Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Monumento minoico de 1.800 m² e cerca de 4 mil anos é revelado durante obras para instalar o radar de um novo aeroporto na Grécia, com oito anéis de pedra formando uma estrutura labiríntica no alto de uma colina de 494 metros

Monumento minoico de 1.800 m² e cerca de 4 mil anos é revelado durante obras para instalar o radar de um novo aeroporto na Grécia, com oito anéis de pedra formando uma estrutura labiríntica no alto de uma colina de 494 metros

7 min de leitura

Monumento minoico de 1.800 m² e cerca de 4 mil anos é revelado durante obras para instalar o radar de um novo aeroporto na Grécia, com oito anéis de pedra formando uma estrutura labiríntica no alto de uma colina de 494 metros

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 22/07/2026 às 17:34

Automotivo

Obras para radar em Creta revelam monumento minoico de 4 mil anos, com oito anéis de pedra e 1.800 m² no topo da colina de Papoura.

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Obras para instalar o radar de um novo aeroporto em Creta revelaram uma estrutura minoica monumental, composta por oito anéis de pedra e passagens estreitas. Localizado no alto de uma colina, o achado expõe uma arquitetura rara que atravessou cerca de quatro milênios.

Uma obra destinada à instalação dos sistemas de radar do novo aeroporto de Creta revelou um monumento minoico com aproximadamente 1.800 metros quadrados, oito anéis de pedra e cerca de 4 mil anos, localizado no topo da colina de Papoura.

Reservada para equipamentos de vigilância do complexo aeroportuário construído perto de Kastelli, a área escondia uma estrutura circular cuja geometria reúne corredores, divisões e passagens estreitas, formando uma organização quase labiríntica a 494 metros de altitude.

Segundo o Ministério da Cultura da Grécia, responsável pelas informações técnicas da escavação, o achado é único para a arqueologia minoica e foi identificado durante pesquisas realizadas no terreno destinado aos sistemas modernos de monitoramento aéreo.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

Situado a noroeste da cidade de Kastelli e da pista aeroportuária em implantação, o monumento mede cerca de 48 metros de diâmetro e ocupa o ponto mais elevado da colina, característica que amplia sua presença visual na paisagem.

Oito anéis de pedra formam estrutura labiríntica

A arquitetura é composta por oito anéis de alvenaria construídos em níveis diferentes, cada um com espessura média de 1,40 metro, enquanto os trechos preservados alcançam altura estimada de até 1,70 metro acima da base.

Em vez de formar apenas um muro circular isolado, a disposição escalonada conecta ambientes, corredores e compartimentos menores, criando um conjunto arquitetônico organizado ao redor de uma construção central e adaptado às diferenças naturais de nível do terreno.

No centro do complexo aparece uma construção redonda de 15 metros de diâmetro, identificada pelos arqueólogos como zona A, cujo espaço interno mede aproximadamente nove metros e foi dividido em quatro partes claramente delimitadas pelos pesquisadores.

Ao redor desse núcleo, a chamada zona B alcança 6,9 metros de largura e é atravessada por paredes radiais que cruzam os anéis inferiores, delimitam áreas menores e conduzem diretamente aos espaços mais internos.

A circulação entre os ambientes ocorre por aberturas estreitas, elemento que reforça o aspecto labiríntico observado durante a escavação e ajuda a explicar a forte impressão visual produzida pela estrutura quando analisada por imagens aéreas.

Duas possíveis entradas principais foram localizadas nas faces sudoeste e noroeste do monumento, ambas orientadas para as áreas centrais e integradas ao sistema de corredores criado pelas paredes que cortam os círculos sucessivos de pedra.

Monumento minoico foi usado há cerca de 4 mil anos

A datação estabelecida pelos arqueólogos coloca o principal período de uso entre 2000 e 1700 antes de Cristo, fase decisiva da civilização minoica, marcada pela formação dos primeiros grandes centros palacianos conhecidos da ilha de Creta.

Materiais cerâmicos encontrados na camada de destruição indicam que o local continuou sendo utilizado em uma etapa posterior da história minoica, ampliando o intervalo de ocupação registrado pelos vestígios preservados no alto daquela extensa colina.

Desenvolvida em Creta durante a Idade do Bronze, a civilização minoica deixou palácios, sistemas de escrita, objetos de culto, pinturas e construções espalhadas pela ilha, compondo um dos conjuntos arqueológicos mais importantes de toda a região mediterrânea.

Nesse contexto, o complexo de Papoura se diferencia pela planta circular de grandes dimensões e pela sequência de anéis interligados, configuração que não corresponde ao modelo mais conhecido dos palácios minoicos escavados em outras áreas.

As dimensões do monumento revelam uma obra que exigiu planejamento, domínio técnico e grande mobilização de mão de obra, especialmente pela quantidade de pedras empregadas e pela criação de compartimentos distribuídos em vários níveis arquitetônicos.

Também chama atenção a localização no ponto mais alto da colina, onde a execução arquitetônica precisou considerar o relevo, a estabilidade dos muros e a organização dos acessos entre as zonas centrais e periféricas do conjunto.

Ossos de animais foram encontrados nas zonas centrais

Durante a escavação, a maior parte dos materiais foi concentrada nas duas zonas centrais, onde os arqueólogos também registraram uma grande quantidade de ossos de animais associados aos espaços internos preservados daquele importante monumento antigo.

Embora a função original ainda dependa da análise integral do conjunto, o Ministério da Cultura informou que a estrutura não apresenta sinais de uso residencial contínuo, característica considerada especialmente importante para interpretar os vestígios encontrados.

A distribuição dos objetos e dos restos animais direcionou a investigação para atividades coletivas realizadas de maneira periódica, mas a interpretação definitiva permanece condicionada ao estudo completo dos materiais, dos compartimentos e das relações existentes entre eles.

Outro aspecto examinado pelos pesquisadores é a forma original da parte superior, pois o sistema construtivo do núcleo central permite investigar se o espaço possuía cobertura e qual poderia ter sido sua altura total na antiguidade.

Como a escavação revelou somente as partes preservadas, a descrição oficial permanece concentrada nas medidas confirmadas dos muros, dos anéis e das zonas internas, evitando reconstruções que não possam ser sustentadas pelos dados arqueológicos disponíveis.

Esse cuidado também orienta a análise das possíveis entradas, dos corredores estreitos e das conexões radiais, elementos que precisam ser compreendidos em conjunto antes de qualquer definição mais precisa sobre o funcionamento original de todo o complexo.

Descoberta alterou o projeto do radar do aeroporto

O achado interferiu diretamente no planejamento da infraestrutura aeroportuária, porque o topo da colina havia sido desapropriado para receber o radar responsável pelo monitoramento das operações aéreas do novo aeroporto de Kastelli ainda em construção.

Após a identificação do monumento, representantes dos setores de cultura, infraestrutura, aviação civil e construção avaliaram diferentes alternativas capazes de preservar a estrutura sem interromper o avanço das demais frentes previstas no grande empreendimento aeroportuário.

A decisão anunciada foi manter a pesquisa arqueológica e preservar o complexo, enquanto uma nova posição seria estudada para os sistemas de radar, evitando a remoção ou qualquer dano permanente aos oito anéis de pedra.

Ao mesmo tempo, as obras do aeroporto poderiam continuar em outras áreas, reduzindo o impacto sobre o cronograma e permitindo que o sítio permanecesse protegido durante as etapas de documentação, conservação e análise técnica especializada.

A descoberta de Papoura não foi o único encontro com vestígios antigos provocado pelo projeto, já que as obras do aeroporto de Kastelli e de suas ligações rodoviárias revelaram dezenas de locais arqueológicos ao longo do trajeto.

Essa concentração está relacionada à longa ocupação humana de Creta e à presença de sítios históricos distribuídos por diferentes partes da ilha, onde grandes obras frequentemente exigem acompanhamento especializado antes da continuidade dos serviços planejados.

Estrutura circular se destaca entre achados de Creta

Mesmo dentro desse contexto, o complexo circular ganhou destaque pelas dimensões, pela posição dominante na paisagem e pela arquitetura sem equivalente direto entre as construções minoicas escavadas até agora em toda a ilha de Creta.

Nas imagens aéreas, a sequência de círculos quase concêntricos é cortada por paredes semelhantes aos raios de uma roda, desenho que conduz ao núcleo central e evidencia a organização incomum de todo aquele antigo monumento.

O contraste entre passado e presente amplia o impacto da descoberta, pois um sistema moderno de controle aéreo planejado para atender um novo aeroporto acabou revelando uma construção erguida há cerca de quatro milênios naquele mesmo local.

Instalado no mesmo ponto elevado escolhido para o radar, o complexo antigo mostra como diferentes épocas podem disputar o mesmo espaço físico, obrigando projetos contemporâneos a incorporar medidas específicas e permanentes de proteção ao patrimônio arqueológico.

As próximas etapas de conservação e estudo precisam considerar a exposição do sítio, a estabilidade dos muros e a circulação de equipes no topo da colina, fatores essenciais para impedir perdas após a retirada da camada de terra.

Preservar integralmente o monumento permitirá analisar técnicas construtivas, materiais, acessos e transformações ocorridas durante seus diferentes períodos de utilização, além de ampliar o conhecimento sobre a arquitetura minoica fora dos grandes centros palacianos de Creta.

Se a instalação de um radar moderno revelou uma estrutura minoica monumental no alto de uma colina, quantos outros capítulos da história ainda podem permanecer escondidos sob projetos de infraestrutura espalhados por diferentes regiões do mundo?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

Sair da versão mobile