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Mecânico cubano transforma Fiat Polski de 1980 em carro movido a carvão, instala tanque artesanal de 60 litros, percorre 85 quilômetros e chega a 70 km/h durante crise de gasolina

Mecânico cubano transforma Fiat Polski de 1980 em carro movido a carvão, instala tanque artesanal de 60 litros, percorre 85 quilômetros e chega a 70 km/h durante crise de gasolina

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Mecânico cubano transforma Fiat Polski de 1980 em carro movido a carvão, instala tanque artesanal de 60 litros, percorre 85 quilômetros e chega a 70 km/h durante crise de gasolina

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 28/07/2026 às 17:39

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Mecânico cubano transforma Fiat Polski de 1980 em carro movido a carvão

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Mecânico cubano adapta Fiat Polski de 1980 para funcionar com carvão, percorre 85 quilômetros, atinge 70 km/h e transforma sucata em mobilidade.

Em março de 2026, o mecânico cubano Juan Carlos Pino colocou nas ruas de Aguacate uma criação que parecia saída de outra época. Seu Fiat Polski de 1980, originalmente movido a gasolina, passou a funcionar com carvão vegetal por meio de um sistema artesanal instalado na traseira.

A adaptação surgiu enquanto Cuba enfrentava racionamento rigoroso de gasolina, apagões frequentes e forte encarecimento do combustível no mercado informal. Pino procurou uma alternativa que permitisse continuar circulando sem depender exclusivamente dos postos.

O resultado foi um automóvel de dois cilindros equipado com tanque externo de 60 litros e um conjunto construído com sucata e peças reaproveitadas. Em um teste inicial, o pequeno Fiat percorreu 85 quilômetros e atingiu velocidade máxima de 70 km/h.

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Juan Carlos Pino transforma sucata em sistema artesanal

Juan Carlos Pino tinha 56 anos quando apresentou o veículo. Segundo a Reuters, o mecânico montou o equipamento em sua oficina, utilizando materiais descartados e componentes reaproveitados disponíveis em Aguacate, cidade de aproximadamente 5 mil habitantes localizada cerca de 70 quilômetros a leste de Havana.

Fiat Polski de 1980 em carro movido a carvão

Pino já havia construído uma máquina a partir de uma motocicleta para ordenhar três vacas simultaneamente. A experiência com reparos e adaptações ajudou a transformar uma ideia antiga em veículo funcional diante de uma emergência de mobilidade.

Carro a carvão usa gasificação para alimentar o motor

O Fiat não queima pedaços de carvão diretamente dentro dos cilindros. O sistema utiliza o princípio da gasificação, processo no qual um combustível sólido é convertido em mistura gasosa capaz de alimentar determinados motores de combustão interna.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura explica que a gasificação de madeira ou carvão produz gás combustível composto principalmente por monóxido de carbono, hidrogênio e pequenas parcelas de metano. Depois de filtrada, essa mistura pode substituir combustíveis líquidos em motores adaptados.

No projeto cubano, o carvão é processado no equipamento traseiro e o gás segue para o motor de dois cilindros. A solução recupera uma tecnologia antiga, mas aplica o princípio a um carro compacto construído na Polônia há mais de quatro décadas.

Fiat Polski percorre 85 quilômetros e alcança 70 km/h

Pino colocou o automóvel em circulação em 4 de março de 2026. Em um dos primeiros testes relatados pela Reuters, o Fiat completou viagem de 85 quilômetros e alcançou 70 km/h, desempenho suficiente para deslocamentos locais e trajetos regionais.

A distância registrada demonstrou que o sistema não servia apenas para ligar o motor diante da oficina. O carro conseguiu percorrer uma rota real e transformar uma experiência artesanal em solução prática de transporte.

Tanque de 60 litros muda completamente o pequeno Fiat

O componente mais visível da conversão é o tanque de 60 litros fixado na traseira. A estrutura externa supera visualmente o tamanho do compartimento original do motor e faz o carro parecer uma pequena máquina industrial sobre rodas.

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O Fiat Polski utilizado por Pino pertence à família do Fiat 126p, modelo compacto produzido sob licença na Polônia.

A Stellantis informa que o 126p foi concebido com tração traseira, carroceria de duas portas e motor traseiro de dois cilindros, configuração compatível com o veículo mostrado em Cuba.

A adaptação também preservou o caráter compacto do modelo, apesar do equipamento externo instalado sobre a traseira original.

Fiat 126p virou símbolo de mobilidade popular

Conhecido na Polônia como Maluch, termo associado ao tamanho diminuto do veículo, o Fiat 126p ajudou a motorizar milhões de famílias durante as últimas décadas do século XX.

A produção polonesa começou em 1973 e terminou em 2000. De acordo com a Stellantis, mais de 3,3 milhões de exemplares foram fabricados nas unidades de Bielsko-Biała e Tychy ao longo de 27 anos.

Escassez de gasolina impulsiona invenção cubana

A criação de Pino está diretamente ligada à situação energética enfrentada por Cuba em 2026. A Reuters informou que apagões haviam se tornado frequentes e a gasolina estava submetida a racionamento rígido.

No mercado informal, o litro do combustível chegava a aproximadamente US$ 8, valor seis vezes superior ao preço oficial citado pela agência.

A combinação entre falta de oferta, custo elevado e necessidade de deslocamento pressionava moradores, trabalhadores e pequenos produtores.

Pino afirmou que pretendia aplicar o mesmo princípio a um trator. Para o mecânico, manter máquinas agrícolas funcionando poderia ajudar no plantio e em outras atividades essenciais, ampliando o impacto da adaptação além do transporte pessoal.

Gasificadores já moveram mais de um milhão de veículos

Embora pareça uma invenção futurista ou improvisada, o uso de carvão e madeira para movimentar motores possui antecedentes históricos importantes.

A FAO registra que mais de um milhão de carros, caminhões, ônibus, barcos e trens utilizaram gasificadores durante a Segunda Guerra Mundial.

A tecnologia ganhou espaço porque gasolina e diesel estavam restritos ou direcionados às operações militares. Veículos civis passaram a carregar equipamentos externos capazes de produzir gás combustível a partir de madeira, carvão vegetal, turfa ou carvão mineral.

Depois da guerra, os combustíveis derivados de petróleo voltaram a ficar disponíveis e os gasificadores perderam competitividade. O Fiat de Pino recupera essa lógica: quando a gasolina desaparece ou se torna inacessível, combustíveis sólidos locais voltam a atrair atenção.

Desempenho transforma protótipo em transporte real

A velocidade máxima de 70 km/h não coloca o Fiat entre os carros rápidos, mas permite deslocamentos superiores aos de bicicletas ou caminhadas. Em áreas rurais e pequenas cidades, esse desempenho pode atender tarefas diárias, transporte de ferramentas e viagens curtas.

Mesmo assim, o teste de 85 quilômetros mostrou que o carro conseguiu manter movimento contínuo. O projeto deixou de ser apenas curiosidade de oficina e passou a representar resposta mecânica a uma crise de abastecimento.

Veículo artesanal vira atração nas ruas de Aguacate

A passagem do Fiat movido a carvão pelas ruas de Aguacate transformou Pino em celebridade local. Moradores se aproximaram para fotografar, observar o tanque traseiro e perguntar se o mecânico poderia construir outros sistemas semelhantes.

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Um dos habitantes ouvidos pela Reuters chamou o projeto de “invenção do ano”. A reação mostra como o automóvel passou a representar mais que adaptação técnica: tornou-se símbolo visível da capacidade de improvisação desenvolvida diante da escassez.

Tecnologia compartilhada ajuda criação a sair da oficina

Pino afirmou que pensava havia anos em construir um automóvel movido a carvão. A primeira inspiração veio de um tio já falecido, mas o mecânico também reconheceu a influência do argentino Edmundo Ramos, associado à divulgação aberta de sistemas de gasificação.

Segundo a Reuters, outros cubanos procuraram Ramos em busca de informações para alimentar geradores e manter pequenos negócios funcionando durante a crise energética. Entre os interessados estavam comerciantes dependentes de eletricidade para produzir gelo e operar equipamentos.

A circulação desse conhecimento mostra como uma tecnologia antiga pode ser recuperada por redes contemporâneas. No Fiat, informações públicas encontraram experiência mecânica local e materiais reaproveitados.

Fiat movido a carvão transforma crise em mobilidade

O projeto reúne um automóvel polonês de 1980, tecnologia popularizada durante períodos de escassez e uma oficina cubana trabalhando com peças reaproveitadas.

Seu impacto não está na criação de uma nova fonte de energia, mas na capacidade de combinar conhecimentos existentes em máquina adaptada às condições locais. Pino identificou um combustível disponível, recuperou um princípio antigo e o integrou a um carro simples.

O Fiat percorreu 85 quilômetros, alcançou 70 km/h e chamou atenção com o tanque traseiro de 60 litros. Em vez de parar por falta de gasolina, o pequeno carro de dois cilindros voltou às ruas em 2026 como uma das criações automotivas artesanais mais incomuns do ano.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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