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Mansão medieval passa por restauração de sete anos e £ 5 milhões em Yorkshire, trabalhadores abrem uma parede de um quarto comum e encontram pinturas Tudor da década de 1550 escondidas havia séculos, enquanto o complexo recupera salão, capela e aposentos históricos e passa a receber hóspedes por cerca de £ 35 por pessoa
Escrito por Carla Teles
Publicado em 23/07/2026 às 12:51
Curiosidades
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As pinturas Tudor apareceram na restauração do Calverley Old Hall, em West Yorkshire, quando uma abertura na parede revelou figuras da década de 1550; após sete anos de obras e £ 5 milhões investidos, o complexo recuperou salão, capela, aposentos e passou a oferecer hospedagem por £ 35 por pessoa.
As pinturas Tudor encontradas no Calverley Old Hall, em West Yorkshire, surgiram durante a restauração de um quarto que aparentava pertencer apenas à fase vitoriana do edifício. Ao abrir uma parede de gesso e ripas, a equipe encontrou figuras, criaturas aladas e padrões decorativos que permaneceram encobertos durante séculos.
As informações foram publicadas pelo jornal The Guardian em 6 de janeiro de 2025. A reportagem detalhou a restauração de sete anos conduzida pelo Landmark Trust, instituição responsável por recuperar o conjunto medieval com investimento de £ 5 milhões e adaptá-lo para hospedagem, uso comunitário e visitação pública.
Parede comum escondia decoração do século XVI
Imagem: Landmark Trust
O cômodo onde ocorreu a descoberta não apresentava, inicialmente, sinais evidentes de sua importância histórica. Anna Keay, diretora do Landmark Trust, descreveu o espaço como um quarto aparentemente comum no andar superior de uma casa modificada durante o período vitoriano.
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Durante uma intervenção de rotina, os trabalhadores fizeram uma pequena abertura na parede de gesso e ripas. Uma lanterna direcionada para o interior revelou uma mancha clara que levou a equipe a ampliar cuidadosamente a inspeção.
Pinturas Tudor surgiram atrás do revestimento
Direita: Pássaros com dentes e figuras humanas.
Imagem: Landmark Trust
À medida que mais partes da parede foram examinadas, apareceram rostos, animais fantásticos e composições repetidas. As pinturas Tudor estavam escondidas atrás dos acabamentos incorporados ao quarto em reformas posteriores.
O padrão inclui um rosto masculino barbado, criaturas aladas semelhantes a serpentes, figuras com traços de bufões e um friso de rosas brancas associado a Yorkshire. A decoração cobre o ambiente como uma espécie de papel de parede pintado diretamente sobre a superfície.
Obra pode ter sido realizada na década de 1550
Imagem: Landmark Trust
Especialistas envolvidos no projeto situam as pinturas Tudor na década de 1550. A decoração teria sido produzida quando o conjunto já possuía salão, aposentos privados e capela.
A fonte não apresenta uma data exata de execução nem identifica o artista responsável. A análise histórica considera estilo, composição, idade das paredes e relação do cômodo com as fases de ampliação da propriedade.
Inspiração pode ter vindo da Roma antiga
Os desenhos provavelmente foram influenciados por decorações descobertas na Domus Aurea, palácio construído para o imperador Nero em Roma. A redescoberta de espaços subterrâneos decorados durante o Renascimento ajudou a espalhar pela Europa padrões com figuras híbridas, animais e elementos fantásticos.
Essa relação é apresentada como hipótese histórica, não como comprovação documental. As semelhanças visuais ajudam a explicar por que um quarto em Yorkshire recebeu uma decoração tão diferente dos interiores britânicos mais conhecidos do período.
Mansão começou a ser formada no século XIV
A parte mais antiga do Calverley Old Hall surgiu no século XIV. Durante o século XV, a propriedade ganhou um grande salão de banquetes, ampliando a escala do conjunto residencial.
No século XVI, foram acrescentados um bloco de aposentos e uma capela privada. Essas sucessivas intervenções transformaram a casa em um complexo formado por construções de épocas, técnicas e funções diferentes.
Sir William Calverley pode estar representado
Sir William Calverley foi responsável por ampliações realizadas no século XVI e pode ter sido o proprietário associado ao quarto pintado. A figura barbada repetida nas paredes é considerada uma possível representação ligada a ele.
A identificação, entretanto, não é definitiva. A ausência de documentos que indiquem o significado de cada imagem impede afirmar com certeza quem aparece nas pinturas Tudor.
Família perdeu a propriedade no século XVII
A família Calverley enfrentou dificuldades financeiras no século XVII. Como católicos em um país que havia adotado o protestantismo, seus integrantes também foram submetidos a multas e restrições.
A queda econômica levou à venda da propriedade. Depois disso, o conjunto deixou de funcionar como uma mansão familiar única e passou por mudanças que alteraram profundamente sua organização interna.
Edifício foi dividido em várias moradias
No século XVIII, partes do Calverley Old Hall foram transformadas em casas menores. Novos pisos, paredes, lareiras e acessos permitiram acomodar famílias de trabalhadores em ambientes originalmente construídos para uma residência senhorial.
Tecelões, agricultores e pedreiros estiveram entre os moradores do complexo. As alterações preservadas nas paredes permitem observar como um edifício aristocrático foi adaptado às necessidades domésticas de diferentes períodos.
Grande salão recuperou altura original
Uma das intervenções mais importantes ocorreu no grande salão, construído na década de 1480. O ambiente havia sido subdividido durante a fase em que o prédio abrigou várias casas.
A restauração removeu divisões posteriores e recuperou a altura tripla do salão. A estrutura voltou a revelar a grande lareira arqueada e a cobertura de madeira com vigas trabalhadas.
Marcas das antigas casas permaneceram visíveis
As paredes de pedra não foram restauradas para parecer novas. Buracos deixados por antigas vigas, sinais de pisos removidos e lareiras posicionadas acima do nível atual permaneceram aparentes.
Essa decisão permite que o visitante reconheça as diferentes fases do edifício. O projeto não tentou devolver toda a propriedade a uma única época, mas preservar evidências das transformações acumuladas durante séculos.
Arquitetos combinaram preservação e elementos novos
O escritório Cowper Griffith venceu, em 2017, o concurso para conduzir a transformação arquitetônica. A proposta utilizou demolições pontuais, estruturas de carvalho, ferragens produzidas manualmente e novas soluções para circulação e serviços.
Karen Lim, integrante do escritório, explicou que o objetivo era permitir que as várias histórias do prédio permanecessem legíveis. Os novos componentes foram desenhados para dialogar com a estrutura medieval sem copiar integralmente formas antigas.
Escada de madeira faz referência ao salão medieval
Uma nova escada de madeira foi construída próxima à entrada. O desenho utiliza balaústres trabalhados apenas em um dos lados, enquanto o outro permanece plano.
O detalhe faz referência à antiga divisão social do salão, no qual a decoração mais elaborada se concentrava na área voltada ao proprietário. A solução contemporânea recupera uma lógica histórica sem criar uma reprodução literal da estrutura desaparecida.
Elevador foi integrado a uma torre de madeira
A restauração também incorporou recursos de acessibilidade. Um elevador para cadeira de rodas foi instalado dentro de uma torre revestida com painéis de madeira, reduzindo o impacto visual sobre as áreas antigas.
O conjunto recebeu ainda aquecimento pelo piso conectado a uma fonte geotérmica. Essas instalações foram adicionadas para permitir o uso atual da propriedade sem ocultar completamente a intervenção contemporânea.
Painéis escondem isolamento e instalações
Na área leste do grande salão foi organizada uma cozinha aberta. Painéis novos de carvalho escondem redes técnicas, serviços e materiais de isolamento necessários ao funcionamento do alojamento.
Janelas profundas podem ser fechadas com painéis deslizantes e venezianas dobráveis. O projeto usa esses elementos para conciliar desempenho, privacidade e preservação das aberturas históricas.
Capela privada voltou a fazer parte do percurso
A parte mais antiga do edifício mantém um antigo aposento privado, conhecido como solar, convertido em sala de estar. Um fragmento de taipa ainda permanece visível em um dos cantos.
Uma porta semelhante à de um armário leva ao mezanino da capela. O espaço permitia que integrantes da família acompanhassem as celebrações religiosas separados da área principal do templo.
Objetos foram encontrados dentro das paredes
A restauração revelou objetos que haviam permanecido escondidos na construção. Entre eles estavam sapatos infantis e ovos de galinha, possivelmente colocados nas paredes como formas de proteção ou amuletos.
Esses materiais passaram a ser exibidos na capela do piso térreo. Os achados ajudam a documentar crenças e hábitos domésticos que não aparecem apenas na arquitetura monumental da propriedade.
Projeto mobilizou mais de 3 mil pessoas
Mais de 3 mil pessoas participaram de atividades relacionadas à recuperação do Calverley Old Hall. O processo envolveu profissionais, aprendizes, artesãos em formação e participantes de oficinas abertas ao público.
As ações incluíram carpintaria, reboco de cal, tecelagem e impressão de tecidos. Também foram realizadas atividades educativas voltadas a crianças, ampliando o vínculo do projeto com a comunidade local.
Financiamento exigiu espaços públicos
O National Lottery Heritage Fund destinou £ 1,75 milhão à restauração. Como parte das condições associadas ao financiamento, o projeto incorporou áreas de uso público.
Um antigo alojamento do século XVI foi convertido em salão comunitário para locação. O complexo também passou a contar com jardim público, apartamento alugado e períodos específicos de abertura da capela para visitantes.
Landmark Trust investiu £ 5 milhões
A restauração completa custou £ 5 milhões e se estendeu durante sete anos. Segundo o Guardian, foi o projeto mais ambicioso já realizado pelo Landmark Trust até aquele momento.
A organização foi fundada em 1965 para recuperar edifícios ameaçados. Atualmente administra mais de 200 propriedades históricas adaptadas para hospedagem e outros usos capazes de ajudar a financiar sua conservação.
Hospedagem ocupa cinco quartos da mansão
Depois da obra, parte do Calverley Old Hall passou a funcionar como casa de temporada com cinco quartos. Os hóspedes podem utilizar o grande salão, aposentos e outras áreas recuperadas.
A reportagem indicou valor aproximado de £ 35 por pessoa por noite, dependendo da ocupação e da reserva. O preço apresentado corresponde à referência publicada em janeiro de 2025 e pode variar conforme data, duração e número de hóspedes.
Quarto pintado integra a experiência de hospedagem
O ambiente com as pinturas Tudor foi preservado e incorporado à área de hospedagem. Assim, visitantes podem permanecer no mesmo espaço onde as figuras do século XVI reapareceram durante as obras.
A adaptação exigiu conservar as superfícies sem transformar o quarto apenas em sala de exposição. O uso ajuda a financiar a manutenção, mas também exige controle sobre desgaste, umidade e intervenções futuras.
Restauração evitou apagar fases posteriores
Os responsáveis decidiram não reconstruir uma versão idealizada da mansão medieval. Elementos vitorianos, marcas das antigas casas e componentes contemporâneos foram mantidos quando contribuíam para explicar a evolução do conjunto.
A abordagem trata o edifício como uma sequência de ocupações, e não como cenário congelado em uma única data. Essa escolha distingue conservação histórica de reconstrução completa.
Recuperação oferece alternativa à demolição
Antes da obra, partes do complexo estavam deterioradas e sem uso definido. O Landmark Trust havia comprado a propriedade na década de 1980, quando o local ainda estava dividido em oito residências alugadas.
A recuperação mostrou que construções antigas podem receber novas funções sem perder todas as marcas acumuladas. Anna Keay defendeu que soluções criativas para imóveis históricos podem reduzir a pressão por novas construções.
Pinturas Tudor ampliam valor histórico do complexo
A descoberta acrescentou uma nova camada ao conhecimento sobre o Calverley Old Hall. O quarto revelou uma forma de decoração doméstica rara e preservada atrás de intervenções mais recentes.
Ao lado do grande salão, da capela e dos antigos aposentos, as pinturas Tudor ajudam a explicar como arquitetura, arte e vida cotidiana se encontravam em uma propriedade do século XVI.
Obra abre debate sobre restauração e novos usos
O projeto combinou conservação, acessibilidade, hospedagem, espaços comunitários e soluções contemporâneas. A renda gerada pelos novos usos deverá contribuir para manter um conjunto que atravessou quase oito séculos de alterações.
Na sua opinião, mansões históricas devem ser transformadas em hospedagens para financiar sua preservação ou mantidas exclusivamente como museus? Compartilhe nos comentários qual modelo pode proteger melhor construções antigas sem afastá-las do público.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

