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Medo de novas operações policiais abala campanha de Douglas Ruas no RJ

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Medo de novas operações policiais abala campanha de Douglas Ruas no RJ

A sucessão de operações policiais envolvendo aliados e membros do PL instaurou uma crise permanente na pré-campanha do deputado estadual Douglas Ruas (PL) ao governo do Rio de Janeiro. Nos bastidores, integrantes da federação União Progressista (União Brasil e PP), principal fiadora da chapa formada em fevereiro, relatam o temor de que o avanço das investigações amplie o desgaste do partido no estado, afunde a imagem do pré-candidato e comprometa o desempenho eleitoral da aliança.

O clima de apreensão foi agravado nesta semana por duas ofensivas. A mais recente ocorreu nessa quinta-feira (9/7), quando o Ministério Público do Rio de Janeiro prendeu pessoas ligadas a um suposto esquema de desvios no Instituto Rio Metrópole (IRM) — entre elas Maurício Knoploch, diretor de Planejamento e Projetos do órgão e pai do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL).

Dias antes, o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União), indicado para uma das vagas ao Senado na chapa de Ruas, foi alvo da Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro em postos de combustíveis e acabou preso em flagrante por posse ilegal de arma.

A turbulência no noticiário policial, no entanto, assombra a coligação desde maio, quando o ex-governador Cláudio Castro (PL) foi alvo da PF em apurações sobre fraudes ligadas ao Banco Master e à Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. O episódio levou Castro a desistir de disputar o Senado pela chapa.

O temor de aliados de Ruas é de que novas operações mirem antigos membros da gestão Castro. O governo estadual é comandado interinamente pelo desembargador Ricardo Couto e, segundo o MP fluminense, a operação sobre o IRM foi fruto de auditorias iniciadas por ordem de Couto.

Sob reserva, políticos do entorno de Ruas temem que o pente-fino do governo interino abasteça novas ações. Um dirigente da federação entre União Brasil e PP avaliou que as investigações colocaram “uma bola de ferro em todos que estão no entorno” da chapa do atual presidente da Assembleia Legislativa (Alerj).

“Ele tem chances, nossa candidatura é boa, mas a situação está complicada. Hoje, se me pedissem para apostar, eu apostaria que vai ter nova operação do MP ou da PF contra as pessoas do governo do Castro e do PL. Isso é muito ruim”, desabafou.

O receio é compartilhado por uma liderança do PP, que disse enxergar a construção de uma imagem de que há “problemas e investigações rondando” o palanque.

“Com novos episódios, vai ser difícil a gente seguir tranquilo. Se vier mais uma paulada, a gente vai ter que sentar e procurar entender o que é melhor para nós”, pontuou.

Parlamentares também temem desdobramentos de investigações ligadas ao ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar, atualmente preso. Na visão de deputados da base, Bacellar tem “potencial para queimar muita gente”.

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Douglas Ruas é o candidato de Flávio Bolsonaro ao governo do Rio de Janeiro

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LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova

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Douglas Ruas discursa após tomar posse como presidente da Alerj

Thiago Lontra/Alerj

Desconhecido

Atual presidente da Alerj, Douglas Ruas já enfrentava dificuldades para alavancar seu nome na corrida ao Palácio Guanabara. Os planos de assumir o governo interinamente para ganhar visibilidade ou de disputar uma eleição fora de época esbarraram na renúncia de Castro e em questionamentos judiciais sobre o formato da sucessão.

Ex-secretário de Cidades da gestão passada, Ruas agora tenta um distanciamento tático do antigo aliado. Pessoas próximas a ele defendem que sejam feitas críticas ao antigo governo para tentar blindar sua imagem eleitoral.

A estratégia, contudo, é vista com ceticismo. Aliados acreditam ser inevitável que adversários vinculem a figura de Ruas às operações do governo Castro. Eduardo Paes (PSD), seu principal oponente, já tem usado as redes sociais para associar o PL fluminense a supostos ilícitos.

Paes lidera as pesquisas de intenção de voto. Segundo levantamento do instituto Paraná Pesquisas divulgado na última semana, o ex-prefeito do Rio de Janeiro lidera com folga a disputa com 54,2%, contra 14,6% de Ruas, no primeiro turno.

Problemas na corrida ao Senado

Berço político da família Bolsonaro, o Rio de Janeiro foi um dos primeiros palanques estaduais definidos pelo PL e pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, que se envolveu diretamente nas articulações.


A chapa original


Às vésperas das convenções partidárias, o cenário se deteriorouA vaga ao Senado deixada por Castro segue indefinida e há expectativa de que Canella também abandone a corrida.

A direção do PL fluminense esperava que Flávio anunciasse o novo candidato ao Senado na última semana. O senador, porém, informou a aliados que ainda precisava conversar com o pai antes de bater o martelo. Em seguida, embarcou para os Estados Unidos, o que interrompeu o avanço das negociações.

Os principais nomes na corrida são o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) e o atual líder do PL no Senado, Carlos Portinho (PL-RJ), que havia sido preterido nas negociações de fevereiro e concordado em concorrer à Câmara dos Deputados. Aliados de Flávio Bolsonaro têm defendido que ele adie o anúncio a fim de evitar “exposição desnecessária” para o substituto de Castro.

Paralelamente, dirigentes do PL, do União Brasil e do PP defendem que Márcio Canella desista da candidatura ao Senado. A decisão ainda não foi oficializada. Pelo acordo, caberia ao União revisitar a indicação.

Aliados de Flávio no Rio avaliam que a demora para definir a chapa tem fragilizado o palanque estadual e dificultado a organização da campanha dos candidatos aliados. Com a operação contra Canella, a avaliação dentro do partido é que a situação se tornou ainda mais delicada.

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