidade de Tohoku e autor do estudo, destacou o papel das novas tecnologias na pesquisa.

Segundo o cientista, avanços em sensoriamento remoto e aprendizado de máquina criaram novas possibilidades para analisar a mineração em escala mundial.

Essas ferramentas permitem localizar minas, acompanhar mudanças na vegetação e identificar regiões que enfrentam maior pressão ambiental.

Os dados também ajudam a revelar danos que poderiam permanecer ocultos em análises baseadas somente na perda de florestas.

A tecnologia pode ainda auxiliar na criação de políticas ambientais mais específicas para cada mineral e região de exploração.

Transição energética exige equilíbrio ambiental

A pesquisa mostra que reduzir as emissões de carbono não elimina automaticamente os riscos para a natureza.

Tecnologias consideradas verdes também dependem de matérias-primas cuja extração pode causar impactos ambientais substanciais.

O grande desafio envolve equilibrar descarbonização, produção mineral e proteção dos ecossistemas naturais.

Planejamentos mais detalhados podem ajudar a identificar áreas vulneráveis antes da abertura ou ampliação de projetos mineradores.

Essa antecipação também pode reduzir descuidos ambientais e evitar ameaças contra espécies que vivem em habitats sensíveis.

Novo mapa pode ajudar a proteger espécies

O levantamento oferece uma oportunidade para governos, empresas e pesquisadores compreenderem melhor a pegada global da mineração.

As informações podem orientar avaliações ambientais e medidas de proteção adaptadas às características de cada região.

O mapa também mostra que diferentes minerais exigem estratégias distintas de fiscalização e conservação.

A extração de ouro e carvão demanda atenção ao desmatamento em larga escala.

A produção de lítio, por outro lado, requer cuidados especiais com ambientes salinos, zonas úmidas e espécies vulneráveis.

Kanemoto afirmou que o estudo representa um grande avanço na compreensão dos impactos reais da atividade mineral.

Para o pesquisador, um futuro mais verde também precisa considerar os custos ambientais ocultos dos materiais que tornam essa transformação possível.

O que você considera mais importante: acelerar a produção de minerais para tecnologias verdes ou impor controles ambientais mais rigorosos para proteger espécies e habitats? Deixe sua opinião!


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

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